Um salto no escuro, por Izaías Almada

O Brasil atual, se me permitem, é uma espécie de galinheiro cercado por raposas de todos os lados, onde a lei do mais forte (leia-se do mais canalha) será sempre a melhor...

Um salto no escuro

por Izaías Almada

Lá vai o Brasil descendo a ladeira e, o que é pior, sem saber muito bem o que encontrará no final dela. 

A essa ladeira podemos dar vários nomes: dignidade, justiça, patriotismo, cultura, solidariedade, soberania, educação… A lista será interminável.

O Brasil atual, se me permitem, é uma espécie de galinheiro cercado por raposas de todos os lados, onde a lei do mais forte (leia-se do mais canalha) será sempre a melhor… A fábula de La Fontaine não explicaria com tanta clareza.

País aculturado e manipulado por telenovelas, dezenas de jogos de futebol por semana, jornais e revistas, todos movidos pela ganância de verbas publicitárias públicas e privadas.

Os exemplos dessa farsa democrática, que o país passou novamente a viver desde 2016, são tantos e inacreditáveis, que seria maçante e repetitivo enumerá-los para o leitor mais atento. Ficarei apenas com dois deles, recentíssimos: 

1 – A criação de falsa notícia por um desses anódinos  apresentadores de televisão dizendo que havia sido despedido pela emissora na qual trabalhava para em seguida chamar de burros aqueles que acreditaram na tal “fake news”. Ele, o tal apresentador, é “inteligente”, moderno, sabe criar uma notícia falsa.

Os que nela acreditaram são burros, analfabetos, cornos, pois não entenderam o que ele quis fazer. E ele, será que entendeu?

Entendemos e muito bem, pois ficou claro que houve uma tentativa envergonhada de assumir que ele, o apresentador, foi enganado como milhares de outros eleitores pelos também milhares e milhares de “fake news” que ajudaram a eleger o tal de Messias para presidente da república. Freud explica…

2 – A procuradora geral da república, após conversar com um grupo de procuradores, entre eles o tal Dallagnol, desmascarado pelas denúncias do Intercept, anuncia o seu total apoio à Lava Jato, como se as irregularidades processuais cometidas não fossem gravíssimas e merecedoras de severa condenação. Ao contrário, a procuradora compactua com os crimes cometidos.

Assumem todos que a lei é para ser comprida (e não cumprida), pois sendo comprida abrange um número maior de brechas para as interpretações, quaisquer sejam elas, em nome do abafamento e da descaracterização de crimes contra o patrimônio nacional. 

São apenas dois singelos exemplos dos desatinos e atropelos às leis e aos costumes que ocorrem no país, sobretudo a partir de janeiro de 2019. Quantos outros são cometidos e que nós, pobres mortais, não ficamos sabendo, certo?

Porque quem é corrupto não sai por aí dizendo que o é. Geralmente dá-se o contrário. Grandes corruptos sejam eles os corrompidos ou corruptores, não importa, são os primeiros a levantar o dedo acusador contra inocentes, fato que também a psicanálise poderá explicar com propriedade.

A própria Vaza a Jato, cujas graves denúncias deixariam Marcola e Fernandinho Beira-Mar enrubescidos, transforma – sem querer – a estratégia de soltar em conta gotas as provas do descalabro judiciário dos últimos anos numa grande telenovela. Quem vencerá: o bem ou o mal?

Aguardemos os próximos capítulos à espera que o país consiga encontrar uma solução para a confusão institucional gravosa em que se meteu.

E que a saída não seja pela violência de prisões, cassetetes e tanques nas ruas, pois essa alternativa nem os próprios militares acreditam mais, embora queiram mostrar o contrário.

O exercício continuado da corrupção costuma corromper a todos. Que o digam os procuradores da Vaza Jato e seus defensores.

 

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