Sem essa, Bolsonaro!, por Ricardo Mezavila

Os bolsonaristas caíram em um buraco do tempo que fez um elo entre a idade média e o período da ditadura militar no Brasil. Conversam sobre tortura como se estivessem na sala de espera de um pet shop

Sergio Lima - Poder360

Sem essa, Bolsonaro! 

por Ricardo Mezavila

Conversando com bolsonaristas dá para entender o raciocínio do ministro da secretaria-geral, Onix Lorenzoni. O ministro manifestou-se em uma live contrário ao lockdown por não ter eficácia, já que insetos, ratos e animais domésticos não poderiam ser detidos pelo isolamento.  

Não há nenhuma lógica de valores para os bolsonaristas, o que há é a inversão generalizada que estimula compra de armas para garantir a tranquilidade, escola à distância para melhorar a educação, uso de agrotóxicos para aumentar a colheita, perseguição às minorias para acabar com o mimimi e viver sem arte para não ter que usar recursos da Lei Rouanet. 

Os bolsonaristas caíram em um buraco do tempo que fez um elo entre a idade média e o período da ditadura militar no Brasil. Conversam sobre tortura como se estivessem na sala de espera de um pet shop, tratam a pandemia como se fosse andaço, doença simples e local. 

Algo distante, mas que evoca o filme de Rogério Sganzerla, Sem essa, Aranha, De 1970. O filme trata de maneira natural e abstrata, problemas como a fome, a miséria, a desigualdade social e a falta de identitarismo nacional.  

Sganzerla, foi um produtor de cinema que radicalizava na estética, subvertia a narrativa clássica, misturava anarquia com deboche. Políticos como Onix, Damares, Weintraub e Bolsonaro seriam personagens surtados de um antifilme com clichês de film noir e pornochanchada.  

Aproveitando o buraco aberto no tempo, a geração de 1968 está sendo vacinada e promete ocupar as ruas novamente contra o AI-5 e o fascismo experimental de Bolsonaro. 

Adaptando o pensamento irônico de Sganzerla para a voz do presidente: Estou buscando aquilo que o povo brasileiro espera de nós desde o (PT): Fazer do (povo) brasileiro o pior do mundo. 

Ricardo Mezavila, cientista político

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