Tempo de luta, por Sergio da Motta e Albuquerque

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Tempo de luta, por Sergio da Motta e Albuquerque

atentado contra a Sinagoga em Pittysburg, Pensilvânia (27/10), perpetrado por um extremista da direita norte-americana, trouxe aos olhos do mundo os novos termos que definem o avanço da extrema-direita pelo mundo: ‘nacionalismo branco’ (“white nationalism”). Onze cidadãos de religião judaica foram mortos. O nacionalismo branco não é nazismo ou fascismo. Não pressupõe o mesmo controle sobre as grandes organizações sindicais, como faziam os regimes de Hitler e Mussolini. Em comum, todos esses movimentos têm o racismo.

Donald Trump, para  espanto de grande parte da imprensa e público americano, declarou-se “nacionalista”. O que o exclui do mundo neoliberal. Agora, as comunidades judaicas exigem que ele denuncie o “nacionalismo branco”, um tipo de doutrina fanática da direita assassina, que prega um nativismo belicoso. O extermínio dos “diferentes” e indesejáveis.

A imprensa ianque culpa a retórica de Trump pelos crimes de ódio nos Estados Unidos. O “Donald”, responde responsabilizando Hollywood, a imprensa e as “fake-news” pelo ódio e divisão nos Estado Unidos.. Diante dos repetidos ataques com armas de fogo praticados nas escolas norte-americanas por estudantes vítimas do ódio, ele propõe a resposta armada dos professores. Sua proposta deveria ser entendida, condenada e punida como administração irresponsável e criminosa. Ela expõe jovens e crianças a perigo de morte. Trump é um relapso. Ele repete os mesmos erros uma e outra vez. E tem a intenção de continuar a fazê-lo.

Aqui no Brasil, restam algumas considerações a fazer sobre o recente avanço da extrema-direita entre nós. Se nos Estados Unidos existe o “nacionalismo branco”, como se chama a nossa versão da extrema-direita nacionalista? Nacionalismo mestiço tupiniquim? Nativismo feito de ódio? Populações mais mestiçadas podem ser tão ou mais racistas que as mais homogêneas. Lembrem o Antigo Egito, com aquelas representações dos africanos da Núbia (hoje Sudão) – ajoelhados e atados pelo pescoço – escravizados pelos mestiços mais claros do Norte.

Leia também:  Jamil Chade: Apenas ditadores como Saddam Hussein ou Gaddafi nomearam parentes na diplomacia

Serão os membros da nova extrema-direita brasileira aceitos na comunidade internacional dos supremacistas brancos? Como será, se acontecer, a relação entre esses grupos? Enfrentamento? Dominação? Subordinação complementar?

A curiosidade e a ansiedade são grandes. Mas não há tempo para especulações, estupores, espantos ou fraqueza. Nem o merecido descanso, depois de tanto sofrimento nesta luta que agora, para muitos, parece inútil. Não é verdade. Há uma fera que anda solta no planeta, e a cena que se apresenta como futuro próximo assinala necessidade de luta. Não entender esta urgência significa pôr em risco a própria vida.

 

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4 comentários

  1. OS NÚBIOS JÁ FORAM OS FARAÓS…..

    Entre tantas coisas, é por isto que a Maior Nação do Hemifério Sul, uma das maiores do Mundo, finalmente deve voltar ao seu Protagonismo, a Vanguarda que teve até os anos de 1930. Comandando toda a região que espera por um passo grandioso de prosperidade dado por um gigantesco comando. Isto não se deu quando por um Golpe Fascista Civil-Militar Esquerdopata nos rebaixamos à condição de pequeno país da América Latina. Deixamos tanto esta América Latina, quanto toda a Africa e boa parte da Asia, sem uma Liderança Forte. Liderança que mostraria, sem o preconceito racial das nações do norte, que Faraós e Pirâmides fazem parte das Nações Negras da África. Os Escravos já foram Reis. Mesmo os Egipcios e grande parte do Romanos tinham a pele muito morena, ao invés de ‘loiros de olhos azuis’ que filmes hollywoodianos retratam. Aumentando assim a cultura do racismo ( muito antes de Trump). Seria revelado também outra Fabulosa Nação e Cultura Negra que foi o Reino da Etiópia, vergonhosamente omitido pelos livros e estudos eurocêntricos. Mas para isto precisamos ser cabça ( e pensar) e não ser o rabo. NON DUCOR DUCO. Quem sabe finalmente, depois de 88 anos de escuridão.     

  2. Algumas observações, caro

    Algumas observações, caro Sergio:

    – Ser nacionalista não exclui a pessoa do neoliberalismo. Globalização da economia é um engodo. Se e conomia fosse realmente globalizada porque é que apenas um país, uma nação, emite e controla a moeda pretensamente global?

    – Sim, a maior parte da responsabilidade (senão toda ela) pela instauração do caos se deve às empresas privadas que produzem filmes e notícias. Trump apenas nega a paternidade de Mateus mas é claro que o entretenimento ficcional ou noticioso é o exército dos que detém o poder econômico privado.

    – Tanto nos EUA quanto no Brasil, na Grécia, na Suécia e, sei lá, na Eritreia… no mundo que se submete ao dólar a questão é exatamente a mesma: as pessoas que têm poder sobre o dólar estão trabalhando para que esse poder não se distribua.

    Essa é, em suas acertadas palavra, a fera solta no planeta. Porém esse fera não será morta por ataques contra ela. Atacá-la apenas a fortalece. O único jeito de matar a fera é desprezá-la, encontrar, inventar alternativas a ela. O grande temor da fera é perder seguidores. A fera sabe que só mantem a liderança porque há quem aceite – ou até necessite – ser liderado. Assim lutar para se apropriar do dólar apenas o fortalece. Quer matá-lo (antes que ele o mate)? Despreze-o. Diminua a importância que você dá a ele. É uma luta, sem dúvida, é a mais difícil das lutas, a luta interna pela liberdade, soberania e autonomia, a luta por assenhorar-se de si mesmo. Consciência.
     

  3. E quem pariu Trump ???
    A imprensa e Hollywood também devem colocar suas carapuças, tanto lá quanto cá. A violência não veio depois de Trump, pelo contrário ela é que gerou Trump. A besta está solta no mundo e quem a soltou, por dinheiro e por interesses políticos, não pode agora querer posar de santo.

  4. Texto para postagem
    Sérgio, veja se é útil, ou não!

    Temos algo a dizer sobre alguma coisa?

    por Kuarup

    Para todos os lados que você olhar, ou apontar os seus dispositivos, lá estará A Crise, essa substância conformadora que sintetiza a vida do país. A própria psique nacional parece só existir nas determinações e coordenadas em que opera Isto, A Crise.

    A Crise é mais que uma condição, é o evento verdade de cada brasileiro, o seu ser próprio. É a instância do que restou de comum nessa nodosa substância a que chamamos, por ausência de outro nome, de sociedade brasileira.

    Ela está nas conversas de boteco, povoam a mesa na hora do almoço, é pretexto para conversas no busão, e, também motivo de “debates” nucleares entre os moradores deste vasto território. Ninguém escapa, é uma tatuagem da subjetividade brasileira, mais até que o imaginário do futebol.

    São nessas linhas de força que os fenômenos que dão materialidade a crise se movem, serpenteiam, adentrando cada cômodo do “ser nacional”, e é a isso que o gelatinoso espectro político do Brasil chama pelo nome de “conjuntura nacional”.

    Eles querem nossa atenção para a “conjuntura nacional”, não nos querem mirando outras coisas que não a “conjuntura”. A procissão de temas, as “problemáticas”, o viscoso noticiário da noite fechando o dia para que precários e a classe dominante finalmente possam dormir em paz.

    Por outro lado, é no WhatsApp, esse “sheet tube” genuinamente brasileiro, o coração trevoso das narrativas que efetivamente configuram a cotidianidade nossa. É por aqui que as Fakes Farms verdadeiramente povoam e administram o sujeito brasileiro, esse walking dead tropicalizado.

    Numa vida de feeds e stories, o país vive o ritmo da exploração movida a fibra ótica, sob a condição predominante imposta pela casa grande e os feitores do canavial.

    O cotidiano é um hackeamento diário, estão todos os sujeitos em cena. Da extrema esquerda aos partidários fascistas da limpeza social, ninguém se ausenta a esse banquete diário. Todos vão a essa praça central onde humanos e bots circulam avidamente em busca da última versão da existência. Também passam aí os aplicativos, as ferramentas que configuram as disputas das “narrativas”.

    Nessas praias ensolaradas pelos algoritmos, é indistinguível a gritaria do anarquista identitário do bolsomito que clama por sangue, visto que o multiverso digital está projetado justamente para distrair a todos daquilo que poderia ainda importar.

    Até mesmo àqueles que labutam pela insurreição e defendem com paixão um mundo emancipado da exploração, vivem suas próprias versões, sempre com upgrades, daquilo que podemos chamar pelo nome de Procrastinação Revolucionária. Também nós formamos nosso próprio “eu meme”.

    Se a vida, com sua pouca couraça de realidade já parecia opaca, agora tudo flui para o grande oceano de Metadados, um mar de sujeitos esquálidos, vampirizados por incontáveis exércitos de bots.

    O mundo é esse biopoder de algoritmos rasgando a crosta da existência humana. A tudo isso temos o privilégio de ser o primeiro país onde a política apaga sua fraca luz e cede lugar aos perfis, mensagens, likes e TTs. Ainda seremos estudados!

    Não é que só exista o virtual, a rede, não é que a rua, lugar por excelência de contrapoder, não mais exista, é pela simples falta de ocupantes que ela está vazia de incêndios, permanecendo por ora uma hipótese em aberto.

    O grosso da “militância de esquerda” segue tomando Red Bull diante das telinhas, teclando em seus perfis, pedindo fast food em “intenso ativismo digital”. A Esquerda no Brasil é analista e analisando de seus próprios bullyings diários, micro maldades semanais entre indivíduos e coletivos de variados contornos.

    Agora, com a esfera pública entregue à decapitação, os terrenos baldios não param de crescer. Em escala nacional a vibe dominante é o exclusivo gozo narcísico, alcança todas a matizes ideológicas.

    A chamada institucionalidade, outrora portadora do “estado de direito democrático” que adveio da constituinte de 88, é agora um lugar de pura jagunçagem política, sem regras, o aparato jurídico é um exemplo de gangsterismo elevado ao extremo com requinte e arte. Nada difere seus membros e operadores de assassinos de aluguel: Juízes e ministros do supremo, promotores, bancas de advogados, todos estão atarefados em seus crimes e impunidades diárias. Isto para o deleite dos milhões de espectadores desse reality show de alta voltagem.

    Os escombros desse país aí já estavam, cada centímetro de demolição, cada pedaço de chão manchado por sangue e exploração selvagem. As escaramuças das sociabilidades tóxicas diárias, a subida do BOPE no morro, a bala perdida, o dinheiro na cueca, a cocaína no helicóptero, a novela das oito, a “pacificação” levada a cabo pela PM, o bullying convertido em vibrador universal de cada brasileiro. O que falta acrescentar? Indígenas e quilombolas acossados pela pistolagem, agora um delivery, as áreas naturais sob rapinagem imobiliária, o fim do serviço público, a privatização do SUS. Vamos parar por aqui que a tinta é pouca!

    Não faltam receitas para sairmos do beco sem saída. No terreno anarquista-libertário sobram argumentos sobre “unidade nas lutas”, vagas promessas, etc. As vontades são esquálidas, as disposições para o comum beiram a inanição, tal sua palidez. A Procrastinação Revolucionária é um osso duro de roer, impede não apenas encontros e cumplicidades, como alimenta rancores e asperezas.

    Dizem por aí, ouvi falar, que nada nasce sem que o reino da necessidade entre em cena. Receio termos faltado a alguns encontros.

    Estamos condenados às bolhas, a não mais nos encontrarmos, a nada tramarmos, viveremos em loop infinito consumindo o pão diário que o Google, Facebook e Instagram nos oferece?

    Teremos nós, no coração de nossa matéria, alguma substância que nos permita construir caminhos da revolta?

    Ainda temos capacidade de aprendizagem, de mirar as lutas de tantas povos e camaradas em tantos lugares deste planeta, suas táticas e organizações, suas muitas formas e relevos?

    Nós, anticapitalistas, ainda temos um futuro, algo a dizer ou a instituir?

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