Vale tudo, por Izaías Almada

Vale tudo

por Izaías Almada

Chegou a hora, chegou, chegou… Meu corpo treme e ginga qual pandeiro… A hora é boa e o povo confessou… Que quer botar em ordem o galinheiro…

É isso aí, caro leitor, quando a classe média pensa que é elite, a coisa fica feia… É preciso mostrar para o vizinho, para o patrão, para antigos colegas de bairros mais simples que agora pensa como os ricos, veste-se como os ricos, já não dá mão a preto e nem carrega embrulho.

E, claro, não vota no PT, partido dos pobres.

Até bem pouco tempo, embora ela existisse razoavelmente camuflada, o Brasil não sabia lá muito bem o que era a “luta de classes”. Bastou um nordestino pobre chegar à presidência da república para a “tigrada” se rebelar.

O que falar, então, da classe média alta, não é mesmo professora Marilena Chauí?

Por que o ódio ao PT? Porque o ódio ao ex-presidente Lula? Em poucos anos uma boa parcela da população brasileira saiu do armário e assumiu o seu fascismo enrustido. E nessa luta de classes, agora declarada, tudo pode acontecer.

A começar pela eleição do próximo dia 7 de outubro. Será uma eleição tranquila? Num domingo em que o mundo estará de olhos no Brasil?

Espero bem que sim, mas há algo estranho no ar além dos drones de carreira. Alguma coisa que nos dispara as batidas do coração, onde quase 3,3 milhões de brasileiros não vão poder votar, após mais um golpe abaixo da cintura praticado no valhacouto que atende pelo pomposo nome de Superior Tribunal Federal.

E o que dizer da criminosa e providencial facada que tirou um dos candidatos de todos os debates televisivos? Por coincidência o candidato que menos tem a dizer ao país. Curioso, não?

Ainda bem que o candidato a vice dessa mesma chapa fala pela dupla. Uma asneira atrás da outra, mas fala. E que continue falando…

O homem da faca, Adélio, não poderá dar entrevistas? Aí tem coisa. O receio era que ele, como já aconteceu, pudesse incriminar o PT dois dias antes de se abrirem as urnas…

E se fosse exatamente o oposto, o leitor já pensou nessa hipótese? E se a briga fosse dentro da própria extrema direita? Afinal general não bate continência para capitão.

O recado foi dado numa entrevista ao, como é mesmo o nome, Datena? Se não vencer no voto o capitão não reconhecerá o resultado das urnas. E agora? Vale tudo?

O livre pensar é só pensar, já dizia o grande filósofo brasileiro Millor Fernandes.

Chegou a hora, chegou, chegou…

Foi para isso que bateram panelas? Foi para isso que fizeram dancinhas coreografadas pelas ruas?

O fascismo vai livrar o Brasil do PT? E quem nos livrará dos fascistas?

 

 

 

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