Sou um bosta, Toffoli é o máximo, por Rui Daher

Claro que a tarde inteira, do 19 de dezembro, desconsiderei a decisão do ministro Marco Aurélio Mello de soltura dos presos com exceções dos não condenados em transitado e julgado. Sabia que sua liminar seria derrubada por recurso da Procuradora Geral da República, Raquel ‘Lata Velha’ Dodge, e confirmada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, José Antônio Dias Toffoli

Só a “Velhinha de Taubaté”, do grande Luís Fernando Veríssimo, para acreditar que eles se preocupavam com os supostos 170 mil que seriam soltos (conforme exagerou a viadagem intelectual da Globo News, depois de vários telefonemas dos Marinho para Toffoli). A mira de todos era apenas impedir a soltura do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva.

Olho para dentro de Marco Aurélio, conforme me conta Ariano Suassuna, e ele pode ter pensado: “Porra! É justo que nem no Natal concedam soltura para Lula passar com seus familiares? Alguém que reconhicidamente melhorou a situação da pobreza brasileira?”

Foder um desafeto cristão no Natal? Primários imbecis.

Pois bem, no momento em que escrevo este texto, William ‘Homer Simpson’ Bonner, em tom grave, acaba de confirmar a anulação do que decidiu Marco Aurélio. Então, vamos a Toffoli.

É o 59º presidente do STF, Supremo Tribunal Federal. Foi para lá em outubro de 2009, indicado por Lula. Oportunisticamente, a isso se credenciou, depois de indicado pelo mesmo Lula a Advogado Geral da União (AGU), entre 2007 e 2009.

O que fez para tanta confiança no seu caráter de justiça? Como estudante, presidiu o Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, e foi defensor da Central Única de Trabalhadores. Entre 1995 e 2000 foi assessor jurídico do PT, na Câmara dos Deputados, e advogado de Lula nas campanhas de 1998, 2002 e 2006. Trabalhou na prefeitura com Marta Suplicy e por dois anos com José Dirceu, ministro da Casa Civil.

Leia também:  As mãos de Lula, que seguram a mão do povo que segura as mãos de Lula, por Fernando Morais

Voltou à advocacia privada, mas Lula e Dilma continuaram a indica-lo ao que desse e viesse. Credibilidade, pois, como feito pelos dois presidentes com vários outros juristas em busca de carreira.

Se está onde está, tudo deve ao presidente preso em Curitiba subjugado por juízas de piso e de merda como Lebbos e Hardt, inefáveis parceiras de Sérgio Moro … e Toffoli se acovarda.

Mas, diria, nada a estranhar. Vivemos numa Federação de Corporações.  Duro foi, durante certo período, anos atrás, ter presenciado seu comportamento à mesa de um restaurante, em Moema, São Paulo, que costumávamos frequentar. Palitava desesperadamente os dentes.

Sempre com ternos bem cortados, camisas e gravatas alinhadas de grife, sentava-se para o almoço com pares igualmente trajados. Reconhecendo sua fisionomia, fazia questão de sentar-me em mesa de onde pudesse observá-lo.  Sou assim, boto reparo, fotografo e concluo. Talvez, 1% disso venha da leitura do poeta português Fernando Pessoa, em todos seus heterônimos (abaixo como Álvaro Campos). 

“Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa

Aquele homem malvestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara

que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;

E  reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha”.

Confirma-se a perseguição. Tentarei, arriscando meu pescoço, evitar a demonologia de Sérgio Moro e sua quadrilha.

Terei assim evitado processos? Se mais for preciso, nego, para mim amizade NÂO é quase simpatia.

https://www.youtube.com/watch?v=Lbi08Ls7c00]

[video:https://www.youtube.com/watch?v=sdgi-Exm7Qs

 

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1 comentário

  1. Hábitos estranhos
     

    Tenho o péssimo hábito de assistir às sessões do Supremo.

    É pontual, mas presente.

    É grátis, a emissora tem boa imagem e a atividade edifica tanto quanto surpreende.

    O que sempre me chamou a atenção, entretanto, foi a atuação de alguns magistrados.

    De Joaquim, turrão, inflexivel e de lógica restrita, não muito considerado por seus pares, a Toffoli,

    que nunca precisou ser ridicularizado.

    Comparativamente sua inferioridade era tão evidente que seus pares apenas coravam de vergonha.

    Alguns, mais condescendentes, como seu padrinho  Gilmar, apenas reforçam a sua auto confiança referindo-se a ele como “especialista em militância e composições políticas”

    Da falta de conhecimento à falta de lógica, é de se duvidar que Dias Toffoli tenha todo esse tempo de experiência como advogado e militante do partido.

    Ele é menos culto que o Lula e bem mais ingrato, sem dúvida.

    Acho que os ternos bem cortados e as gravatas de grife apertam o pescoço desses canalhas.

       

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