Sobre o “o-que-tem-de-ser-tem-muita-força”, de Lula, Moro e a História, por Eduardo Ramos

Sobre o “o-que-tem-de-ser-tem-muita-força”, de Lula, Moro e a História

por Eduardo Ramos

Uma das mais belas e fortes frases da literatura nacional certamente é a famosa sentença de Guimarães Rosa em um trecho de “Grande Sertão: Veredas”: “O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme.”

E como nos sentimos aliviados, felizes, quando esse “o que tem de ser…” se refere a um evento justo, à correção de ações torpes que roubaram direitos de um ser humano – porque todo o nosso ser (nas pessoas normais, éticas e justas…) está programado para ser, pensar e sentir dessa forma. Não a toa, todos os países com alto índice de felicidade do seu povo trazem no topo da lista dos motivos a confiança nos governos e nas instituições daqueles países. O ser humano precisa de um “chão seguro para caminhar, existir”, nas relações humanas, profissionais e em relação à sensação de CIDADANIA. Quando se corroem a justiça e as ações das instituições, o que era para ser “chão” vira areia movediça, “aquilo que era para ser”, já não é, deixa de ser, nossas convicções vão embora, a sensação de segurança no país vai embora, e uma sensação horrenda de perplexidade, medos diversos e insegurança – além da impotência… – domina todo o nosso ser.

Todas essas sensações negativas descritas acima, passaram a fazer parte das mentes e corações dos brasileiros lúcidos a partir de 2014, quando a Lava Jato, comandada por Sérgio Moro, passou a determinar praticamente tudo no Brasil: a agenda (éramos reféns dos fatos novos a cada dia – a nação era tangida por Moro e os procuradores, além da grande mídia…), a noção do que era e de quem eram os corruptos do país (Moro e a mídia apontavam a dedo, empresas, “mal feitos”, silenciavam sobre os amigos e jogavam os inimigos aos leões…), o Direito (Moro destruiu, quebrou, ignorou todas as leis que bem quis, a hora que quis, diante de uma sociedade patética que o celebrava) e o nosso futuro (quando deflagrou o movimento de impeachment e deixou claro que o alvo final era a prisão de Lula).

Uma sociedade tomada de histeria e paroxismos a tudo aplaudia, o “SATANÁS DO BRASIL” era finalmente derrotado pelo grande herói, a “anta” estava deposta, o “Nine”, como Moro o chamava, logo estaria na cadeia, o “líder da quadrilha petralha”, e uma classe média insossa, tosca, rasa, que na verdade nunca se interessou por política, realizava suas catarses de fanatismo, nojo e ódio, aos pés do grande justiceiro da nação… – um clímax tétrico de enfermidades sociais que logo levaria o país a abismos ainda mais profundos e trágicos.

É aí que encaixamos a maravilhosa sentença de Guimarães Rosa! A verdade, é que NADA DISSO FAZIA PARTE DA ORDEM DAS COISAS JUSTAS E VERDADEIRAS! Nada disso pertencia ao “o que tem de ser”, era preciso que novos eventos corrigissem tanta injustiça, tanta farsa, tantos enganos sobre esses dois homens, Lula e Moro. A beleza da sentença de Guimarães é que, mais cedo ou mais tarde, ela se cumpre, ela busca a verdade e a justiça, ela traz de volta aos que amam a verdade, o CHÃO que lhes fora roubado. E é isso que os recentes julgamentos no STF começaram a fazer, ou, para sermos justos, continuaram a fazer, a partir das gravações horripilantes trazidas a público, das conversas dos procuradores entre si e destes com o ex-juiz Sérgio Moro.

São tantas as vulgaridades, as perversidades, os arranjos combinados entre juiz e procuradores, são tantas as demonstrações cabais de que não havia uma prova sequer contra Lula, são tantas as frases (“é pra acertar na cabeça do Lula…”) provando que Lula era UM ALVO, não um investigado comum, que hoje, todas as pessoas minimamente dignas e honestas (aos fanáticos não resta esperança…), hoje, sentem por Moro repulsa e nojo, por tudo o que ele realmente é, sempre foi, mas não pode mais se ocultar sob a capa de “herói”…. O “o que tem de ser tem muita força” que coube a Moro, e cada vez mais vestirá seu rosto, seu corpo, seu nome, sua biografia, é essa LAMA de uma arrogância psicótica, uma perversidade sem fim, o sadismo, a torpeza, característica dos nomes mais sujos da História mundial. Daqui a duzentos anos, seu nome provocará repulsa e desprezo…. Mefistófeles cobra afinal, o preço justo de uma pessoa sem caráter e repulsiva em todos os aspectos, capaz de destruir empresas, empregos, vidas, famílias, o próprio país, por causa de suas ideologias pessoais e seus projetos de poder. Não há força na Terra que lhe tire esse destino amargo.

Lula, ao contrário, APENAS INICIA MAIS UM PERÍODO DE GRANDEZA, não depende do fato de 50% da sociedade ainda considerá-lo “culpado de alguma coisa” (sic…), sempre genérica, os mantras toscos repetidos pelos que o odeiam: “de alguma coisa ele sabia, de alguma coisa ele é culpado…” – como se algum presidente, no Brasil, pudesse ter governado sem a coalizão com os partidos, o que todos fizeram, cientes que alguns nomes indicados praticariam corrupção, o que nesse contexto, não faz de ninguém um corrupto, muito menos aquele que mais fez para aparelhar as instituições para combater essa chaga terrível.

O mundo a essa altura já sabe, todos sabem das gravações, das perseguições, do massacre, lembram e lembrarão de Lula como o estadista que mudou por alguns anos a cara do Brasil, tirou milhões da miséria, levou milhões de pobres às Universidades, tirou o Brasil do mapa da fome pela primeira vez em sua História.

Daqui a 200 anos, ao contrário de Moro, será lembrado como um sonhador, um idealista, o maior estadista de seu tempo, destruído e massacrado pelas oligarquias perversas de seu país e por um ex-juiz corrupto, mentiroso e parcial.

“O que tem de ser tem muita força, uma força ENORME…”

A charge brilhante de Latuff (2016) era profética!

O que tem de ser está finalmente ocorrendo diante dos nossos olhos!

(eduardo ramos)

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