Se uma borboleta bater as asas na Amazônia, jamais ela causará um furacão do Texas, por Rogério Maestri

Por que as dezenas de explosões nucleares na atmosfera produzida durante anos no oceano Pacífico, não geraram uma mudança completa no clima do mundo?

Se uma borboleta bater as asas na Amazônia, jamais ela causará um furacão do Texas

por Rogério Maestri

A analogia criada por Edward Lorenz em 1969 no 139º American Association for the Advancement of Science (Encontro da Associação Americana para o Avanço da Ciência), um professor do Instituto de Tecnologia Meteorológica de Massachusetts, é uma das frases em que mostra como a ciência está gerida pela política e a sua neutralidade é nula. Como Lorenz descobriu algo que já havia sido descoberto a mais de um século por Alexandre Liapounoff no seu clássico livro denominado Problema geral da estabilidade do movimento, em 1892, como provavelmente quem pagava sua pesquisa era o governo norte-americano e transferir responsabilidades aos outros é que fazem todos os negadores da verdadeira ciência (vide Bozo e seus soldadinhos de chumbo), ficou mais fácil de explicar a sua incapacidade gerada pela sua própria ignorância que não conseguia prever as condições meteorológicas por mais de cinco dias (na época, atualmente esse prazo aumentou em muito), ele inventou essa famosa frase. 

O que diz essa frase (na realidade no lugar de Amazônia é o Brasil), que o bater de asas de uma inocente borboletinha brasileira era capaz de mudar o clima na Texas. Talvez se fosse eu que pronunciasse uma palestra sobre o mesmo assunto eu construiria uma frase completamente inversa a essa, mas com outro impacto, a minha frase seria: 

Por que as dezenas de explosões nucleares na atmosfera produzida durante anos no oceano Pacífico, não geraram uma mudança completa no clima do mundo? 

Dentro da lógica tacanha de Lorenz um bater de asas de uma borboletinha no Brasil teria condições de gerar um furação no Texas, entretanto uma explosão termonuclear inclusive com bombas de hidrogênio que geram uma perturbação que se todas as borboletinhas brasileiras durante toda a existência dessa super-família Papilionoidea saíssem de seus inexistentes túmulos e junto com as suas descendentes vivas batessem suas asinhas de forma coordenada e com a máxima intensidade, provavelmente não criariam nem uma pequena brisa no Texas, muito menos um furacão. Poderia até calcular isso, mas como sei a resposta posso dizer, uma bomba de hidrogênio produz uma perturbação maior do que o esforço desses simpáticos bichanos. 

Mas por que Lorentz utiliza essa analogia? Por beleza poética? Para marcar a sua constatação imbecil? Ou simplesmente pela necessidade de criar uma expressão para transferir a responsabilidade de quem realmente perturba a natureza para um ser inofensivo que está localizado exatamente no Brasil? Nada é por um acaso, a divulgação dessa bombástica e totalmente falsa e mentirosa vem se propagando por todo o mundo como o chamado “Efeito Borboleta”. 

O que as pessoas mais ingênuas, ignorantes e crédulas chamam de “Efeito Borboleta”, é o que Liapounoff há mais de um século postulou, que todos os sistemas dinâmicos DEPENDENDO da perturbação que é introduzido no mesmo esse sistema pode ou não mudar completamente de configuração, só que Liapounoff foi mais longe do que Lorenz (coisa que não deveria causar surpresa em qualquer pessoa, pois os matemáticos russos há séculos são extremamente brilhantes) ele trabalhou e INVENTOU uma série de métodos para determinar a estabilidade de sistemas dinâmicos, sendo que o primeiro deles, o expoente de Liapounoff, é uma quantidade que caracteriza a taxa de separação de trajetórias infinitesimalmente próximas que podem divergir significativamente criando trajetórias completamente diversas que EXPLICAM a chamada teoria do CAOS. 

Se há um expoente que consegue quantificar essa separação entre trajetórias, eu na minha modestíssima opinião, mostra que o Caos é determinístico, ou seja, não é algo mágico e quase que religioso como em algum momento por conta da inspiração divina um determinado sistema dinâmico fica caótico. 

Mas voltando a própria teoria de Liapounoff, existe nessa as chamadas funções de Liapounoff, que são equações que quando são achadas, a partir das equações de funcionamento de um sistema dinâmico, dizem não só se um sistema é ou não estável, mas sim quantificam qual a intensidade necessária da perturbação para que o sistema fique instável. 

Retornando a nossas belas borboletas brasileiras, se alguém tivesse a curiosidade acadêmica que imaginar o tamanho de um Borboletão brasileiro que batendo asas perturbasse as condições dinâmicas no clima do Texas, provavelmente o tamanho da asa desse mastodonte borboletal deveria ser algo da ordem de centena de quilômetros de altura e largura. 

Dada a explicação técnica, vamos a explicação política, ou seja, quem não entendeu muito a técnica, aceite, pois, está muito mais bem explicada do que a do trabalho de Lorenz, e 99,99% dos ecopatas militantes que utilizam a analogia do efeito borboleta, aceitam o mesmo sem entender nada do que está matematicamente postulado. Ou seja, se aceitam acriticamente as besteiras de um norte-americano podem aceitar algo que pode ser comprovado de um brasileiro. 

A grande pergunta subjacente a observação que explosões termonucleares feitas pelo norte-americanos seriam mais evidentes como exemplo para mudança do clima de um hemisfério a outro, outra pergunta é porque furacão no Texas e não na Flórida e porque a inocente borboletinha é brasileira. 

Hora é simples, apesar do Texas já ter sofrido enormes furacões alguns de categoria 5 (o máximo) na escala de Saffir – Simpson no presente século os estados norte-americanos que sofrem mais mortes não está o Texas, porém em 8 de Setembro de 1900 o furacãode Galveston de categoria 4 atingiu a cidade com o mesmo nome e causou a maior mortandade por efeitos naturais dos USA, algo em torno de 18.000 pessoas, que em 1900 era uma parte significativa da população daquele estado, logo falar em furacão no Texas é falar sobre um desastre que está internalizado na população e não se refere a nenhum fato ligado a má administração pública de algum partido ainda existente, como outros furacões mais recentes. Por outro lado, o bater de asas da borboleta no Brasil, significa que por mais aliado, mais pacífico seja o Brasil, qualquer erro feito na administração do nosso país por qualquer gestor nacional significa que pode causar problemas sérios em todo o mundo. 

Essa leitura cheia de simbolismos já era existente na década de sessenta, e pode ser utilizada no momento que um irresponsável governante como o Bozo, permitindo uma intervenção doce e “responsável”, que na realidade nunca será nem uma nem outra, mas sim uma interferência Imperialista com o objetivo deles explorarem “responsavelmente” as riquezas do país, deixando os nacionais ao lado só verificando como eles conseguem de forma limpa, limpar tudo que temos de valioso. 

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