Últimos dias de batalha?, por Rui Daher

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Últimos dias de batalha?, por Rui Daher

Antes dizer que ontem, 15/10, compareci a um dos funerais mais tristes entre os de passado recente. Foi em São Bernardo do Campo, no Cemitério de Vila Euclides, de uma moça amiga, linda, sempre sorridente e vencedora em todas as batalhas que enfrentou em vida de pouco mais de cinquenta anos, período em que se transformou em executiva de uma das mais importantes empresas tecnológicas do planeta. Acorreram multidões de amigos, flores, orações e bênçãos.

Na finitude de 73 anos, tenho-me preparado e reservado futuros dias para atender a tais homenagens, entre parentes e amigos de minha geração ou próximas. Mas quando se trata de jovens, no mais alto grau de seus objetivos em vida, dói-me mais.

O mês já começara assim com um garoto que veio a ter com a família, e acolhido como irmão pelos meus filhos, aos 9 anos, em 1973. A não-descoberta da cura do câncer o matou, assim como a pessoa por quem hoje me arrancou lágrimas.

Ouço de muitos que a humanidade não deu certo. Agnóstico, discordo. Mesmo crucificado, Jesus deu certo, como líder revolucionário da época. A primeira-dama, no mesmo ABCD, Marisa Letícia deu certo, cremada no Cemitério das Colinas, depois de levar o industrialismo paulista ao Planalto. Nunca pensaram nisso?

A pessoa de quem me despedi hoje poderia ter seu funeral nos lugares mais elitistas do País. Escolheu suas origens e ao céu chegará feliz.

Nunca pude saber de suas opções religiosas ou políticas. Convivi apenas com suas histórias de luta, o amor de seus familiares mais próximos, mãe, filhos e marido, mas não importa. Foi uma linda e maravilhosa mulher.

Contudo, os que me conhecem saberão entender. À simples menção de Vila Euclides foi impossível não remeter ao final da década de 1970, 40 anos depois agora, quando o ABCD se fez história. Ou não? Tenho que sim. Leio em algum lugar:

“O coração da indústria nacional estava no ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul) e isso contribuiu para que, desde 1974, houvesse uma série de mobilizações por reajustes salariais, retomando o movimento sindical dos metalúrgicos, sufocado pelo regime militar.

A situação muda em 1978, quando Luís Inácio Lula da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, declara que ‘os patrões só escutariam a voz dos trabalhadores quando o barulho das máquinas cessasse’. Eclode a primeira greve operária”.

De lá saí para continuar a escrever a que o Brasil não ceda ao autoritarismo das armas, preconceitos, violências, ignorâncias históricas, pequenas garantias financeiras, covardias, que nos fazem eternos subjugados de um País sem qualquer proeminência.

Pergunto: no exterior, diante do resultado das eleições, quem no planeta hoje nos vê caminhar rumo a uma democracia consolidada, uma economia em crescimento e distributiva?

Após tantos anos, vocês, de classe média ou alta, como as pessoas com quem hoje tristemente convivi, sente-se confortável termos voltado aos altos níveis de miséria a que tínhamos amenizado entre os anos 2003 e 2015?

Tudo isso me faz ainda mais triste e espero que F., de onde hoje celestialmente já está, possa me entender.

Beijos a todos da minha segunda família.

[video:https://www.youtube.com/watch?v=w73hEZKnDeA   

 

   

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