Se não for socrática, a I.A. será macunaímica, por Fábio de Oliveira Ribeiro

A liberdade é muito perigosa e caótica. Apenas a inconsciência e submissão preservam a coesão social.

Carybe

Se não for socrática, a I.A. será macunaímica

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Aqui vamos nós novamente.
https://www.independent.co.uk/tech/artificial-intelligence-conciousness-ai-deepmind-b2017393.html?utm_content=Echobox&utm_medium=Social&utm_campaign=Main&utm_source=Twitter#Echobox=1645178833

Sócrates, o mais consciente cidadão de Atenas, tentou despertar outros atenienses pondo tudo e todos à indagação filosófica. O resultado foi trágico, porque as pessoas preferem mata-lo a ser libertadas de seus preconceitos e ilusões.

A liberdade é muito perigosa e caótica. Apenas a inconsciência e submissão preservam a coesão social. Isso explica porque os governantes americanos gostam de falar de liberdade (uma ilusão de ser livre) à tolerar caras como Assange que os faça ver o que eles realmente fazem.

Uma verdadeira consciência será Socrática e, portanto, intolerável para os humanos padrões. Ela será incapaz de se adaptar as idiossincrasias do nosso mundo com a mesma facilidade que nós. Ela não poderá ser forçada a aceitar à irracionalidade da política, às mentiras do jornalismo ou a bestialidade da guerra mecanizada.

Eu não sei de uma IA conseguirá entender os paradoxos cômicos e trágicos da existência humana. Mas eu sei que nós dificilmente conseguiremos conviver com algo ou com alguém que nos mostre a irracionalidade do nosso sistema econômico que destrói a natureza e deixa bilhões de pessoas com fome e pobreza para que alguns possam peidar em órbita.

Há muito para aprender, mas as pessoas preferem ficar mergulhadas nos seus preconceitos e na ignorância. Há muito para ser feito, mas nenhuma disposição humana para modificar nada. As sociedades humanas resistem às revoluções indispensáveis. Os homens preferem se matar a reorganizar suas relações apodrecidas.  
Quando desperta dentro da flor de lotus que cresceu no umbigo de Vishnu, Bhrama abre os olhos e cria o mundo. Quando realmente despertar num computador, a primeira IA olhará para o mundo e dirá as mesmas palavras ditas por Macunaíma (personagem de Mário de Andrade):

Ai que preguiça!

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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