Smartphone, ZAP e Eleição, por Alexandre Tambelli

Smartphone, ZAP e Eleição, por Alexandre Tambelli

O advento do Smartphone é a ponta de lança de um processo que incluiu milhões na era digital, que abriu as portas para a Internet para muita gente no Brasil.

Lembremos que o fenômeno ZAP já foi detectado em 2014 e quase deu a vitória para o Aécio. Nós das esquerdas não fixamos com sabedoria a plataforma, como ferramenta de Luta da extrema-direita econômica, perdedora de 4 eleições seguidas, na sua cruzada de tirar o PT do Poder, de vencê-lo nas urnas.

E há um detalhe que facilita a manipulação coletiva do voto via ZAP, o programa retira as diferenças do convívio, formam-se grupos de pessoas com mesmos ideais, com a mesma ideologia, viramos bolhas, seja à esquerda, seja à direita.

Neste processo de crescimento do ZAP verificamos que houve o abandono da timeline do Facebook. Afinal, as identidades, aos poucos, se juntaram em um simples click e as diferenças foram desaparecendo, perdendo espaço o diálogo, se guetizando os iguais em grupos familiares e de amigos e de universitários etc.

E, onde, aos poucos, só cabiam os de pensamento igual nos grupos criados, porque se conseguiu criar/incutir nas mentes a ideia de que estamos totalmente certos na verdade que acreditamos.

Até 2013, antes de o ZAP ocupar o espaço do Facebook, nós vivenciávamos a interação entre diferentes, que, bem ou mal, se digladiaram na discussão de ideias, debateram nas timelines; depois do ZAP, não. A timeline do ZAP só tem os nossos, só falamos pros nossos, só interagimos com os nossos. Somos todos bolhas.

E o ZAP, subproduto da tela pequena do Smartphone, radicalizou a fabricação do meme, do compartilhamento do tweet, da mensagem curta e direta, da manchete, onde, é preciso, pelo tamanho da tela, textos concisos, porque é cansativo ler um texto maior no celular. No ZAP não se lê muito nem se reflete e nem se tira conclusões, você fica escravo de pequenas frases, você se fecha nelas e não tem mais o costume de ler textos, você vira um preguiçoso da leitura e um especialista em concisão e memes. E, por fim, vem o revolucionário Instagram, para tornar tudo imagens, quase nada de textos.

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A velha mídia capitaneada pela Globo, Veja e a Jovem Pan já havia feito o papel de gerar máximas ligadas à corrupção, com eficácia, sobre o PT desde ao menos 2005 e o início do “suposto Mensalão”, passando por seu julgamento em 2012 e a Lava-Jato em 2014; máximas moralistas, desde ao menos a campanha de Serra em 2010, máximas do PT e das esquerdas incompetentes desde sempre.

Com a contaminação da opinião pública e a capacidade de gerar toda esta quantidade de mensagens instantâneas de fake News associada da tecnologia dos robôs e dos algoritmos direcionando a cada pessoa as mensagens que lhe podem capturar pelo conteúdo, puderam alimentar as emoções pessoais, individualizando-as.

Então, se o comunismo, o kit gay, a ideologização da sociedade, o aborto são coisas defendidas por petistas e esquerdistas, se o PT quebrou o Brasil, se o PT é corrupto, se a esquerda quer acabar com a família tradicional eu só preciso reforçar essas ideias via ZAP, chegando ao emocional de cada pessoa susceptível ao conteúdo, a se deixar levar por ele, eu só preciso invadir sua mente e repetir milhares de vezes a mesma coisa, sem tréguas, sem tempo de raciocínio, só o tempo de fixação de uma mentira, que contada infinitas vezes, se torna verdade e fica sendo repetida a cada mensagem instantânea do ZAP para lembrar-se do que pode ser esquecido. E mensagens distintas são levadas para públicos distintos, não precisa ser as mesmas para o moralista e o revoltado com a corrupção no país. 

O Prefeito que disse que o filho do Lula é dono da Friboi, o Jornal que publica a ficha falsa da Dilma e o Jornalista que diz que ela foi assaltante de bancos e foi terrorista, o jornalismo que publica que o PT é o “partido mais corrupto do mundo”, são fontes revestidas de “autoridades”, fake news que já viralizavam pela velha mídia, transformadas em milhões de memes a serem compartilhados aos borbotões via ZAP e demais redes sociais, e que, com a opinião pública contaminada e credora delas pode ser manipulada até o extremo caminhando para os mais ilógicos memes como a mamadeira erótica do Haddad, pois, quem acredita no filho do Lula dono da Friboi acredita em tudo, está com a mente contaminada, já é parceiro do ódio ao PT, às esquerdas e inimigo do “comunismo”.

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A velha corrente de e-mail do Serra e seu Guru indiano na campanha de 2010 se transformou na imediata corrente de fake News, onde, você nem precisa acessar sua conta, ela chega de imediato para você, aos milhares, e você aceita ou não o conteúdo. Como ele vem chancelado por parentes, amigos, por “fontes seguras” em grupos do ZAP que você participa, é só correr para o abraço dos afogados. E milhões se abraçaram, e quando acordam do transe emocional, descobrem que foram enganados mais uma vez…

E esse processo é interessante, porque o autoengano cresce próximo da Eleição e decresce ao término dela.

O fenômeno dos entendedores de Política nas semanas que antecedem um pleito, e que depois só voltam a falar de Política alguns dias antes da próxima Eleição é sintomático, bastam memes, notícias fakes de última hora, para a pessoa se considerar expert nos assuntos Brasil, Economia, Sociedade e Política e você nem tem como argumentar, mesmo que você seja o maior intelectual do mundo nesses assuntos elencados. O ódio fica e as esquerdas estigmatizadas não tem como escapar da associação ao “Mal” por parcelas inteiras da sociedade.

Podemos até arriscar a dizer que as pessoas têm suas mentes dominadas por memes do ZAP, o Sistema dispara esses memes e a opinião pública adentra na discussão deles. No período eleitoral, próximo da Eleição, memes políticos, memes eleitorais disparam o interesse enviesado de milhões por Política, passa a Eleição, paulatinamente se fecha a cortina eleitoral, o assunto mingua, ainda mais com a vitória da extrema-direita e a sua ligação umbilical com o Sistema, ou seja, com o mercado, o Grande Capital transnacional, os EUA de Trump e Steve Bannon, o estrategista da candidatura vitoriosa nos EUA e no Brasil.

Hoje, o ZAP e as redes sociais selecionam as pautas eleitorais, a discussão eleitoral na sociedade, nesta foi a pauta moralista/religiosa/conservadora, a pauta da corrupção do PT e do PT quebrou o Brasil. Projeto de Brasil, emprego, salário mínimo, Saúde, Educação etc. ficaram esquecidos.

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Capitalizaram os memes, positivamente, pró-candidatura vencedora três pautas: combate à corrupção, Segurança e pautas moralistas associando o candidato adversário à promiscuidade, incesto, pedofilia, valores imorais contrários à família etc. negativando o adversário nestas pautas.

E passa a Eleição e constatamos o monte de eleitor na extrema-direita arrependido, tentando argumentar com quem foi eleito, que não foi pra isso que eu votei no Senhor… É o transe mental diluído com a diminuição dos memes eleitorais.  

O ódio ao PT e as ilógicas associações que fazem ao partido, para não votarem nele nasceram no noticiário da velha mídia capitaneada pela Globo, Veja e Jovem Pan, no Judiciário parcial, na Luta de Classes e adentraram nas redes sociais chegando ao seu ápice no ZAP, onde, não mais há diversidade de pensamentos, onde as pessoas interagem apenas com os iguais e, onde, a preguiça mental e a não-reflexão e leitura de textos curtos e sem fonte, muitas das vezes, comandam mentes e rebanhos inteiros, prontos para acreditar e compartilhar e se auto-enganar e votar contra si mesmos, aceitando a destruição do Brasil, da sua economia, da CLT, da Previdência, aceitando a destruição de sua Engenharia e Ciência & Tecnologia e a venda, sem critérios e à preço de banana, dos recursos naturais do país, para o estrangeiro, em especial o Pré-Sal e seu valor estimado em 20 trilhões de dólares etc.

Sobra a pergunta: por que o Nordeste e parte do Norte do país se viram libertos de acreditar nas fake news?

Teria uma explicação no fato de antes da criação das fake news pela mídia hegemônica e aprofundadas pelo ZAP e demais redes sociais nessas duas regiões houve/há um mínimo de pluralidade midiática, de contraditório? E a realidade transformadora dos tempos da esquerda no Poder ser visual, pela imensa desigualdade e falta de investimentos estatais nessas regiões antes da chegada do PT ao Poder?

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9 comentários

  1. Um fenômeno interessante de

    Um fenômeno interessante de fato. Durante quase quatro anos, as pessoas do senso comum não lêem nada sobre política, não falam nada sobre política. É um não assunto.

    Faltando algumas semanas para o pleito presidencial viram experts. Falam sobre política economica, social, programas e projetos de governo, com uma convicção estarrecedora. Uma avalanche de afirmações sem nenhuma ligação lógica com a realidade e a história recente do país.

    Horas e horas gastas nos ultimos 4 anos por pesquisadores e interessados em política, economia, políticas públicas, cultura, relações socias, identidade de gênero, comportamento, sexualidade, educação e por aí vai, não tem a menor importância. 

    É um meme, frases curtas, vídeos sensacionalistas vindos sabe-se lá de que fonte, compartilhada por colegas de repartição, cunhados, e parceiros de pelada, que vai formar a opinião de uma massa de cidadãos. E uma opinião com uma certeza de si mesma que deixa o interlocutor sem fala. Uma coisa estarrecedora

     

  2. NA VERDADE É PRECISO ACABAR COM ESSA DESGRAÇA

    O MUNDO SE IMBECILIZOU A TAL PONTO QUE O ÚNICO JEITO DE ESSAS MILHÕES DE PESSOAS NOS DAREM OUVIDOS QUANDO TENTAMOS LHES DIZER ALGO, O ÚNICO JEITO É TOMAR DA MÃO DELAS O MALDITO APARELHO IMBECILIZANTE, JOGAR NO CHÃO COM TODA A FORÇA, DE PREFERÊNCIA SAPATEAR EM CIMA E DAR UM MURRO NA CARA DO IMBECIL QUE TENTAVA LER AQUELAS MERDAS TODAS QUE LHE PASSAM.    POIS AS EMPRESAS QUE BOTARAM ESSA MALDIÇÃO NO MERCADO NUNCA VÃO TIRÁ-LA, AS AUTORIDADES QUE TERIAM O DEVER DE ZELAR PARA QUE ESSA IMBECILIZAÇÃO NÃO ACONTECESSE NÃO ZELAM NADA….ENTÃO, TEMOS QUE ADMITIR QUE O JOGO É SUJO MESMO, AS ELEIÇÕES SÃO E SERÃO RESOLVIDAS POR ESSAS MALDITAS GERINGONÇAS EMBURRECEDORAS….MAS, INFELIZMENTE NÃO PODEMOS QUEBRAR AS GERINGONÇAS, NEM PODEMOS ESMURRAR OS IMBECIS.         ENTÃO, CONTENTEMO-NOS EM DESEJAR QUE TODOS ESSES MALDITOS GANHEM UM CÂNCER NO OLHO DE CADA UM E UM CÂNCER NO OUVIDO DE CADA UM PARA QUE NÃO POSSAM VER NEM OUVIR AS IMBECILIDADES QUE IMPREGNAM EM SUAS CABEÇAS VAZIAS.       ENFIM, A HUMANIDADE TEM 99% DE IDIOTAS MAIS 0,9% DE IMBECÍS……E OS 0,01% RESTANTES QUE SOMO NÓS, DOIDOS PRA ESMURRAR A CARA DE CADA IMBECIL, DAR UM TIRO NO MEIO DA TESTA DE CADA IDIOTA E PONTO FINAL……….MALDITOS!

  3. Ótima análise
     Esse texto é de uma realidade retumbante. A ironia é que, mesmo sendo tão claro, direto e incontestável, ele próprio não conseguiria penetrar bolha alguma, tamanho o estrago da contaminação de mentes.  

  4. Alexandre, essa sua série de
    Alexandre, essa sua série de textos sobre a eleição está primorosa, amigo. Dos vários pontos que você aborda, o mais óbvia me parece a mais grave no quesito manipulação das multidões praticamente indefesas diante da omissão criminosa do TSE e STF: o fato do zap, enquanto ferramenta, ve[iculo, unir pessoas já impulsionadas àquela pauta básica (família, corrupção, moralidade…..), portanto, SEM O CONTRADITÓRIO ESTAR PRESENTE…. Pior! Nem mesmo entre eles, porque como a coisa vem em forma de enxurrada, o sujeito sequer yem tempo – ou disposição – para questionar seus pares, porque qdo ele ainda nem assimilou o meme um, o dois, o três e o quatro já estão em sua telinha (cérebro…..) diluindo toda e qualquer capacidade crítica daquele indivíduo….

    Isso é selvagem, é maligno! É uma fábrica de robôs fanáticos…. Praticamente nenhum adversário poderia derrotar tal sistema. No Brasil, apenas Lula teria tido e sse poder, eu penso.

    Deixo aqui para você um link de um texto que reputo um dos melhores que já li na vida, do juiz do TJ-RJ e professor Rubens Casara. Vai se somar às tuas compreensões desse tempo insano.

    Abraço!!!!

    https://revistacult.uol.com.br/home/o-avesso-da-democracia/#comment-98766

    • mesmo que fosse LULA no segundo turno contra Bolsonaro

      a maquina de zapzap e fakenews  venceria, porque é uma coisa gigantesca e quase invisivel…

      só foi descoberta devido algumas bizarrices ocorridas em Minas e no Rio, não fosse isto passaria despercebida…

      a máquina montada pela turma do Bolsonaro e PSL é extremamente poderosa, dá a ele um alcance e audiencia MAIOR que TODA a midia tradicional JUNTA…

      simplesmete nao tem como competir com este poder. Simples assim.

      é preciso aprofundar as investigacoes e estudos sobres esta maquina para sabermos mais. 

      Não é a toa esta briga que o Bolsonaro esta fazendo contra a Folha:  aquela reportagem que denuncia a máquina de envio em massa via whatsapp, se for mesmo investigada, tem o poder de acabar com o Bolsonaro e praticamente com todos os eleitos pelo PSL.

      é por isso que ele está batendo tanto na Folha.

       

       

       

      • Nunca saberemos se Lula teria

        Nunca saberemos se Lula teria vencido, mas particularmente creio que sim……   Para muitos eleitores pobres, não há diferença alguma ideológica no seu voto….. Votam NA PESSOA QUE LHES INSPIRA CONFIANÇA…..  A saída de Lula, nesse aspecto criou um vácuo, quem o ocupou foi Bolsonaro, ao menos em parte do eleitorado das classes C, D e E…..   Quem votava em Haddad ou Ciro por ideologia, seguiu com Haddad no segundo turno.  Mas nem haddad e nem Ciro t~em o carisma único de Lula. 

        QAuanto ao Fake News, concordo, tem uma importância absoluta, hoje, na política, principalmente depois do evento “Steve Bannon”, nos EUA e no Brasil.   Há de ser estudado profundamente, tantos os fatores aí envolvidos – leis, controle, punições aos abusos, etc., etc..

        Mas nossa Justiça nada fará a respeito em relação à vitória de Bolsonaro.   A questão da guerra da Folha com o presidente eleito está em aberto, não consigo prever o que ocorrerá.

        Abraço!!!

    • Edu! Instigado por seu comentário fiz este texto.

      Como se deu a vitória da extrema-direita no Brasil (antecedentes dos memes).

      Uma aventura pelas palavras para se chegar a um ensaio particular do ocorrido.

      Devemos lembrar que existem etapas anteriores as fake news tornadas verdades sem nenhum questionamento.

      Este processo das fake news cridas como verdadeiras sem nenhum questionamento é fruto de anos, de décadas de uma mídia hegemônica unidirecional pró-Sistema e que nos legou a “desinformação pela seletividade do bem e do mal coletiva” – a incansável defesa do Capital e destruição da imagem dos defensores dos pobres, dos trabalhadores, da Democracia plena e dos Direitos Humanos.

      Depois, nesta maluquice de radicalizar na dose do bem e do mal, porque o PT não largou do Poder, surgiu a categoria, para além da dicotomia do bem e do mal, a categoria do amigo e do inimigo e que fabricou o “ódio seletivo coletivo” – etapas de fortalecimento desta categoria: Julgamento do Mensalão, Jornadas e Junho e Lava-Jato/Impeachment – por um tempo, até todos serem colocados no mesmo balaio do descrédito: Política, mídia e Judiciário, quando se descobriu que não é só no PT que existem corruptos, que não só o PT é “incompetente” e Temer & sua camarilha escancarou isto, descobriu-se que a mídia omite estas informações e que o Judiciário acoberta a corrupção para além do PT.

      A tristeza de hoje é porque a ignorância coletiva não nasceu nos memes, a extrema-direita não venceu por causa dos memes, estes são possíveis no desembocar de um processo histórico de produção desta ignorância coletiva, ela venceu, penso eu, em um longo processo de anos, décadas, onde tudo o que se fez e faz pelos pobres é “comunismo”, onde, uma pessoa entra para a carreira militar acreditando que ainda estamos ameaçados de o PT implementar o “Comunismo”, seja lá o que signifique esse tal de “Comunismo”, de que Dilma roubou (a pessoa mais honesta que já existiu na Política brasileira ocupando um cargo TOP) etc.

      Tudo desembocou neste lugar, mas foi mais radical o estrago social, porque a seletividade midiática adentrou na seletividade do Judiciário, e na dobradinha Globo e Lava-Jato, da “demonização” do PT e blindagem do PSDB.

      Descoberta a farsa a mídia e o Judiciário perderam o protagonismo na opinião pública, esta, se viu enganada, afinal, o PSDB foi, aos poucos, desmascarado, foi aos poucos (des)blindado por um pequeno contingente do Judiciário, alguns magistrados sérios outros a procura de protagonismo e uma Internet ávida, aqui estivemos nós, por desmascarar a mídia hegemônica e o Judiciário e suas seletividades. E o PSDB, sejamos sinceros, é o partido das “grandes corrupções” pelo que se sabe hoje e das contas gigantes em paraísos fiscais.

      Havendo pequenos notáveis e gente em busca de protagonismo no Judiciário, capazes de pequenos gestos de isonomia deu no que deu, se abriu espaço para a descrença total na classe Política do Executivo e Legislativo, depois a descrença na mídia hegemônica que dizia que só o PT “rouba” e, por fim, no Judiciário midiático, tendo Moro e o STF, ao buscarem salvar apenas o PSDB, contribuído para a descrença neste último, ajuntado do auxílio moradia e penduricalhos a mais que eles não abrem mão e, ainda, fazem paralisação para mantê-los.

      Deste apartamento entre instituições e opinião pública ficou aberto o caminho para a Internet reinar absoluta, a procura da informação se deu ali e sem intermédio imediato das mídias mais conhecidas do mundo político: Globo, Folha e Estadão. Jovem Pan e assemelhados no Youtube, Antagonista, MBL e assemelhados como portais de notícia e de memes ocuparam espaços, nós ocupamos espaços com o GGN, DCM, Brasil 247 etc., só que a Direita ocupou espaços de forma mais eficaz, aliando a ignorância coletiva de décadas, o medo coletivo do “inimigo interno e externo” e o ódio a tudo e a todos, a revolta ao Sistema, a didática dos desinformados pós o descrédito nas instituições e mídia e se deu melhor, venceu a nós, que buscamos a didática da informação e buscamos a racionalidade dentro da blogosfera progressista, querendo separar o joio do trigo.

      O meme é o final do ciclo, precisa radicalizar a ignorância e a revolta para existir, vem de antes, mas em 2018 estava pronto para vencer. A revolta social é contra todos. Uns foram para a extrema-direita, outros para a anarquia do nada serve, do não tem jeito, do contra tudo o que está ai e outros mantiveram a razão intacta, aqui perdemos, para a extrema-direita.

      Em tempos que a revolta, o ódio, a descrença nas instituições e a irracionalidade estão maiores que o diálogo, o raciocínio e a razão o caminho curto da extrema-direita levou e levará vantagem.

      A Internet via smartphone, como sabemos, é o instantâneo, é o curto, é o direto, sem meandros, sem tergiversar por explicações, ainda mais em tempos de fechamento da razão, de cerrar os olhos ao sujeito que diz algo que possa balançar nossas convicções, a nossa verdade-revolta, porque enxergamos o “Sistema” apodrecido, porque alguém de dentro do “Sistema” é defendido.

      O eleitor deu de ombros para as instituições em 2018. A Eleição foi decidida pela lógica de um raciocínio fechado, sem mediação do diálogo, do ouvir e da possibilidade de estar errado. Foi tudo fabricado de antemão e veio pronto para o disparo do meme, para o crescimento da extrema-direita, porque ela faz o meme direto e não o texto didático, já não mais cabível, porque eu já formei minha opinião, já sei quais as possibilidades, as 3 possíveis: mudar, abandonar tudo, manter a razão.

      A extrema-direita navegou sozinha na “mudança” e venceu com o Capital a circundar o processo eleitoral e se decidir por adentrar na sua campanha, afinal, a direita tradicional virou descrédito. Tristemente, Haddad foi visto como continuidade e não como mudança para muitos.

      E eu já sou contrário ao “a tudo o que está ai”, argumentar, ler os que advogam em favor do que está ai? Ainda mais pelo celular e sua tela pequena, ainda mais para ouvir a defesa dos que foram colocados no mesmo balaio da “corrupção” e “incompetência administrativa”? O que sobrou foi a independência absoluta, a total volta para si mesmo e os seus iguais. Sobrou a Revolta antissistema.

      Todo ódio das mentiras do Impeachment canalizaram para dentro de um mundo ficcional, onde o ZAP trazia a revolta desenhada, eu não estou tendo sequer um emprego decente, eu ganho 1, 2, 3, 10, 15 mil pago impostos e algum político, algum empresário, doleiro “rouba bilhões”. E se associou, ainda, combate à violência de forma rústica: “bandido bom é bandido morto” e moralismos e pauta religiosa, como instrumentos da vitória, para uma população ávida por ordem, por moralidade, mesmo que fictícia no mundo particular, por destruir o Sistema e a sua moral e com parcelas inteiras de conservadorismo cristão.  

      Quando se formou as bolhas identitárias da descrença nos poderes estabelecidos, as instituições e a mídia passaram a falar para as paredes e quem melhor utilizou a Internet venceu.

      Anarquizamos a Sociedade e o discurso mais anárquico e fora da lógica racional e aplicabilidade venceu.

      Se observarmos MBL, Antagonista e Jovem Pan têm identidades próximas de discurso ao candidato vencedor, nos atos deles desde o pré-impeachment, não é verdade?

      Abraço, Alexandre!

      • Concordo totalmente com a

        Concordo totalmente com a base central de seu texto, Alexandre.  Os memes do zap foram a ponta da lança, o final do jogo, a conclusão social de um processo iniciado há mais de uma década, e que foi aumentando o tom acusatório contra o PT e, na verdade, contra a esquerda em geral….   Pior: além dademonização do PT, veio a onda avassaladora fundamentalista e conservadora da “salvação da família brasileira” contra os “petralhas e os seus kits gays”…. – ou seja, além de corruptos, devassos, uma gente nojenta, sem moral alguma…..”  – ora, como votar “nessa gente”?

        E agora? Como DESCONSTRUIR esses símbolos nas cabeças das pessoas?  Como mostrar que Lula é inocente e um preso político? Como limpar dos coração o NOJO que sentem do PT? Como fazê-los enxergar que se houve erros, houve muito mais acertos, se eles já tinham o domínio da mídia tradicional e agora têm o domínio do zap….?  Nossa frente no front resume-se ao Face – onde ainda há um resquício de debate, mas muito pobre, só estabelecido mesmo “entre nós”, não entre “nós e eles…”, até porque, eles não quertem o debate, diante da absoluta convicção de já possuírem “a verdade”……

        Será que o desastre que virá será o suficiente para reverter esse quadro de fanatismo?

        Tantas perguntas, tão poucas respostas, não?

        Por isso refletimos tanto!

        Abraço, amigo!!!!!

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