Soldados escravizados por algoritmos? Por que não?, por Fábio de Oliveira Ribeiro

No futuro, a Inteligência Artificial militarizada comandará máquinas de guerra autônomas e unidades de combate humano? Isso é possível, mas o espectro da imprevisibilidade nunca deixará de assombrar a guerra.

Soldados escravizados por algoritmos? Por que não?

por Fábio de Oliveira Ribeiro

O objetivo da escravidão antiga era explorar o trabalho humano suprimindo totalmente a liberdade do escravo alimentado-o apenas o suficiente para ele se reproduzir. O objetivo do trabalho assalariado foi domesticar o trabalhador com uma liberdade aparente e também prepará-lo para servir obedientemente nos exércitos de massa.

Agora a escravidão assume novas formas. Os escravos de algoritmos não sabem quem realmente os explora ou como são explorados. Muitas vezes eles não recebem nada em troca, exceto o vício que os mantém conectados, produzindo cada vez mais dados.

Exércitos massivos disciplinados pelo trabalho assalariado são coisa do passado. Na fase atual, os soldados acostumados a jogar videogames operam drones de guerra semi-autônomos a milhares de quilômetros de distância do teatro de operações.

No futuro, a Inteligência Artificial militarizada comandará máquinas de guerra autônomas e unidades de combate humano? Isso é possível, mas o espectro da imprevisibilidade nunca deixará de assombrar a guerra.

As piores derrotas militares aconteceram por causa de cálculos estúpidos. Os troianos aceitaram o presente dos gregos; os romanos contrataram os bárbaros de Alarico como tropas mercenárias. Napoleão e Hitler subestimaram o inverno russo. Os americanos confiaram nos afegãos.

O uso de IA (Imbecilidade Artificial) também pode ser um tiro que sai pela culatra? A resposta é sim. Em um campo de batalha, tudo é dinâmico e imprevisível. Ações incorretas podem resultar em vantagens estratégicas; seguir um plano nunca produz a certeza de que a vitória acidental do inimigo é impossível.

Um grupo de soldados não entende o comando que recebeu do oficial e compromete o sucesso de seu país. Os exércitos nunca serão totalmente automatizados. Portanto, por melhor que seja uma IA militarizada, seu sucesso na guerra pode ser prejudicado por erro humano.

Em 1983, Stanislav Petrov evitou uma guerra nuclear recusando-se a aceitar que mísseis norte-americanos tivessem sido lançados contra a URSS, apesar da indicação nesse sentido que lhe foi dada por computadores. No futuro, a recorrência do “efeito Pretov” pode impedir o cenário do filme Terminator. Mas se isso não acontecer… melhor nem pensar nessa hipótese.

No Brasil, porém, nós estamos muito longe dessa realidade. Aqui a “inteligência política” dos militares ainda é comprada com dinheiro público https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2020/07/01/interna_politica,1161685/bonificacao-a-militares-das-forcas-armadas-custara-r-26-5-bilhoes.shtml e eles querem apenas combater militantes virtuais desarmados https://theintercept.com/2021/12/07/exercito-treinamento-anti-esquerda-documento/. Quando tiverem que enfrentar uma ameaça externa eles provavelmente preferirão derrubar o presidente genocida como fizeram com Dilma Rousseff? A conferir.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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gonzalez

- 2021-12-08 19:29:39

A propaganda mais bem feita na história é a da inteligência artificial, no final da década de 80 umas empresas de tecnologia fizeram deste termo uma jogada para especulação em bolsa de valores e até hoje pessoas acreditam nessa propaganda, o que chamam de IA, não passa de tomada de decisão feita em probabilidades e estatísticas onde um algoritmo executado em um computador que realiza uma decisão.

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