Vamos parar de fantasiar: A epidemia não tem resposta médica, mas sim política, por Rogério Maestri

Em resumo, se tivéssemos uma política correta de saúde pública poderíamos reduzir as perdas

Vamos parar de fantasiar: A epidemia não tem resposta médica, mas sim política, por Rogério Maestri

Quando vejo pessoas procurando respostas na medicina ou no que poderíamos fazer em termos médicos e sanitários, fico simplesmente atônito pelo desconhecimento que qualquer epidemia tem uma resposta condicionada por relações políticas e não médicas.

Desde o início dessa epidemia a OMS já definiu o seu grau máximo de letalidade, que seria 3,4% de todos os infectados, ou seja, como era o início da epidemia, não havia muitos tratamentos que foram sendo desenvolvidos ao longo dessa esse é o número de mortes para os infectados. Posteriormente o jornal The Lancet (https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)30185-9/fulltext#tbl1) recalculou e para os dados que vieram da China baixaram para 2,9%, com esse valor e com a “effective transmissibility” que varia não só com o vírus, mas também pelo tempo em que a epidemia está presente pode segundo o trabalho da University of Oxford de Aronson, Brassey e Mahatani de 14 de abril de 2020 intitulado An Introduction to viral reproduction numbers, R0 and Re (https://www.cebm.net/covid-19/when-will-it-be-over-an-introduction-to-viral-reproduction-numbers-r0-and-re/) estes valores podem variar entre 0,4 a 4,6, ou seja, como fazem os autores do texto, tomando o caso mais negativo, 4,6 significa que para a epidemia se auto extinguir por falta de novas pessoas não infectadas teríamos que ter 78% da população de 212.500.000 habitantes de 191.475.500 pessoas. Para uma 2,9% de óbitos por pessoa infectada resulta em 5,2 milhões de mortos no Brasil.

Em resumo, se tivéssemos uma política correta de saúde pública poderíamos reduzir as perdas a valores como Portugal (pegando um país com baixo orçamento para saúde, mas responsabilidade política) em torno de 125 mortos por milhões de pessoas infectadas, ou seja, algo em torno de 24 mil mortos.

Em resumo, a epidemia causará algo entre 30.000 mortos ou 5.200.000 mortos.

Tem-se que chamar atenção que os dados de letalidade na China e outros países orientais com um sistema de saúde que funcionava e com uma população bem informada do problema, logo, uma hipótese que pode ser feita, devido as características do biotipo brasileiro, com problemas de pressão alta, excesso de peso e mais outras comorbidades poderemos ter menos mortos mais idosos (por ter uma população mais jovem), porém mais mortos mais jovens por comorbidades desconhecidas pelos mesmos pela deficiência do sistema de saúde.

Sendo um pouco otimista, podemos prever algo em torno de 3 milhões de mortos no Brasil.

Agora aqueles que ficam esperando milagres e propondo soluções fora da realidade brasileira esqueçam, no momento a única coisa a ser feita é cavar com urgência no mínimo uns dois a três milhões de covas, e no fim dessa mortandade procurar entender porque tivemos tantos mortos e poderíamos ter, por exemplo, 30 mil.

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