O “erro” do PT e a corrupção, por João Feres Júnior

Publiquei artigo recentemente discutindo o cenário de choro e ranger de dentes no qual se meteu a esquerda após a eleição municipal do dia 2 de outubro. Entre os que autoflagelam e os que apontam o dedo há um consenso a meu ver burro de que a derrota de deveu aos “erros do PT”. Tentei mostrar que os tais erros identificados por esses comentaristas são de fato falácias, senão virtudes políticas, como é o caso da aliança com o PMDB. Claro que o erro mais mencionado é o da corrupção. Esses críticos agem como seus antípodas, os coxinhas, reduzindo a política à questão da honestidade e, por conseguinte, da corrupção. Ora, a solução para a corrupção é investigar, processar e condenar os culpados, e desenhar procedimentos administrativos que diminuam o risco de que ela seja cometida sem, ao mesmo tempo, emperrar a máquina pública – algo bem difícil de se conseguir. Mas tal solução imperfeita está longe de constituir uma escolha política que faça jus a esse termo de origem grega.

Se observarmos os resultados da eleição, contudo, essa interpretação se desfaz. Os partidos vencedores foram PSDB e PMDB, todos alvejados com inúmeras denúncias de corrupção. Só para tomarmos um exemplo, João Dória, que venceu a eleição em São Paulo já no primeiro turno de lavada, foi acusado de apropriação ilegal de terreno público em plena entrevista ao telejornal SPTV, da Globo. Tentou negar a acusação e foi desmentido na hora pelo jornalista, que eximiu até provas documentais do ilícito. Então por que será que a derrota do PT deve ser atribuída à corrupção e estes outros partidos envolvidos em escândalos de corrupção não sofreram dano eleitoral?

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Um petista carpidor argumentou em texto recente que o PT sofreu mais porque pregava a luta contra a corrupção. Acho essa tese improvável. O PT de fato fazia um discurso bastante moralista antes de virar governo, por mais de uma razão. Primeiro porque saia do regime militar, altamente repressor do debate político. A crítica à corrupção naquele contexto pode ser lida como subterfúgio para promover a politização do eleitor. Segundo porque existe um viés anti-Estado nas esquerdas, marxistas ou não, e o PT não escapa disto, particularmente antes de ter ganhado eleições importantes. Claro, esse tipo de coxismo só vê corrupção no Estado e faz vistas grossas para o seu Manoel da padaria que deixa de lançar nota fiscal para 80% de seu faturamento, ou, por extensão, para imensos conglomerados de comunicação que sonegam centenas de milhões em impostos. E, por fim, porque o PT é um partido de origem paulista, e em São Paulo o discurso bandeirante excepcionalista e, por conseguinte, também pró-sciedade e anti-Estado penetra não só na extrema direita saudosa da Revolução de 32 mas também na esquerda – não nos esqueçamos que o partido é proveniente da organização da sociedade paulista contra o Estado autoritário.

Mas isso não faz o argumento do petista carpidor mais verdadeiro. O PT parou há tempos de fazer um discurso inflamado contra a corrupção. Pelo contrário, historicamente, no Brasil, esse discurso é encampado pela direita. Ademais, poucos eleitores contemporâneos têm memória daquele PT aguerrido e ingênuo dos primeiros anos – que mais parecia o PSOL de hoje, com a diferença de que tinha profunda base nos movimentos sociais, o que não acontece com o partido de quadros que ora compete pelo segundo turno da eleição carioca. Assim, a pergunta não foi ainda respondida: por que será que a corrupção constituiu o principal erro do PT do ponto de vista eleitoral?

Só há uma resposta para ela. Volto a insistir, as interpretações erram por não reconhecer que a mídia foi a grande vitoriosa deste pleito, elegendo políticos que lhe são em tudo simpáticos e generosos, e derrotando o PT, seu principal alvo. Mas os críticos de plantão continuam a sofrer da vertigem da naturalização da comunicação, uma operação mental que simplesmente apaga a função da comunicação mediada. É como se, no final das contas, a mídia só reproduzisse fatos.  

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Foi a corrupção a principal arma de ataque? Sim, mas uma corrupção construída narrativamente como responsabilidade maior do partido, de Lula, de Dilma, ou pior, como frequentemente se lê nos textos produzidos por essa mídia, do Lulopetismo. Eu sei que o carpidor e seu séquito vão redarguir: mas se não tivesse se corrompido o governo do partido não haveria denúncia. Nada mais ingênuo. Só para citar um exemplo importantíssimo, o “escândalo do Mensalão” foi todo construído sobre pés de barro, sem evidências de malversação de dinheiro público, sem evidências de influência em resultado de votação, e mesmo assim serviu para macular a imagem do partido e colocar suas principais lideranças na cadeia, submetidas à execração pública. Em suma, não há nada de natural na maneira como a corrupção aparece para o eleitor. Em um contexto no qual uma simples citação em delação premiada poder ser usada para justificar a prisão preventiva de alguém, a partir da qual um circo midiático de dilapidação da reputação do preso tem início, não dá para ser tão ingênuo como o carpidor e seu bando.

O principal erro do PT, que causou sua derrota nas urnas, foi não ter atentado para a importância da comunicação pública para a formação de opinião dos cidadãos. Esse erro deve ser atribuído ao mesmo tipo de ingenuidade do carpidor, que naturaliza a questão do fluxo de informação em nossa sociedade, ou melhor dizendo, ignora suas especificidades. Enquanto as esquerdas estiverem capturadas por essas concepções pueris do jogo político, continuarão a sofrer repetidas derrotas.  

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46 comentários

  1. É isso!

    Já estou gardando este excelente e artigo. Aí está!

    Sendo bombardeados pelos nazistas com armas de largo calibre e os carpidores chorando: onde erramos?.

    O PT é vítima dos seus acertos. O país está sendo atacado devido às virtudes que adquiriu com o governo PT, que foi, dentro das circunstâncias, ötimo.

    A mídia e os funcionários públicos miquinhos amestrados fazem o serviço sujo do dia a dia. Destruidor mas muito mal feito, e escandaradamente auto- denunciador. Destruiram a constituição para tentar destruir o pt.

    É isso

     

  2. Mesma opinião

    Um post meu de alguns dia atras no DCM:

    (…)
    Principalmente em relação à mídia, onde não fizeram NADA. Nada além de dar dinheiro para quem só xingava o PT no governo.
    Erraram muito porque não fizeram coisas que deveriam ter feito.

    Enquanto fizeram coisas boas pelos mais pobres, a mídia os detonava.
    O povo só sabe que recebia Bolsa-Família DO GOVERNO, e governo pode ser qualquer um que chegue ao poder, não necessariamente do PT (na cabeça do povo, claro).

    Erraram pelo que deixaram de fazer.

     

  3. Alguém começa a explicar os

    Alguém começa a explicar os acontecidos. Muitas das “análises” de petistas como Tarso Genro ou associados (Aldo Fornazieri) estão postas na luta interna do partido e da própria esquerda, tentando se cacifar para o próximo ciclo eleitoral. 

  4. Além do PMDB e PSDB
    Temos, por ex, o PP que cresceu nessas eleições.

    E pelo que me consta não teve desastre eleitoral o PSB com o ” prosaico” jato do Eduardo campos ( esse político que foi inicialmente escolhido pelo Paulo Roberto costa como testemunha no início da lava jato)

    E se formoss desenrolando esse novelo por partidos, veremos que está bem embasada a opinião que figura no post

  5. É isso. A verdade é que depois de ter visto

    sua influência diminuir sobre o governo nos últimos 14 anos , a globo voltou a mandar no país.

    Dois grandes exemplos que não deixam dúvidas. Temer ligando para o Fautão para se explicar e o Dória afirmando que os integrantes do seu governo vão ser obrigados a assistir o noticiário da globo.

    Precisa ser mais claro que isso sobre quem manda agora?

  6. Foi a fase paz e amor que o

    Foi a fase paz e amor que o PT adotou, enquanto isso o partido e seus caciques eram e ainda são detonados pela mídia dia e noite.

    Cadê os processos que Dilma ia mover pelas mentiras publicadas pela veja e rede globo?

    O autor do post está correto, mas não explica tudo. Assim como a comunicação não existiu, também não existiu estratégias em relação ao poder mais corrupto da república, o judiciário. Criar um poder paralelo deixando de indicar um procurador que pode te derrubar foi demais. Se compete ao presidente indicar, não pode deixar de fazer, não pode terceirizar. Faltou estrategista ao PT em diversas frentes. Faltou falar a verdade para o cidadão, denunciar através dos canais adequados as armações da mídia.

    Como aceitar que uma revista publica uma foto com um sapato no traseiro de um presidente?

    A opção é deixa pra lá. Cão que muito ladra não morde. O resultado está ai.

    Outro erro grave foi o tal republicanismo de quinta categória.

  7. Mais um brilhante artigo da lavra de João Feres Jr.

    Parabéns ao cientista e professor João Feres Jr e à equipe do GGN por publicar análises precisas e irretocáveis. Vou arquivr este artigo, como tenho feito com os melhores textos e anáises políticas que tenho lido.

  8. Haddad: o que você faria se só te restassem 86 dias?

    Haddad: o que você faria se só te restassem 86 dias?

    Os amigos do Presidente LulaO que você faria se só te restasse um dia?
    Se o mundo fosse acabar
    (…)
    Abria a porta do hospício
    Trancava a da delegacia
    Dinamitava o meu carro
    Parava o tráfego e ria
    (…)
    O que você faria se só te restasse esse dia?
    Se o mundo fosse acabar
    Me diz o que você faria
    (O último dia – de Paulinho Moska)Me perguntei o que eu faria se eu fosse o Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, e me lembrei da música acima.

    Primeiro vamos separar as coisas: perder eleições acontece, não é o fim do mundo como na música, principalmente para quem sai sem máculas como Haddad. Ele perdeu não foi por defeitos, nem por seus poucos erros. Foi por incompreensão e desconhecimento, pela disparidade de informação, com jornalismo massacrando ele e tudo ligado à ele durante quatro anos no rádio, tvs, jornais, etc. Todo dia tinha Datena, Russomanno e Marcelo Rezende mostrando filas da saúde, mas escondendo que a fila era maior antes e diminuiu bastante com Haddad na prefeitura. A campanha foi encurtada pela lei e ainda por cima Haddad foi prejudicado até na manipulação do debate da Globo dando 76% de tempo a mais para Dória. 

    Mesmo assim até adversários políticos atacam a gestão, apesar de dizerem que vão continuar a maioria das política públicas. Atacam o PT. Mas ninguém ataca a honestidade e integridade de Haddad. Por isso ele sai ainda como uma grande liderança política de oposição e com grande futuro.

    Então vou dizer o que eu faria se fosse ele, faltando os 86 dias que faltam para terminar o mandato: passaria o tempo todo na rua, junto ao povo. E 99% do tempo nas periferias. De manhã até a noite, sábado, domingo e feriados. E levaria junto alguns secretários para fazer o mesmo.

    Faria a transição de governo junto ao povo, pelo povo e para o povo. 

    Deixaria os assessores técnicos nos gabinetes para cuidar da burocracia e fazer a transição institucional de governo.

    Visitaria 3, 4, 5 ou 6 obras por dia. Visitaria unidades de saúde e escolas em funcionamento. Conversaria com os trabalhadores, professores, alunos, com os moradores dos bairros. Almoçaria e jantaria no comércio do bairro.

    Fora do horário do rush e nos fins de semana, quando dá para conversar sem ônibus lotado, circularia de ônibus para conversar com as pessoas no trajeto. Nos fins de semana visitaria os parques, praças, bibliotecas e espaços culturais e esportivos.

    Conversaria muito com pessoas do povo. Explicaria que não somos golpistas e o voto é sagrado. Que quem sou eu para dizer como cada um deve votar. Mas gostaria de ouvir o que os cidadãos acharam que ficou faltando fazer, para preferirem outro prefeito, porque minha intenção (do prefeito) foi governar totalmente voltado para vocês.

    Explicaria o que foi feito naquele bairro e perguntaria se ficaram sabendo. Explicaria as limitações do que não teve como ser feito, ou mesmo admitiria o que poderia ser feito e faria uma autocrítica ali na frente do cidadão. Até resolveria na hora pequenos problemas como telefonar dando ordens para tapar buraco, trocar lâmpada queimada de poste, etc.

    Explicaria que, como cidadão sem mandato, continuaria lutando ao lado deles por benfeitorias e por melhora na qualidade de vida, por melhores oportunidades para todos. Explicaria que o novo prefeito eleito tem uma visão empresarial da cidade que não valoriza os espaços comunitários e equipamentos públicos gratuitos que pertencem ao povo. Por isso a tendência é haver retrocesso na melhoria dos bairros e até na educação pública, na saúde pública, na moradia popular, e até na atração de empregos para a periferia.

    Diria até que o resultado das urnas encoraja retrocessos nacionais com perdas de direitos que estão sendo votados no Congresso.

    Diria que para não haver retrocesso e para a periferia não ficar abandonada à própria sorte, a população precisa se organizar e se mobilizar para conquistar as coisas na cidade e no país. E que podem contar com ele como mais um militante para contribuir nesta organização e na luta pelas boas causas, mesmo sem mandato.

    Ah… se alguém da imprensa quiser entrevistar, que acompanhe o prefeito nos ônibus, nas praças, nas ruas, ou entreviste por telefone celular. Nada de entrevista em gabinete e muito menos em redações. Se fosse eu não haveria agenda livre para isso até dia 1o. de janeiro.

    Por que eu faria isso?

    Porque é muito mais fácil um cidadão descrente na política dar ouvidos e falar com sinceridade à um prefeito que perdeu a eleição e mesmo assim vai lá no bairro dele, dizendo que ele é importante, do que durante a campanha eleitoral quando todo tipo de político aparece em busca de votos.

    É a melhor hora para conseguir esclarecer a diferença de dois projetos diferentes de cidade e de país. É a melhor hora do que podemos chamar de conscientização política e de colocar em prática mais participação popular, por haver mais receptividade. É a melhor hora para mostrar quem está do lado de quem.

    Se Haddad fizer isso nos 86 dias que faltam, é perigoso até de muitos eleitores dizerem: “Ih!.. acho que votamos no cara errado”. Isso, antes mesmo do tucano tomar posse.

    A luta política é travada o tempo todo para buscar as transformações que a maioria da sociedade deseja. O período eleitoral é só uma das muitas batalhas. A luta pelo que se acredita ser um mundo melhor continua, ganhando ou perdendo, sendo governo ou oposição.

    Perder eleição é, no máximo, fim de um ciclo e início de outro.

     

    • Eu acho que não ir nem ao

      Eu acho que não ir nem ao menos ao segundo turno depois de dministrar a cidade é fim de carreira para qualquer um. 

      Haddad está morto politicamente.

      Vai ter que recomeçar tudo do 0. Se eleger deputado Federal em 2018, se o partido não for cassado, tentar se reeleger prefeito em 2020 para desfazer a PÉSSIMA impressão que deixou na população. (Nenhum candidato a reeleição com 16,7 % dos votos pode ter deixado boa impressão), se reeleger em 2024, para aí retomar a carreira política.

      Perdeu no mínmo uns 10 anos, e só volta a prefeitura se Dória for um desastre.

      Qualquer outra candidatur executiva dele as pessoas vão se perguntar pq foi tão reprovado ?? Ninguém vai se convencer que foi por burrice do paulista. 

      Quanto ao tratamento da injusto da imprensa, concordo, mas se ele quer ser bem tratado pela imprensa, melhor ir para o PSDB.

  9. Mais uma vez no ponto!
    Ora, o

    Mais uma vez no ponto!

    Ora, o financiamento de campanha – com as conhecidas exceções – é o mesmo para todos os partidos, variando somente em tamanho. Ainda assim, dos maiores palrtidos só o PT, o PT, o PT foi atingido pela tal campanha “anticorrupção”. Não reconhecer que o PT, o PT, PT foi tratado de modo diferenciado é simplesmente ridículo.

    Pior aínda é achar que foi tratado de modo diferenciado porque só o PT, o PT, o PT não pode, não pode recolher fundos de campanha. Sobretudo quando ele passou a fazê-lo após decisão partidária aberta, apos o Lula perder três eleições presidenciais.

    Já disse e repito: a esquerda que a direita gosta é essa que fica de megafone nas portas de fabricas, bancos e repartições fazendo figuração para a “democracia”. Enquanto o PT, o PT, o PT agia assim o regime democratico e o presidencialismo de coalizão ia muito bem, obrigado. Bastou o PT, o PT, o PT ganhar eleições e governar que a “desgraça” se abateu.

    Não tenho dúviodas: todo ódio ao PT, PT, PT, ao Lula e ao José Dirceu advem do fato, fa-to de eles ganharem quatro vezes seguidas – e governarem – no jogo “deles”; no jogo “deles”. Os reacionarios de sempre accreditavam mesmo que detinham o poder por uma suposta superioridade moral ou intelectual. Imaginem o tamanho da decepção de terem que aceitar que a única coisa que tinham mais era grana., dinheiro (e na maioria das vezes mal havido, imerecido)

    Não itiveram nenhum escrúpulo de partir pra ignorância, melar o jogo, acabar com a brincadeira pra recuperar o que acham que é propriedade perene.

    Não é a toa que a propria “vitória” de 2016 é festejada com constrangimento, pois sabem muito bem que só ganharam com o golpismo; golpismo boçal, de valentão de butiquim.

    E não há ninguém na praça dos três poderes e nas redações que tenha a menor dúvida disso.

    O resto é embalagem pra trouxinha engolir.

  10. Até que enfim alguém com
    Até que enfim alguém com talento escreve o que digo, com menos verve. Enquanto não sairmos dessa armadilha da moral & bons costumes em que fomos metidos, não conseguiremos reagir. E não falo só do PT. Enquanto estamos nos açoitando a câmara vai aprovando, na surdina, praticamente sem reação, o desmonte do estado e de direitos

  11. Quem nada contra a corrente

    Quem nada contra a corrente precisa de líderes. E líderes só se fazem na base da autoridade moral. Caso inconteste por exemplo de Suplicy.

    Não há como negar que o PT passou a fazer política negociando por cima; distanciando-se da população e dos movimentos sociais. Dirigentes de destaque, aí incluído o Lula, passaram a empenhar-se na promoção de empresários.  É crime? Não. Mas o envolvimento na engrenagem tradicional cobra seu preço. 

    Os  partidos PMDB, PP, PSDB, não nadam contra a corrente. Atuam no velho esquema político, controlam a mídia, o legislativo e o judiciário, não precisam de líderes. Portanto, não há que lhes cobrar nada. 

    E não é o caso de dizer, ah tá, então teríamos que também buscar o controle da mídia, do legislativo e do judiciário. É impossível. Um projeto que contradita interesses hegemônicos para caminhar precisa estar enraizado na sociedade civil . Aí entra o papel da liderança, não individual, mas coletiva, exercida por partidos e outras organizações. Estas tem que preservar sua autoridade moral. Não foi o caso do PT em anos recentes.

  12. A construção da narrativa

    O cidadão mediano, incluindo boa parte da classe media, acredita sim na nattativa da corrupção.

    E ela está profundamente associada ao PT.  A globo vem construinda essa narrativa desde o inicio do mensalão…

    Propaganda DIÀRIA !!!

    Sem contraponto.

    Pelo contrário, cada vez que um membro do governo foi a televião (ou radio,…) LEGITIMOU esse discurso.

    Se houve um erro maior do governo petista foi aceitar essa narrativa…

    Os factodides são diários !!! Essa é a estratégia. Aliais, ela continua bem ativa.

    Pra não ser injusto a Globo tambem fala do PSDB. Pequeno exemplo, SP estava bebendo lama… e ela reelegeu uma o governador !

     

     

     

  13. Li o Suplicy falando dos

    Li o Suplicy falando dos erros do PT, li Tarso Genro falando de erros do PT, li Olívio Dutra dizendo da necessidade do PT apanhar. Não li quais foram os erros, eles nunca falam sobre eles. Concordo com o escriba, não importa o que o PT tenha feito ou não, o que fabricam contra ele é sempre muito maior. A meu ver o maior erro do PT foi ser ingênuo em acreditar que havia sido aceito pelas classes dominantes do País, em especial Lula, que está realmente surpreso com o que está acontecendo com ele. Havia uma raiva, um ódio de parte grande da sociedade brasileira, com os cuidados que estavam sendo dados aos mais humildes. Quando negros e pessoas muito humildes do Nordeste começaram a entrar nas universidades caras dos ricos e obtendo êxito, colando grau, tornando-se profissionais que antes era privilégio de alguns, quando segundo uma velha senhora da elite, perderam a exclusividade, foi demais. Não iriam ficar quietos e deixar que isso continuasse. Com a ajuda do republicanismo de Dilma e também da sua crença errônea  de que havia justiça no Brasil, e que bastaria ser honesta para ser respeitada, esses que de a  muito buscavam uma saída, a encontraram. Com a chegada do pré-sal e a negativa do governo brasileiro em entregá-lo  de presente aos americanos, foi a gota d’água. Juntaram-se forças internacionais, empresários de mídia a caminho da falência, gente da alta classe paulista, pessoas importantes do meio jurídico e parlamentares e senadores profundamente corruptos, e estava selado o destino do PT, seus políticos e suas políticas voltadas aos mais pobres. O interessante e esquizofrênico nisso tudo, é que essas classes de pessoas mais ajudadas tornaram-se presas fáceis da mídia, especialmente das empresas globo, às quais mais têm acesso, seja na tv ou no rádio, e durante 3 anos inteiros foram bombardeadas com a premissa de que o PT roubou. Sem outros meios ou capacidade intelectual para outras informações, tornaram-se os maiores algozes daqueles a quem devem a sua melhoria de vida. As pessoas mais limitadas estão realmente tocadas por um ódio profundo ao PT, e sinceramente não estou vendo saída. A impressão que me passa é que só se sentirão vingadas, se Lula , o chefe da quadrilha, proposto pelo Dallagnol e refutado um tanto tardiamente pelo juiz Zavascki, for preso. Lula, com 87% de popularidade no país, no último dia de seu governo, é agora no imaginário popular, o inimigo, o bandido numero um. Quando vejo esse projeto de ditador que os paulistas acabam de eleger prefeito, desrespeitar abertamente o presidente Lula sem nenhuma  contestação, fico apavorada. Não me parece que se satisfarão com nada menos do que Lula na cadeia pelo maior tempo que conseguirem, seja lá pelo que for, e finalizar com sua carreira política. Seu capital político, pelo menos no Brasil, está minado. Lá fora é questão de tempo, pois uma mentira martelada milhões de vezes, por dias, meses à fio, acabará por encontrar ecos nas mentes das pessoas. Me pego depois de 30 anos apostando no PT e na capacidade de trazer ao Brasil mais igualdade, depois de sentir o gostinho de ver o começo da mudança, desesperançada, amargurada. Não vejo nenhuma luz ao final desse tunel, a não ser uma grande tristeza que tomou conta do país. Os que por ventura se sentem vingados, também devem estar com  um gosto amargo na boca, pois queiram ou não, enquanto o maior partido de esquerda desaba, o Brasil desaba com ele.

  14. O PT perdeu o apoio do povo pelos seus erros!

    A grande mídia, políticos e juízes da direita não teriam tirado a Dilma e vencido a maioria das disputas pra prefeitura se não fossem os erros (incompetência e corrupção) do PT.

    Os políticos do PT, a nível nacional, não fizeram metade do que podiam. Que vontade a maioria dos brasileiros tinham p/ defendê-los? Manter a democracia e a ameaça de pôr presidente que parasse a lava-jato não foram suficientes pro brasileiro apolítico apoiar uma presidenta medíocre e que mentiu na campanha eleitoral. Só pros da esquerda.

    O PT deixou de trazer grandes melhorias pro país. Na área da justiça, por ex, a Dilma botou gente menos corrupta e a lei da transparência. O Lula apoiou criar o CNJ, Presídios federais e não escolher PGR subalterno. O Lula fez mais que ela.

     

    Já que o artigo não considerou a incompetência do PT, cito exemplos ótimos, como:

    -Propor lei p/ que um bom processo seletivo escolha os cargos de chefia de baixo e médio escalão, 

    -Agir pra que a justiça do trabalho não dê ganho de causa pro empregado quando ele tiver comprovadamente errado,

    -Que a Dilma tivesse apoiado o Recall Eleitoral no discurso Pos passeata de 2013 (ela só propôs lei pros outros poderes),

    -Um site que mostrasse e comprovasse imparcialmente os erros da mídia e justiça contra a esquerda. (Eu ignoro vários sites da esquerda pela falta de qualidade jornalística)

     

     

    Resumindo: A maioria dos brasileiros teriam apoiado a Dilma e o PT em 2016 se fizessem metade do que poderiam.

  15. Péssima análise.(Mas tem seu público ou que assim se manifesta)

    + 1 c/ a síndrome de avestruz: usa aspas “erros” do PT; atribui erros muito mais a fatores externos (a mídia, p. ex.); deve impressionar pelo vocabulário pouco acima do primário; mas, pra não ser confundido com um intelectualóide qualquer, dá uma no popular coxinha e no surrado críticos de plantão. Concepções pueris assim julgadas do alto de um pedestal. É por essas e outras, de base metida a pensante, fazendo o jogo da hierarquia viciada em anos de mandatos ou de postos de direção, que a vaca vai pro brejo, cada vez mais um tombo maior. E respingando nas demais esquerdas. A mais recente “novidade” é o consenso suicida pra Lula ser novo presidente do partido. Assim num dá, cara. Vamo renovar de verdade.

  16. (Joao, se eu fosse voce eu

    (Joao, se eu fosse voce eu desenvolveria uma serie de artigos no mesmo tema.  Eu ja cansei do assunto dos “erros” do PT e nao vou voltar a ele mas aizveiz tem uma porrada de “nouveaux lixe” e “nova classe media” (cedo passando fome) que nunca ouviram falar do unico massacre partidario do planeta nos ultimos 10 anos.)

  17. A roda gira

    Ótimo  artigo que vai direto ao ponto. Cansei dos carpidores que batem no peito: mea culpa, mea máxima culpa. O PT pode ter erado em algumas coisas até por ser um partido jovem, sem experiência de poder das raposas de 500 anos  no comando da nação e por ingenuidade, por acreditar que os USA respeitariam a política independente de um país de seu quintal, por acreditar que a direita brasileira respeitaria a jovem República pós-64. Além disso, correu muito dinheiro por trás de tudo. Nenhum partido sobreviveria ao massacre que o PT sofreu. O que aconteceu só serviu para enxergarem pela primeira vez que os fascistas nacionais tem força como na Europa. Mas, uma coisa é certa: ninguém consegue por muito tempo manter a roda girando para trás.

  18. O erro foi a economia em queda

    Discordando do autor, digo que o grande erro do PT foi que em seu governo o desemprego aumentou absurdamente, e o PIB despencou, apenas isto.

    Mas a culpa foi do PT mesmo? O povo não quer nem saber. Se o PIB caiu, e o PT estava no poder então o “domínio do fato” é da Dilma, assim pensa o povo.

    De fato, o PT tem uma parte da culpa pelo PIB ter despencado. Principalmente por ter “democratizado” o Ministério Público, com seu republicanismo, ele foi culpado sim de empoderar setores conservadores do país, que são historicamente anti PT. E se este Ministério Público quebrou milhões de empregos, e centenas de empresas, neste combate sem limites à “corrupção”, e Dilma nada fez realmente contra isto,pelo contrário reconduziu Janot ao cargo então a culpa é dela sim.

    Se um condutor de uma carroça perde a rédea e a carroça segue para o abismo, a culpa é do cavalo ou do condutor?

    O PT deu mais importância à democracia do que ao PIB este é o erro.

    Digo até mais, que o povo suportaria muito mais satisfeito uma ditadura com pleno emprego e PIB em forte alta do que uma democracia com desemprego alto e PIB em queda acentuada.

    Não estou julgando se este modo de pensar do povo seja certo ou errado, mas sim relatando o fato.

    Dizia Maquiavel:

     

    “O povo esquece muito mais facilmente a morte do pai do que a perda do patrimônio”.

    No caso, o Patrimônio perdido é o emprego.

     

  19. PT

    O PT teve seus erros, como todos os partidos. Mas que partido resistiria ao massacre que o PT, Lula e a Dilma vem sofrendo nos últimos dois anos? Bastariam as manchetes dos jornais repercutindo a exposição daquele promotor fanático de Curitiba para acabar com a carreira de muita gente boa. Que partido resistiria a uma crise criada e alimentada por seus adversários e que a mídia insiste em culpar o governo da Dilma?

    Há muita análise das eleições feitas ainda no calor da hora. Evidentemente o PT e nossas esquerdas tem que repensar muita coisa. Mas me desculpem os chamados especialistas: realmente quem ganhou as eleições foi o partido da mídia ou, como diz FHA, o Pig

  20. A arte da guerra

    Sun Tzu no seu livro “A arte da guerra” fala:

    Quem conhece a si mesmo e o inimigo vencerá 100% das batalhas. Quem conhece a si mesmo e não conhece o inimigo ganhará metade das batalhas. Quem não conhece nem a si nem ao inimigo perderá todas as batalhas.

    Durante muitos anos o PT conheceu seu inimigo, que até então era a grande mídia associada aos partidos conservadores, conhecia também a si mesmo e seu poder de penetração nas massas, principalmente pelo carisma do seu grande lider, o Lula. Nesta ocasião venceu quatro eleições para a presidência da república e centenas de eleições para governos e prefeituras importantes, sem contar os milhares de cargos nos poderes legislatívos federais, estaduais e municipais. 

    No entanto, nos últimos tempos o PT deixou de conhecer o seu inimigo, pois este mudou. Não era mais somente a grande mídia, cada vez mais fraca, associada aos partidos de oposição, cada vez mais sem candidatos capazes de enfrentar o PT. Um outro conjunto de inimigos, mais poderosos do que estes dois últimos se associou ao combate ao PT. Este conjunto de inimigos, que alguns denominam de complexo Jurídico-Policial, é composto por setores poderosos e bem organizados dentros do poder Judiciário, dos Ministérios públicos estaduais, principalmente do Sul e Sudeste, do Ministério público federal e da Policia Federal. Este inimigo novo mostrou a primeira vez a cara contra o PT na ação do Mensalão, na qual um ministro do STF, oriundo do MP de MG, com auxílio dos outros ministros do supremo, e do Ministério Público Federal, inicou a destruição pública, com apoio da grande mídia e da oposição, de figuras emblemáticas e de grandes estrategistas do PT. Ali foi descoberta a fórmula que poderia tirar o PT do governo e torná-lo uma sombra do que era antes. E com a Lava Jato repetiu-se novamente esta formula, só que de maneira mais articulada entre as partes, o que levou a prisão de outros petistas, a deposição da presidenta Dilma e, muito provavelmente, a condenação e quiça a prisão do Lula. 

    Apesar desta configuração dos novos inimigos já ter sido notada por alguns desde o julgamento do mensalão e de alertas terem sido dados às lideranças petistas e ao governo, pouquíssimo foi feito para enfrentá-lo, pelo contrário, o governo só aumentava o poder dos seus inimigos com a política do “republicanismo” nas indicações do MPF e da PF, e na escolha de ministros conservadores para o STF. Neste sentido, toda vez que batiam no PT e no Governo, nada podia ser dito pois o próprio governo classificava estas instituições como Republicanas e havia escolhido aqueles ministros do STF. Logo fica evidente que nos últimos anos o PT e o governo não tinham uma compreensão clara de quem eram seus inimigos. Achavam que estavam combatendo a mídia, mas estavam combatendo algo novo e muito mais poderoso.

    Além disso, o PT deixou de conhecer a si mesmo, sua penetração na sociedade diminuiu, principalmente com a perda de setores da classe média antes favoráveis ou mesmo neutros em relação ao partido. O Lula se afastou da política estando mais focado em palestras e em receber homenagens no exterior. Quadros importantes do partido foram se afastando em muitos casos por inabilidade política do governo e do PT em lidar com eles, caso da senadora Marta Suplicy. E, finalmente, a inabilidade da Dilma após a reeleição, que quis pactuar com seus adversário ao invés de fazer política para os seus eleitores. Daí, para a derrota era só uma questão de tempo, pouco tempo.

    No entanto, após a derrota, que está longe de ser total, mesmo que eventualmente o Lula seja condenado ou mesmo preso, parece que as lideranças do PT estão tendo a humildade de se analisar  e analisar seus inimigos de maneira mais realistas e, algumas coisas já sinalizam que a estratégia traçada para os novos combates parece correto. 

    Quais são algumas destas estratégias que devem e já estão sendo seguidas: primeiro, caracterizar o complexo Jurídico-Policial como inimigos políticos e não mais como entes republicanos. Deixar claro que juízes, promotores e PF estão utilizando seu cargo para fazer política contra as forças progressistas e não são elementos neutros que deveriam arbitrar a disputa entre os partidos. Eles despudoradamente entraram no time dos convervadores. Segundo, se aproximar dos outros partidos de esquerda e centro, apoiando os seus candidatos quando no enfrentamento com candidatos conservadores. Terceiro, denunciar dioturnamente as manobras conservadoras para tirar o direito das classes menos favorecidas. Quarto, fortalecer a comunicação com a sociedade através de canais alternativos digitais, que tendem a ficarem cada vez mais forte.

    Desta maneira, se as forças que apoiam o estado democrático e de direito, principalmente o PT, voltarem novamente a conhecerem a si mesmo e a seu inimigo, muito em breve passarão a vencer suas batalhas.

     

  21. assédio

    João Feres é o bravo e infeliz valente que de cima de uma torre defensiva olhava preocupado a tropa inimiga, em número cada vez maior e com munição cada vez mais pesada, se aproximar perigosamente a cidadela. Enquanto de um lado escutava a música alegre e as gargalhadas do pessoal que dançava feliz e imperturbável o baile da paz e do amor do castelo, do outro lado escutava o barulho dos projeteis que cortavam o céu de brigadeiro, o barulho dos aríetes batendo as portas, os gritos raivosos do soldados inimigos que avançavam pelas escadas e torres de cerco, e sentia o cheiro da fumaça e o barulho do tremor das muralhas desabando. Mas nem mesmo o cerco permanente nem o assédio incessante nem os avisos insistente e preocupados de João Feres abalava a paz e o amor dos felizes moradores do castelo. Ele tentou construir uma ferramenta para medir a intensidade e a direção do fogo, mas pouca gente lhe deu atenção ou viu um uso prático de seu invento.

    É João, não é fácil não. Você tem todo o direito de espinafrar os petistas carpidores e penitentes e de lhes endereçar palavras duras. 

    Um abraço

  22. Assino embaixo, porém

    Um aspecto muito relevante e que o autor não menciona, as Org.Globo-capitã do golpe, talvez sejam dos maiores oligopólios da história do capitalismo tupiniquim.   Os caras controlam o futebol, novelas, Copa do mundo, Olimpíadas….devem ter ao menos 75% da audiência e possuem uma excelência na qualidade das imagens e da estética, ainda que o conteúdo seja um LIXO !!!
    Qq um que já leu sobre as leis e boas práticas de competição justa, sabe que participação de mercado acima de 33% já é sinal de alerta em EUA e Europa, e as empresas não brincam com isso para não sofrerem sanções ou prejuízo de imagem e reputação, mas aqui na terra dos botucudos….é sinal de competência e empresa bem sucedida.
    Faltou sim ao PT, enfrentar esse grande oligópolio e ter feito uma regulamentação da mídia nos tempos das vacas gordas e altos niveis de aprovação, por exemplo, parando de despejar $$ em propagandas estatais e investindo em uma comunicação direta com o povão, buscando conscientizá-los da necessidade de uma mídia plural, democrática e respeitadora das vontades do povo….infelizmente esse erro estratégico deve cair na conta de J.Dirceu, que 2o PHA dizia que o Brasil não precisa de uma grande canal público, pois já tínhamos a Globo. 

  23. A saída mais rápida.

    Perfeito artigo, pode fazer um grande governo, mas se os progressistas não informarem isso não adiantará nada. Por isso repito o que disse no artigo de Alexandre Tambellli. A saída mais rápida é a criação de um portal de notícias para contrapor a mídia, ainda que atinja menos pessoas que a TV, a juventude cada vez assiste menos TV, mas se informa por portais, principalmente através das redes sociais. A grande oportunidade é agora com o crescimento dos governos de direita que a velha mídia passará a ser porta voz desses governos, fazendo com que a poppulação desconfie da isenção. É a melhor oportunidadde de penetrar no monopólio da mídia, até porque é tradição do povo brasileiro criticar político, com os governos de direita, o povo vai ficar órfão da crítica. É fato que existe os blogs progressistas, e que a internet ainda não tem o alcance da TV, mas um grande portal progressista de notícias vai fazer muita diferença. Por exemplo, o aposentado que quer saber o resultado da MegaSena ele entra no Globo.com, UOL e afins e acaba se informando de política lá, sob a ótica e versão deles. A mesma coisa para os milhões que vão ler sobre futebol, tecnologia, concurso, celebridades, etc. Tentem imaginar onde os juízes, promotores e policiais deste país leem notícias na internet, mesmo que o assunto não seja política, sempre vai ter uma chamada em destaque tratando de política e ali se informam. Quantos desses sites colocaram, por exemplo, em letras garrafais que Serra recebeu R$ 23 milhões da Odebrecht?. Quanto isso contribuiu pra chegarmos onde estamos hoje? No dia que Dilma fez sua histórica defesa no Senado sai a notícia da separação do Bonner e Fátima; milhões de pessoas entraram nos portais para saber sobre a separação. Desses, quantos leram sobre a defesa da Dilma sob a ótica do “jornalismo” deles, ou apenas aquele título malandro? É isso que os portais fazem. Hoje com o Wharsapp distribuindo notícias entre as pessoas não dá para a esquerda ignorar um portal de notícias – quantos não entrariam para a seguinte chamada que jamais estaria na velha mídia?: “Em único dia, o Brasil perde pelo menos R$ 100 bilhões com a venda de Carcará”. Assim, em que pese o grande trabalho dos blogs, etc, e mesmo não tendo ainda o alcance da TV, é preciso portais progressistas de notícias urgentemente. Num país que tem uma imprensa como a nossa, que manda e desmanda, não se pode esperar que a História um dia conte a verdade – é preciso mostrá-la todos os dias. Pensem nisso.

  24. A saída mais rápida.

    Perfeito artigo, pode fazer um grande governo, mas se os progressistas não informarem isso não adiantará nada. Por isso repito o que disse no artigo de Alexandre Tambellli. A saída mais rápida é a criação de um portal de notícias para contrapor a mídia, ainda que atinja menos pessoas que a TV, a juventude cada vez assiste menos TV, mas se informa por portais, principalmente através das redes sociais. A grande oportunidade é agora com o crescimento dos governos de direita que a velha mídia passará a ser porta voz desses governos, fazendo com que a poppulação desconfie da isenção. É a melhor oportunidadde de penetrar no monopólio da mídia, até porque é tradição do povo brasileiro criticar político, com os governos de direita, o povo vai ficar órfão da crítica. É fato que existe os blogs progressistas, e que a internet ainda não tem o alcance da TV, mas um grande portal progressista de notícias vai fazer muita diferença. Por exemplo, o aposentado que quer saber o resultado da MegaSena ele entra no Globo.com, UOL e afins e acaba se informando de política lá, sob a ótica e versão deles. A mesma coisa para os milhões que vão ler sobre futebol, tecnologia, concurso, celebridades, etc. Tentem imaginar onde os juízes, promotores e policiais deste país leem notícias na internet, mesmo que o assunto não seja política, sempre vai ter uma chamada em destaque tratando de política e ali se informam. Quantos desses sites colocaram, por exemplo, em letras garrafais que Serra recebeu R$ 23 milhões da Odebrecht?. Quanto isso contribuiu pra chegarmos onde estamos hoje? No dia que Dilma fez sua histórica defesa no Senado sai a notícia da separação do Bonner e Fátima; milhões de pessoas entraram nos portais para saber sobre a separação. Desses, quantos leram sobre a defesa da Dilma sob a ótica do “jornalismo” deles, ou apenas aquele título malandro? É isso que os portais fazem. Hoje com o Wharsapp distribuindo notícias entre as pessoas não dá para a esquerda ignorar um portal de notícias – quantos não entrariam para a seguinte chamada que jamais estaria na velha mídia?: “Em único dia, o Brasil perde pelo menos R$ 100 bilhões com a venda de Carcará”. Assim, em que pese o grande trabalho dos blogs, etc, e mesmo não tendo ainda o alcance da TV, é preciso portais progressistas de notícias urgentemente. Num país que tem uma imprensa como a nossa, que manda e desmanda, não se pode esperar que a História um dia conte a verdade – é preciso mostrá-la todos os dias. Pensem nisso.

    • Concordo!
      Pego de exemplo eu

      Concordo!

      Pego de exemplo eu mesmo. 

      As vezes entro na rede só pra saber quando meu time joga, como está a classificação, qual filme vai passar ou qual o valor do dólar naquele momento. Qual site progressista me oferece isso? Nenhum! (que eu saiba)

      O próprio GGN pode e deve ter a ambição de ampliar. Nesses exemplos que dei não é necessário nem mesmo contratar um jornalista. Um bom programador insere essas informações no site em tempo real. 

      Além das excelentes análises é preciso urgente que haja também informação BRUTA. Agora que assinei o GGN e posso falar com o editor vou fazer esse pedido! rsrsrs

  25. Ótima análise. Conhecedor

    Ótima análise. Conhecedor profundo da mídia tupiniquim, aquela que quer que sua dócil platéia sirva de pasto para os interesses financeiros globais. Faustão é a cara da Globo assim como Alexandre Frota é a cara do porno-oposição ao Brasil. Porque vamos combinar, é imoral o mal que estão cometendo contra o país. Já venderam e agora simulam preços camaradas para o nosso pré-sal. É o nosso apocalipse econômico. O Haiti é aqui… Ou Síria, sei lá.

  26. O erro foi ganhar e não levar

    Nossos melhores quadros deviam voltar para as suas bases e manter esse impulso até gerar o reciclo autossustentado de lideres. Lula teve votos, mas não a estrutura suficiente para implantar um novo modelo ao Brasil. Para vencer e logo “levar” é necessário muito mais que milhões de votos (Dilma que o diga), mas sim a base social estruturada, com capilaridade e consciência política, que gere parlamentares suficientes para o legislativo.

    Cito alguns exemplos: Niterói na época de programas de saúde e médicos cubanos; os CIEPS do Brizola; a administração de Patrus Ananias em Belo Horizonte com o orçamento participativo, e muitos outros bons exemplos locais e regionais. Fomos perdendo toda essa capilaridade levando nossas forças e muitos dos lideres locais para uma luta prematura, sem base parlamentar e com passagem hoje traumática no planalto de Brasília. Perdemos as cidades e fomos encurralados com um impeachment.  Levamos os nossos melhores atores para um palco distante e perdemos a plateia que aplaude e da sustentação ao nosso show.

    As esquerdas devem conversar, sim, e estabelecer um planejamento a 6 anos, por exemplo, e avançar com políticas “planta piloto” em diversas regiões e polos, dando certo onde a população enxerga com os seus olhos e não com os olhos da mídia. O foco seria saúde, segurança e educação, com a criação de cidadãos conscientes e com amor ao Brasil. Educação física e desportes; ganhando campeonatos, e mostrando as vantagens do “modelo” utilizado na planta piloto.

    Naturalmente, depois de retomar forças suficientes, caminhar juntos para governos de Estado, “estados piloto” e, finalmente, Planalto vai cair de maduro. No dia 01 de janeiro, no primeiro dia de governo, acabar com a rede Globo. Agora sim teríamos alguma chance!

  27. A ingênua (???) Dilma (quando

    A ingênua (???) Dilma (quando nadava nas beneses da popularidade e da respeitabilidade e, por isso mesmo, tinha plena condições de agir em relação à lei dos meios): “usem o controle da TV”…. (reprodução aproximada de suas palavras). De traidora à traída

    • Injusta deformação de fatos.

      A interpretação da atitude infeliz da honrada senhora Dilma Roussef nesse episódio oscila entre a má vontade de entender, a desinformação, ou incapacidade para tanto, e até a desonestidade intelectual expressas nessa opinião. Evidentemente que a Presidenta naquele episódio tentou fazer uso de um recurso de natureza política, que não é o seu forte, sinalizando baixada de armas sobre um assunto que assombra as quadrilhas compostas pelos barões da mídia comercial. A democratização das comunicações que era, é e sempre será bandeira dela e de seu partido. Essa atitude infeliz pode ser atribuída a várias causas, inclusive a ingenuidade ou estupidez de uma assessoria abaixo da crítica que então assistia a Presidência da República. Se não me engano, nesse meio, em destaque, Helena Chagas que, de ingênua não tem nada, mas, é conhecida por suas afinidades com a GLOBO-Mossack & Fonseca. E, acima de tudo, a crítica não se sustenta porque nem Lula e nem ninguém nesse país teve ou terá força política para quebrar o sequestro da liberdade de expressão imposta ao povo brasileiro porque essa é a principal arma que permite aos banqueiros agiotas continuarem a manter o país cada vez mais na condição de protetorado dos países do Norte, cada vez mais, na direção de voltar a ser exportador de Café, como era a séculos atrás. Com o GOLPE e as medidas de retrocesso em andamento, não precisa nem revogar a Lei Áurea. A escravidão já estará de volta no país muito brevemente.

    • Não discordo da Dilma na questão do “controle remoto”

      Acho que a Dilma acertou ao não fazer a lei dos meios de comunicação. A Argentina fez e a oposição ganhou a eleição. O Brasil não fez e a oposição perdeu a eleição. No Brasil, ao contrário da Argentina, tiveram que dar o golpe para chegar ao poder.

      Foram muitos os erros do governo, mas na questão de mídia o que poderia ter sido feito é não der dado uma Copa do Mundo e uma Olimpíada de presente para o Globo. Além de ter ganho muito dinheiro com estes eventos, a Globo e os setores conservadores os usaram para criticar o governo (não nos esqueçamos que um dos lemas das manifestações de 2013 foram as solicitações de escolas e hospitais padrão copa). Além disso, poderia ter fortalecido um pouco mais os blog e portais da internet, mesmo os mais conservardores, em detrimento da teve aberta.

  28. A análise é boa, porém ela

    A análise é boa, porém ela peca por não perceber a interrelação entre os diversos “erros” do PT. Não ter atentado para a importância dos meios de comunicação foi um erro real e importantíssimo. Gosto de lembrar que no final do século XIX, o partido social-democrata alemão tinha jornal diário.

    Mas não foi de forma alguma produto de nenhuma “ingenuidade”. Foi produto da luta interna do partido, especificamente do peso específico das bancadas parlamentares dentro da estrutura partidária. Os parlamentares petistas, como todo parlamentar, desfrutaram por muito tempo de relações privilegiadas com a mídia comercial, cultivando proximidades com jornalistas para terem as suas opiniões veiculadas sem ter de passar pelo crivo da democracia ou burocracia internas do partido. Se o partido tivesse sua própria imprensa, tais relações com a mídia comercial perderiam o sentido, e os parlamentares perderiam um instrumento precioso de intervenção na luta interna do PT a partir de fora.

    Assim, esse erro não é uma coisa isolada, independente da “corrupção”; ele é em si mesmo produto da “corrupção” do partido, no sentido mais amplo da palavra “corrupção”, tomada não apenas como as atividades criminosas listadas no Código Penal, mas como a acomodação confortável à ordem – em si mesma corrupta – da sociedade capitalista. Não tivemos imprensa para fazer o combate ideológico contra a direita, é verdade. Mas não porque tenhamos sido ingênuos, e sim por que não tivemos muito interesse em combater a direita, nem ideologicamente nem de outra forma, e preferimos, em vez disso, cultivar amizades políticas com a direita.

    Se não entendermos a política partidária desenvolvida pelo PT como um todo articulado, estaremos condenados, como os carpidores que o texto denuncia, a pinçar aspectos isolados dessa política e alçá-los à condição de explicação central da derrota; como cada carpidor vai pegar um aspecto diferente, a luta interna na esquerda vai se acirrar. No limite, isso pode levar à implosão; mais provavelmente leva a uma auto-crítica parcial e contraditória, na medida em que críticas parciais apontam em direções opostas (fomos derrotados porque abandonamos o programa, fomos derrotados por que não construímos alianças mais sólidas ao centro – como se fosse possível construir tais alianças sem abandonar o programa).

  29. Ufa!!

    Na leitura do título do post vem logo a impressão de que lá vem mais um Mané (ou carpideiro, como fala o nobre missivista) a tentar tecer elaborações sobre questões complexas que lhe escapam à limitada visão, severamente abalada pelas emanações mitiáticas, como estamos todos nós, afinal. Que ninguém é de ferro. Mas, não! Alvíssaras!! O texto trata com precisão do tema em debate. Muito grato. So faltaria enfatizar que o “erro do PT” talvez tenha sido ter lideranças renhidas, calejadas e por demais resistentes ao ponto de sobreviver operando políticamente um projeto de extraordinário sucesso, por mais de uma década, sendo diariamente bombardeado pelos maiores partidoa políticos clandestinos do Brasil, associados em formato de organização criminosa. O partido do judiciário e seus aliados MP, PF et caterva e o Partido constituído pelas quadrilhas controladoras de jornais, rádios e TVs. Poderiam essas lideranças terem se rendido logo no início da peleja e, quem sabe, os chefes das quadrilhas associadas até autorizassem que eles fizessem um pé de meia para garantir tranquilidade e opulência para sí e para familiares, como tem feito com os bandidos participantes de premiadas delações. E, melhor de tudo. Em vez de serem acusados de bandidos, poderiam ser pintados como heróis nacionais, como esses premiados delatores.

  30. Um dos grandes erros do PT,
    Um dos grandes erros do PT, foi, quando estava no topo, não buscar as inteligências do Brasil, para montar uma estratégia dentro da legalidade, para unir e desenvolver uma proposta coerente que aglutinasse as esquerdas, montar um planejamento de poder de longuíssimo prazo, em benefício dos mais pobres mas que envolvesse a classe média, para com isso, enfraquecer os adversários.
    Se a Erundina tivesse apoiado o Haddad, a disputa estaria no segundo turno.

  31. Boa Análise

    Temos nos inclinado a buscar a pôr a culpa única e exclusivamente na vítima, às vezes negligenciando o papel decisivo que a mídia teve na construção e desfecho do golpe. Uma boa análise.

  32. O PT deveria fazer aquilo de
    O PT deveria fazer aquilo de que foi acusado desde o primeiro dia do governo Lula: APARELHO SEM O MENOR MEDO DE SER FELIZ.

    Não precisaria de mais nada – claro que recomendar o uso do “controle remoto” é de uma imbecilidade raras vezes vista, mas toda a crise institucional foi criada anabolizada por gente escolhida de modo “republicano”. Fizesse isso, poderia até ser mais corrupto, chegando ao nível de um PSDB, e nada aconteceria.

  33. Maravilha, pô! De vez em
    Maravilha, pô! De vez em quando precisa um sujeito como esse pra botar pingos nos is e jotas, chutar o pau da barraca com objetividade assim. Mimimi daqui e dali , uns por oportunismo, outros porque levaram uma traulitada tamanha, começam a repetir o discurso do inimigo ( é como inimigo que o outro lado vem tratando a coisa) , tá rolando síndrome de Estocolmo, rs. A expressão “massacre midiático” continua na pauta, sim!!, sem isso não teria nem Lava Tudo o Que For  PT. 

  34. O grande erro do PT no poder

    O grande erro do PT no poder foi ter se acomoadado com a política econômica e monetária de juros altos, dólar baixo e histeria anti-inflacionária sem se preocupar em desenvoler uma política industrial bem estruturada e de longo prazo.

    Enquanto sobrou grana no mundo foi possível conviver com essa política e usar as migalhas que sobravam para melhorar um pouco a vida do povo com os programas sociais e os arremedos de políticas anti-cíclicas mal feitas.

    Quando deixou de sobrar grana acabou a farra e não sobrou indústria nacional, não sobrou infraestrutura, não sobrou Petrobras, não sobrou superávit.

    Enquanto as coisas iam bem nem mesmo toda mídia contra era capaz de derrubar o governo, pois, afinal, se o país cresce e o povo melhora, ora, quem vai se importar. Naquele momento, com quase todo país a favor, teria sido possível começar a desmontar essa bomba que vem desde o início do plano Real. Teria sido possível enfrentar toda a fúria monstruosa dos poderosos grupos beneficários do rentismo. Mas perdeu-se a oportunidade, infelizmente. Agora vai ser difícil alguém ter apoio da população com propostas ditas “intervencionistas” pois isso vai ser taxado como coisa de esquerdista e na cabeça da população hoje ser de esquerda é sinônimo de ser burro, atrasado, pouco eficiente, corrupto e alienado.

    Eu considero o erro econômico muito pior que o erro de ter se aliado ao fisiologismo corrupto de PMDB, PP, etc e muito pior do que não ter “enfrentado” a mídia. Tivesse tido coragem (e competência) para desatar os nós que amarram nosso real desenvolvimento a crise econômica não existiria e com a força do povo e dos números o governo não teria sido derrubado. E aí num segundo momento teria sido possível lutar por um sistema político eleitoral mais orgânico e menos corrupto e um sistema de comunicação mais plural e democrático.

    • O grande erro

      Em 2001 as criancas com 5 anos estariam em 2014 proximo dos 20 anos e seriam os novos lideres denfensores de um Brasil forte e democratico, SE tivesse feito e seguid num grande projeto de valorizacao peofissional e tecnico com investimentos precisos na educacao fundamental, que levaria a maioria a competir e discutir num mercado moderno e superior em qualquer parte do mundo. 

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