Apesar de muitos pesares, Aécio é poupado de inquérito

Enviado por Aroeira

Ao livrar Aécio Neves de inquérito, Janot desconheceu denúncia de promotora sobre esquema de caixa 2 em Furnas

por Luiz Carlos Azenha

Do Viomundo

Jefferson confirmou que recebeu o valor atribuído a ele na Lista de Furnas; Nilton Monteiro confirmou que a Bauruense, citada pelo doleiro Yousseff, fazia parte do esquema; Airton Daré, sócio da Bauruense, teve mais de um milhão de reais em dinheiro vivo apreendidos em casa

Este é um assunto que acompanho de perto, entre outros motivos por interesse pessoal. Sou de Bauru e conheci tanto Airton Daré, dono da empresa Bauruense, quanto o filho dele, que foi piloto da Fórmula Indy num período em que eu era também repórter de automobilismo, vivendo nos Estados Unidos.

Comecemos, pois, pelo começo.

O Estadão de hoje, ao noticiar a decisão do procurador geral de Justiça, Rodrigo Janot, de não pedir abertura de inquérito contra Aécio Neves, revelou detalhes do depoimento em que o doleiro Alberto Youssef menciona o tucano.

De acordo com o jornal, o termo de delação número 20, do final do ano passado, teve como tema principal “Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB”.

Além de Aécio, também são citados o ex-deputado José Janene, morto em 2009, e o empresário Airton Daré, sócio da Bauruense, empresa fornecedora de Furnas.

Segue o Estadão:

O doleiro pode estar certo ou não sobre a existência de um inquérito relativo à empresa de Bauru no Supremo Tribunal Federal.

O fato é que existe, sim, um inquérito envolvendo a Bauruense, que resultou em denúncia feita pela promotora Andréa Bayão Pereira, em 25 de janeiro de 2012 (íntegra no pé do post).

O juiz Roberto Dantes Schuman de Paula não acatou a denúncia por considerar que não era da competência da Justiça Federal e remeteu o caso à Justiça Estadual do Rio de Janeiro.

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O inquérito corre hoje em segredo de Justiça.

A pergunta que não cala: será que Rodrigo Janot se deu ao trabalho de consultar os autos nos quais foi baseada a denúncia da promotora?

O caso remete à famosa Lista de Furnas, que os tucanos passaram anos tentando desacreditar como uma grosseira falsificação de adversários políticos.

A perícia da Polícia Federal, feita no original, atestou que as assinaturas do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo na lista eram verdadeiras (o que não significa endosso ao conteúdo).

A lista teria tido origem na tentativa de Dimas Toledo de manter o cargo onde operava o esquema de corrupção. Indicado durante o governo FHC, ele queria ser mantido no governo Lula.

De posse da lista feita por Dimas, caberia ao lobista Nilton Monteiro pressionar políticos pela manutenção do diretor. O fato é que ele continuou em Furnas e só deixou a diretoria depois que estourou o escândalo do mensalão.

Segundo os dados da lista, os tucanos arrecadaram um total de R$ 39,9 milhões junto a fornecedores de Furnas no período em que a diretoria de Engenharia era ocupada por Dimas.

É a diretoria de Furnas aparentemente citada pelo doleiro Yousseff na delação.

O dinheiro teria sido usado nas eleições de 2002 (não confundir com o mensalão mineiro, que é anterior).

Aécio Neves era deputado federal e naquele ano foi eleito governador de Minas. Segundo a lista, ele teria recebido R$ 5,5 milhões para sua campanha. Teria autorizado outros R$ 350 mil para o então deputado e hoje senador Zezé Perrella, o do helicóptero apreendido pela Polícia Federal com cocaína.

Outra anotação da lista diz:

Valor avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os comitês e prefeitos do interior do Estado – MG – Valor: R$ 695.000,00.

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É outra informação consistente com a delação do doleiro Yousseff, que menciona uma irmã de Aécio como intermediária de pagamentos.

Mas o fato mais significativo é que Yousseff afirma ter recebido dez vezes dinheiro da propina na sede da Bauruense, em Bauru.

Embora a promotora Andréa Bayão Pereira não tenha confirmado o conteúdo completo da lista de Furnas, ela correu atrás das empresas mencionadas nela, inclusive a Bauruense.

Quando noticiou a denúncia da promotora, o repórter Amaury Ribeiro Jr. destacou, em texto reproduzido pelo Viomundo:

Réus confessos



Os próprios executivos da Toshiba do Brasil – uma das empresas que financiavam o esquema – confirmaram a existência de um caixa dois que sustentava mesada de servidores e políticos. O superintendente Administrativo da empresa japonesa, José Csapo Talavera, afirmou, por exemplo, que os contratos de consultoria fictícios das empresas de fachada, até 2004 , eram esquentados por um esquema de “notas frias”.

A promotora conseguiu provas que considerou suficientemente sólidas para apresentar denúncia contra doze pessoas:

Roberto Jefferson, o delator no caso do mensalão petista, foi denunciado por ter admitido, em depoimento no Rio de Janeiro, que recebeu mesmo a “doação” que aparece ao lado do nome dele na lista de Furnas (reprodução abaixo):

Notaram quem também aparece na lista? Ele mesmo, Eduardo Cunha!

O deputado estadual mineiro Antonio Julio, do PMDB, também admitiu ter recebido R$ 150 mil reais do esquema e apresentou o comprovante de depósito.

Mas, vamos nos ater à Bauruense, mencionada por Yousseff no mesmo depoimento em que o doleiro citou Aécio Neves e a irmã.

Qual o papel da empresa no esquema, segundo a promotora?

Aqui, é muito importante que vocês leiam detidamente o que vem abaixo:

É isso mesmo que vocês leram: na casa do empresário Airton Daré, em Bauru, foram apreendidos R$ 1.027.850,00 e U$ 356.050,00 em dinheiro vivo!

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Isso, mais uma vez, é consistente com a delação do doleiro Alberto Yousseff, de que ele recebia dinheiro do esquema de Furnas em Bauru.

Airton Daré morreu em junho de 2011, mas não sobrou nenhum executivo ou funcionário da Bauruense para ser ouvido em inquérito? A irmã de Aécio não poderia ser chamada a depor? Nilton Monteiro não poderia ser chamado a depor?

Sim, sim, os tucanos dizem que ele é um falsificador e bandido contumaz. Mas, se a delação premiada foi oferecida a Alberto Yousseff, por que não a Nilton Monteiro?

Em entrevista exclusiva ao Viomundo, ele se disse perseguido político e atribuiu sua prisão em Minas Gerais a Aécio Neves.

Outro que eventualmente poderia contribuir como testemunha num eventual inquérito aberto a pedido de Janot para investigar Aécio Neves seria o deputado estadual Rogério Correia, que explicou detalhadamente ao Viomundocomo funcionou o esquema de Furnas.

Como leigos no assunto, não sabemos quais são os critérios utilizados pelo procurador para pedir ou não a abertura de um inquérito.

Pode ser que ele tenha razão, que os dados oferecidos pelo delator Alberto Yousseff em relação a Aécio Neves sejam mesmo pouco sólidos.

No entanto, por tudo o que acabamos de apresentar, nos parece que os indícios oferecidos por Yousseff se encaixam em um quadro geral que mereceria uma investigação mais aprofundada.

O ideal é que fosse em um inquérito, com o uso de todos os poderes à disposição do Estado, não?

Que agora haja, pelo menos, uma investigação jornalística.

Da Folha, do Estadão, do Globo e da Veja.

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13 comentários

  1. Ao acusar suspeitos do PT o

    Ao acusar suspeitos do PT o PGR é frio como gelo. Ao Lavar as cloacas dos tucanos ele parece utilizar “interpretações aguadas de reuso”. Janot defende janotas. Isto é algo que está no nome dele.

  2. o problmea é sempre o mesmo

    o problmea é sempre o mesmo denunciado diversas vezes aqui…

    em alguns casos, alguns do mpf não procuram nada..

    caso dos tucanos.

    em outros casos, a maioria, procuram muito.

    caos do pt.

  3. Será que esse vazamento,

    Será que esse vazamento tá correto? se isso for verdade, acho que o Janot está se poupando de uma crise que virá com muita força,  e acho também que ele não poupou Aécio, Será?

  4. Ihh, pensei que isso teria

    Ihh, pensei que isso teria algo a ver com o Petrolão… mas, não, é o caso da Lista de Furnas, uma das maiores lendas urbanas da política brasileira… 

    • Sim, uma lenda com documento

      Sim, uma lenda com documento assinado pelo Tesoureiro do psdb e autenticado pela PF, testemunha assasinada, testemunha torturada e jornalista preso por ter a audåcia de denunciar a tal “lenda”. Adolpho, como deve ser de seu conhecimento, é uma lenda como aquela de que o Hitler mandou colocar fogo no parlamento e culpou os comunistas. Ou como aquela da compra de votos com gravação e tudo mais para aprovação da emenda da reeleição destinada a fhc. Ou como aquela lenda do aeroporto de 20 milhões construído com dinheiro público e nunca utilizado por ninguém, a não ser pela família Neves. São tantas lendas e acabei de me lembrar de mais uma de um pouso de um helicóptero carregado com meia tonelada de cocaína nas proximidades do tal aécioporto. E tem a lenda também que os tucanos de Minas pagaram 200 mil dólares para um  perito estadunidense indiciado por crime de fraude nos EUA para dizer que a lista era falsa.

      Agora, a pior lenda de todas é a de que FHC não foi o pai do real e quebrou o Brasil 3 vezes, deixando o país com inflação de dois dígitos, desemprego de 13%, sem um puto de reservas internacionais, balança comercial negativa mesmo depois de vender todo o patrimônio que pode do povo brasileiro a preço de banana.

  5. Infelizmente o PGR se

    Infelizmente o PGR se transformou, se é que não foi sempre, em escritório de advocacia da mídia e seus representantes políticos, vulgo psdb. Sem a goebbels esses bostas do psdb não iriam tão longe sem ser incomodados.

  6. O parcialismo fica cada vez

    O parcialismo fica cada vez mais evidente. Se esses “indícios” fossem relacionados a alguém do PT, a PGR teria outra postura. Então ficamos assim: rigor só contra o PT, certo Janot ?

  7. Homem do ano, yes

    Nassif,

    Tanto Rodrigo Janot quanto Sergio Moro demonstraram não ter altura suficiente para os cargos que ocupam.

    Quando chamei o juiz paranaense de poodle de alguém, não errei. Alguém perguntou ao poodle o motivo de ter mantido total silêncio a respeito da menção a aecim ? Prá quem tem a soberba suficiente prá afirmar que irá moralizar o país, fica cristalino que o distinto terá muito trabalho pela frente, a começar pela própria casa – moralizar não combina com acobertar.

  8. Só veremos um tucano gordo e

    Só veremos um tucano gordo e de alta plumagem como o Aécio Neves processado e preso pela justiça – kkk.. brasileira, no dia que o Sargento Garcia prender o Zorro, ou seja, nunquinha.

     

    Em sua maioria os membros do  MPF e do Judiciário brasileiro tem sua  extração profissional constituida de pessoas oriundas  das classes média e alta brasileira, setores criados no ódio contra os governos trabalhistas, defensores  de políticas de cunho social, porisso comungam dos ideais conservadores da sociedade e porisso sempre se posicionam contra os interesses dos governos do PT.

    Nunca veremos o MPF ou o judiciário cometerem injustiças contra o PSDB, pois esse é o partido de coração da maioria dos membros desses órgãos públicos, que deviam ser imparciais, mas não conseguem processar e julgar sem se despirem de suas preferências políticas, ideológicas e visão de mundo.

  9. + comentários

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