Dilma deve voltar mais comunicativa do Carnaval

Jornal GGN – De acordo com reportagem do Valor Econômico, a presidente Dilma se reuniu com Lula e dois ministros do seu conselho e foi convencida de que precisa se comunicar melhor, fazer mais política e sair a público para defender o seu governo. A promessa é que, depois do Carnaval, uma “nova Dilma, mais política e comunicativa”, se apresente ao país.

“Ela tem que martelar os dados positivos para a população”, disse ao jornal um ministro anônimo. “Ela tem de lembrar que toda família de vez em quando tem que apertar o cinto, é esse o momento do país”, afirmou. Para ele, o momento do país não é tão adverso que justifique a queda brusca na popularidade da presidente.

Dilma mais política e ‘comunicativa’ emerge do Carnaval

Por Andrea Jubé

Do Valor Econômico

Após uma rodada de conversas, em que ouviu recomendações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros que integram o conselho político, a presidente Dilma Rousseff foi convencida de que precisa se comunicar melhor, fazer mais política e sair a público para defender o governo, mergulhado na maior crise política desde sua posse em 2011. Para reverter o apagão na comunicação e na articulação política, detectados nesse conjunto de avaliações, uma “nova Dilma”, mais política e comunicativa, vai se apresentar ao país depois do Carnaval.

Dilma disse ao seu grupo de conselheiros que está disposta a cumprir mais agendas externas, dar mais entrevistas e viajar o país divulgando realizações do governo. “Ela tem que martelar os dados positivos para a população”, afirmou ao Valor um ministro que participou das últimas reuniões do conselho político.

Após a reunião para analisar a pesquisa Datafolha que apontou queda de 19 pontos na popularidade da presidente e a insatisfação geral dos brasileiros, o grupo de conselheiros constatou duas falhas principais: na comunicação pessoal da presidente e na articulação política.

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Embora tenha prometido, após a vitória nas urnas, intensificar o diálogo com a sociedade no segundo mandato, e tenha orientado os ministros a travarem a “batalha da comunicação”, Dilma se recolheu após a reeleição. Reclusa ao gabinete, ela sofreu o bombardeio de notícias negativas: crise econômica, risco de racionamento de água e energia, novas denúncias de corrupção na Petrobras e derrota do governo no Congresso.

A avaliação do grupo é de que Dilma apanhou calada. De imediato, a presidente foi orientada a explicar melhor à população as medidas de ajuste fiscal, que dificultam o acesso a benefícios trabalhistas. “Ela tem de lembrar que toda família de vez em quando tem que apertar o cinto, é esse o momento do país”, argumenta este ministro.

Os ministros que integram o conselho avaliam que o cenário não é tão adverso que justifique uma queda tão acentuada da aprovação popular, de 42% de ótimo e bom no fim do ano para 23% no início deste mês, segundo o Datafolha. O grupo considera que apesar das denúncias de corrupção na Petrobras, a estatal continua operando e batendo recordes de produção. A economia estagnou, a gasolina aumentou, mas o desemprego está baixo e a inflação dentro da meta do Banco Central.

Por isso, é unânime a avaliação de que existe um vácuo na comunicação, que Dilma precisa preencher. “Durante a campanha, ela tinha dez minutos diários [no segundo turno], no rádio e na televisão, para rebater acusações e mostrar realizações do governo”, lembrou ao Valor uma liderança do PT. “Foi assim que ganhamos”, reforça. Simultaneamente, após a vitória, Dilma afastou-se dos principais conselheiros na área de comunicação: o marqueteiro João Santana e o ex-ministro Franklin Martins. Ambos são ouvidos em momentos de crise aguda, como na onda de protestos em junho de 2013, em que foram convocados para socorrer Dilma.

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Com Santana, Dilma não falava desde a posse, quando ele colaborou, à distância, com o texto final do discurso. O marqueteiro também imprimiu sua digital no pronunciamento da diplomação, quando Dilma fez a defesa mais veemente da Petrobras, em meio às revelações do esquema de corrupção. Com Franklin, Dilma não havia conversado neste ano até a semana passada.

Por ora, os defensores da ideia de se convocar uma cadeia nacional de rádio e TV para Dilma anunciar o envio das medidas de combate à corrupção ao Congresso são minoritários. A orientação mais forte é para que Dilma recomece a falar em público aos poucos, começando por rápidas entrevistas em agendas públicas, como fazia na época da campanha. O passo seguinte seria conceder entrevistas exclusivas a grandes meios de comunicação.

Em outra frente, o ex-presidente Lula vai reforçar a articulação política do governo, combalida após a derrota de Arlindo Chinaglia (PT-SP) na eleição da Câmara. Já entabulou conversas com aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, no PMDB do Rio de Janeiro, e com o PSB. “Mas ele não é santo milagreiro”, alerta um ministro, observando que Dilma tem de fazer a sua parte.

Dilma se distanciou dos principais conselheiros políticos. Com Lula, reuniu-se na semana passada, depois de mais de um mês sem conversarem reservadamente. Com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), individualmente, não se reúne desde o ano passado. Coube a Temer mediar o encontro institucional entre Dilma e Cunha há dez dias.

Mas um integrante do conselho político ressalta que “todo governo tem seu momento de baixa” e sustenta que Dilma vai superar a fase adversa, se fizer a sua parte. Este ministro lembra que a popularidade de Lula despencou em meados de 2005, quando eclodiram as denúncias do mensalão, e mergulhou numa crise sem proporções. No pior cenário, a aprovação do antecessor de Dilma caiu de 45% de ótimo e bom, no fim de 2004, para 28%, no fim de 2005. Mas no início de 2006, Lula mostrou sinais de recuperação e exibia 36% de aprovação popular.

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16 comentários

  1. de pouco adiantará voltar

    de pouco adiantará voltar mais comunicativa do que já é  se

    não houver meios para comunicar o que ela tem a dizer….

    e o que disser certamente será distorcido pela grande mídia…..

    haja arte!!!!

  2. Depende…
    Se for para ela

    Depende…

    Se for para ela voltar mais comunicativa com o mercado financeiro e com os ruralistas prefiro o seu silêncio. Que ela já nos enfiou goela abaixo uns caroços que esta dificil de engolir.

  3. Ah, bom…

    Hoje liguei o computador pensando onde postar a perguntinha: “A pilota sumiu?” Que alívio saber que ela estava de férias! Esqueci que era Carnaval…

    Quanto à comunicação, que muitos de nós cobra desde o início do primeiro mandato, esperemos para ver. Se for gênero Blog do Planalto, será uma não-comunicação. Não é expor dados, com precisão de centavos, como fazem os embromadores tipo Alckmin, mas acima de tudo desmontar as montagens da midiona, combater as mentiras golpistas destas, que ficam sem resposta para a população. Aguardemos e invoquemos nossos orixás.

    • Gênios economistas?

      Prezado Luiz Eduardo, concordo com você sobre “com precisão de centavos”.

      Fica parecendo os nossos (não todos) gênios economistas que de acordo com a UOL dão a seguinte lição de expertise (“fino”, né).

      “Economistas prevem recuo de 0,42% do PIB e inflação de 7,27% em 2015”.

       

      Cabras bons!!

  4. Imposto de Renda

    Espero que ela comunique que voltou atrás no seu veto ao reajuste da tabela de imposto de renda que só atinge o trabalhador.

     

  5. Imposto de Renda

    Espero que ela comunique que voltou atrás no seu veto ao reajuste da tabela de imposto de renda que só atinge o trabalhador.

     

  6. SÓ EXPLICAÇÕES NÃO BASTAM!

    A Dilma comanda um processo de transição do Brasil colônia, para o Brasil desenvolvido. Isso é facilmente detectado, quando víamos no passado até 70% de nossa produção em alguns setores de manufaturados sendo exportados, porque nossa renda não permitia consumi-los. É muito fácil mostrar esses números, e demonstrar como alguns setores políticos querem voltar novamente a economia para exportação. Hoje, por exemplo, praticamente toda a produção de automóveis é vendida aqui dentro; e se ainda existem muitos problemas, a maior culpa está na corrupção e fisiologismo do congreso, e não na presidência. Vejam os dados:

    http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2014/11/como-deixar-de-ser-colonia.html

    Tudo isso é agravado com a recusa do congresso, em fazer uma reforma política. E devemos acompanhar atentos, para que quando sair, ela realmente atenda ao que o povo exigiu nas ruas, MAIS DEMOCRACIA. Podemos dizer, que se não aprovarem nosso direito de convocar plebiscitos e referendos, como no texto original da PEC 03/2011, além do referendo revocatório de mandato; a impunidade e a corrupção continuarão no legislativo. E sem o direito de tomarmos essa iniciativa, elaborando e convocando plebiscitos, como os povos de vários países altamente desenvolvidos fazem há séculos, não seremos capazes de fechar as brechas deixas à corrupção, pela legislação que apenas eles fazem. Por isso o ideal é lutar pela Constituinte exclusiva do sistema político. Saiba mais:

    http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2014/11/reforma-politica-quem-reclama-tem.html

    Entretanto, mesmo que a Dilma faça um pronunciamento, e esclareça todos esses pontos, a mídia continuará a bater covardemente nela. Por isso, uma das medidas mais urgentes é aprovar logo a democratização da mídia, onde destacamos o caminho dessa iniciativa popular de lei:

    https://www.facebook.com/democracia.direta.brasileira/photos/a.300951956707140.1073741826.300330306769305/532492050219795/?type=3&theater

     

  7. Fontes seguras!!!

    Vamos lá.

    “Após uma rodada de conversas, em que ouviu recomendações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros que integram o conselho político…”

    Há interesse em que essas conversas vazem? 

    Não deveria haver. Como um governo acuado pela imprensa, Globo à frente e da qual faz parte o Valor, como poderia haver interesse de “divulgar” as estratégias para enfrentar entre outros… a imprensa?

    Sendo assim, quem está vazando?

    Lula!!!

    Então, por quem vaza?

    Nunca vão fechar essa porta?

    Ou há interesse em que vaze? Seria mais uma estratégia “brilhante”? Se o desejo é ess, não parece uma insensatez?

    “A orientação mais forte é para que Dilma recomece a falar em público aos poucos, começando por rápidas entrevistas em agendas públicas, como fazia na época da campanha. O passo seguinte seria conceder entrevistas exclusivas a grandes meios de comunicação”.

    É brincadeira?

    Falou-se aqui, em tom de crítica, que ela não se comunica porque não gosta de falar e todos reconhecem que é fraca nesse aspecto. Por isso se isola.

    E aí vai “…conceder entrevistas exclusivas a grandes meios de comunicação”.

    Se a dificuldade em se expressar, defender suas ideias e não gostar de faze-lo são os argumentos maiores para se isolar, será que podemos antever como serão as entrevistas (até porque já vimos) de Bonner, Miriam Leitão e companhia?

    Merval não assusta porque também é muito fraco na hora de falar. 

    Ou tudo isso é fruto daquelas coisas que a gente ver toda hora; “A conversa foi somente entre Lula e Dilma, mas fontes seguras asseguram que falaram muio de…”?

  8. Dilma pode reclamar de toda

    Dilma pode reclamar de toda imprensa golpista, menos do jornal GGN.

     Ela mente descaradamente na campanha e o jornal apoia.Dá golpes abaixo da cintura em Marina e o jornal se cala.

       3 Dias após ser reeleita anuncia o plano de seu concorrente Aécio( aquele que ia tirar comida da boca do povo..Lembram do comercial que a comida desaparecia da mesa?) e o jornal faz de conta que não viu,

          Anuncia o mais débil ministério sa república e Nassa diz ( e escrve) que foi ”estratégico”.

               Perde de goleada a eleição na câmara e o jornal …e o  jornal… não comenta.

                     Agora anuncia:

                    ”Deve” voltar mais comunicativa.E passa a imprenssão pra nós aguardarmos mais um pouco pra esses 51 meses de fracasso absoluto do governo dela.Mas as certezas citadas acima foi modificada pra condicional ”Deve”

                Foi uma evolução.Tímida. Mas foi,

                   Porque na verdade, nem o jornal acredita mais nela.

                           ”Pode”…”Deve”…”Acho” …”quem sabe”… ”há indícios”… 

                                    Jesus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  9. Espero

    Ainda que me pareça contrariar o temperamento dela. Sobre pessimismos: o príncipe deve tomar medidas impopulares logo ao subir ao trono, e de uma tacada só. E tomar medidas populares lentamente. Por isso, não me incluí no pessimismo e alarmismo dos (podem ser todos) que se decepcionaram tão cedo. Não que não tenha me assustado, já estivera assustado com o nível da campanha eleitoral e a inevitabilidade de algumas medidas antes refutadas. Os riscos de golpes legais existem, mas, ingenuidade ou não, dá-se demasiada importância e se repercute, supervalorizando-os.

  10. Voltar mais comunicativa

    Voltar mais comunicativa ?

    Dúvido !

    A comunicação é um dom que nasce com as pessoas, e confesso que é uma das poucas coisas que invejo no ser humano.

    Invejo quando alguém com palavras tem o poder de atrair, persuadir, conquistar “multidões” para o bem e para o mau.

    A Dilma vai voltar apenas mais falante com os seus tati bitatis, e só.

  11. Apertar os cintos de quem???

    “Ela tem de lembrar que toda família de vez em quando tem que apertar o cinto, é esse o momento do país”, argumenta este ministro.Pode até colar como discurso de convencimento, mas essa analogia se baseia em uma falácia, a falacia de composição. Como se uma parte funcionasse da mesma forma que o todo, como se um organismo funcionasse da mesma forma que seus orgãos. O ‘aperto no cinto’ de uma família -supondo que essa more na Lua – não gera efeitos em cadeia sobre outras familias. Um aperto no cinto do Estado gera efeitos em cadeia em toda a sociedade, alguns imprevisíveis. Parece que o ministro pediu para Dilma ‘dourar a pípula’ e convencer as pessoas com um discurso falacioso.

    E não resolve o problema principal: supondo que a analogia seja correta, uma família é composta de várias pessoas com necessidades e capacidades diferentes, umas são mais jovens e não trabalham ainda outras são mais velhas e não podem mais trabalhar. Quais gastos uma ‘familia’ vai cortar na ‘hora de apertar os cintos’? aquela viagem tão sonhada de férias ou o leite das crianças?

  12. Preparem os tamborins, cuícas e reco-recos..

    Agora vai, Dilma “cadê você” Rousseff, depois do Carnaval vai voltar toda cheia de ziriguidum, telecoteco e balacobaco levantando a militontância na Avenida Brasil…

    Pergunto ao jornalista se Dilma agora, depois do carnaval, vai conseguir conectar duas frases????

     

  13. A principal notícia, Dilma

    A principal notícia, Dilma não vai comunicar, que é a queda dos juros ( que ainda não ocorreram) , e a consequente retomada de crescimento do PIB ( que também não ocorreu) . Então o que mais ela possa comunicar não vai fazer muita diferença em termos de popularidade presidencial.

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