Talvez o “Novo Normal” possa ser uma pandemia a cada dois ou três anos, por Rogério Maestri

A grande diferença da Suécia para o Brasil é que lá a política é apregoada por um epidemiologista enquanto aqui é pelo Bolsonaro, mas o resultado será o mesmo.

Talvez o “Novo Normal” possa ser uma pandemia a cada dois ou três anos

por Rogério Maestri

Muitas pessoas falam na situação da vida pós-pandemia do Covid-19 seja algumas mudanças nos comportamentos das pessoas ou de hábitos higiênicos, entretanto tudo isso está baseado que depois da pandemia do Covid-19 ficássemos imunizados e/ou teríamos uma vacina para eliminar definitivamente o Covid-19 da face da Terra, como foi feito com a varíola, com tremendo sucesso em épocas em que os recursos físicos eram muito menores dos que os dias de hoje, entretanto há diversos trabalhos que estão surgindo que chamam atenção que outros membros da família dos Coronavírus, que por exemplo causam resfriados comuns e que na imensa maioria dos casos não evoluem para coisas mais graves, possa ocorrer com o Covid-19.

Só para deixar todos mais nervosos e preocupados, chamo a atenção que a revista Science da American Association for the Advancement of Science ou AAAS, publicou um artigo já revisado por pares, ou seja, que passou por revisão de pessoas que entendem do assunto intitulado: Projecting the transmission dynamics of SARS-CoV-2 through the postpandemic period. Esse artigo é de 14 de abril de 2020 e está aberto ao grande público, é só procurar em DOI: 10.1126/science.abb5793.

O artigo parte da suposição que até que surja um tratamento clínico efetivo para o Covid-19 esse coronavírus pode se comportar como seus primos, os SARS-CoV-1, coronavírus da MERS e dois outros coronavírus humanos, HCoV-OC43 e HCoV-HKU1.

O primeiro dos primos do Covid-19 é altamente letal e, paradoxalmente, mas explicável, devido a sua alta letalidade (~36%) ele ou está limitada a sua expansão ou simplesmente ele poderá ser extinto em breve. Porém os outros primos HCoV-OC43 e HCoV-HKU1 são responsáveis por resfriados (não gripe) e a letalidade é praticamente insignificante. Por outro lado, o Covid-19 que em relação aos seus primos é muito menos letal do que o SARS-CoV-1, tem uma letalidade significativa, como vemos atualmente, mas como atinge principalmente velhos ou pessoas com comorbidades.

O único país que adotou oficialmente a política de deixar as coisas correrem, foi um país que os desavisados chamam de país “social-democrata”, a Suécia. Eles estão deixando o vírus correr livremente e estão fazendo uma limpa nos asilos de velhos. A grande diferença da Suécia para o Brasil é que lá a política é apregoada por um epidemiologista enquanto aqui é pelo Bolsonaro, mas o resultado será o mesmo. Redução do peso da previdência com os velhos pobres (provavelmente os velhos que tinham dinheiro para se manter em casa não foram muito afetados) e não perder muito dinheiro nos negócios.

Mas voltando ao artigo, os norte-americanos da School of Public Health de Boston, já começaram a simular cenários em que o Covid-19 não provoque uma imunidade de longo período para verificar como seriam os próximos surtos de Covid-19.

Eles primeiro fazem algumas digressões sobre a possibilidade de não haver vacina tão breve para o Covid-19 e diversas sucessões de surtos desta doença.

Quem quiser saber como poderá ser o “Novo Normal”, que leiam o artigo da Science.

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