A ligação entre esquerda e políticos evangélicos

 
A ligação esquerda-religiões funciona assim:
 
13% de congressistas (e são 13% e não 22% porque quase metade dos evangélicos não vota em candidato religioso) não são capazes de aprovar ou rejeitar nada em termos de leis. Precisam da conivência dos que se dizem laicos. Inclusive dos que se dizem ‘esquerda laica’.
 
Alguns pastores-políticos precisam fazer discurso do medo (do fim da família, das drogas, etc) para ‘mostrar serviço’ para suas bases. 
 
Pois se não houver discussão disso na política eles ficam a descoberto, sem discurso.
 
Alguns políticos candidatos a cargos executivos têm receio que seus discursos ‘progressistas’ não sejam o suficientemente convincentes. No receio de perder eleições majoritárias fazem um acordo.
 
Os pastores-políticos elogiam tais candidatos junto a suas bases. Ideologia não importa nisso (os pastores sabem que o país, em função de vários estamentos, não deixará de ser de ‘centro-direita-intervencionista’.) Em troca, as bancadas destes candidatos ‘progressistas’, depois de eleitos, ajudam no discurso religioso.
 
Assim, os políticos, que podem ser de direita ou esquerda, se elegem com a sedução de massas de menor instrução, que acreditam em bobagens por isso mesmo. E os pastores-políticos se mantêm em evidência.
 
Faz parte nunca colocar projetos em votação, pois os deputados laicos passariam vergonha se tivessem que votar de acordo em votações abertas em plenário. Um exemplo é a ‘cura gay’: o governo consentiu em retirar o projeto de pauta, quando militantes LGBT e o PSoL queriam sua votação para expor as bancadas ao ridículo (mais ou menos como ocorreu com a PEC 37.)
 
Isso se chama ‘voto de cabresto’, a intermediação do pensamento desinformado. É uma política assemelhada ao coronelismo, ou seja, tipicamente de direita. E com isso mantêm-se a educação e saúde públicas atrasadas em questões como educação sexual e aborto, prejudicando dezenas de milhões de famílias.
 
Qualquer semelhança com Rússia ou Turquia não é coincidência. Grandes partidos com apelo popular fazem isso em quase todos os países onde for possível, de preferência onde os níveis gerais de instrução são mais baixos e as pessoas mais manipuláveis.
 
E vamos parar de ficar falando em ‘esquerda’ pra cá e pra lá como se fosse grife. Pega bem autodenominar-se esquerda, mas a distância do apelido autoconcedido e a prática é muito grande.

1 comentário

  1. Gunter, sua “batalha”, sua

    Gunter, sua “batalha”, sua “causa” é um direito seu, mas peço que ente não confudir as coisas. Sua birra com o Governo é sutamente por não atender suas expectativas do PT se isolar da chamada “bancada evangélica”. Outro ponto importante é a denominação “massa”, tão utilizada quando se quer chamar os “incautos”. Mas eu lhe pergunto: será que essa tal masa existe mesmo ou é só uma concepção nossa para coligar todas aqueles que não compartilham de uma visão minimamente similar a nossa? A tal “massa” brasileira, não é incauta como muitos aqui afirmam e vejo nisso uma soberba sem tamanho.

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