PT não vai acabar, mas deve mostrar que mudanças não são “palavras ao vento”

Jornal GGN – O Estadão publicou nesta quarta-feira (4) uma entrevista com o sociológoco Luiz Werneck Vianna, professor da PUC-RJ, com mais de 50 anos de experiêncas e passagem pela gestçao do ex-presidente Lula.

Na visão de Vianna, o PT surfa numa onda negativa que lhe trará prejuízos – principalmente para o prefeito Fernando Haddad, que tentará a reeleição ao Paço paulistano em 2016 -, mas isso não significa que o partido vai acabar.

Para o sociólogo, o que o PT precisa é fazer uma autocrítica, mas aproveita que tem lideranças como Lula e deixar claro que mudanças serão feitas num “horizonte” de curto prazo, que não são “palavras ao vento”.

O GGN destacou os principais trechos da entrevista cedida à jornalista Alexandra Martins:

Crise do PT e Lula

“Essa vizinhança das investigações com relação ao ex-presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) é algo muito preocupante. Ele é uma das maiores lideranças políticas do Brasil contemporâneo, criou um partido que é uma presença ainda relevante na nossa história política. Em algum momento esse partido, que tinha uma trajetória feliz, falhou pensando na ampliação da sua projeção. Com isso, trouxe também uma carga negativa, o patrimonialismo (a falta de distinção entre patrimônio público e privado). Essa (investigação) é uma questão política, certamente, embora agora esteja sendo tratada como fato policial. Espero que o ex-presidente tenha um tratamento justo do ponto de vista policial. Do ponto de vista político, no entanto, é inevitável constatar que isso chegou a seu sistema nervoso central (do PT), sua liderança maior partidária. Que sua defesa seja feita fora dos trâmites policiais e passe a ser feita no fórum da política. O PT passou da hora de fazer uma autocrítica. A esta altura, as lideranças mais pesadas não ignoram os elementos de erro que se introduziram. O PT não vai acabar, aliás, não deve acabar, mas deve mudar.”

Papel de Lula na mudança do PT

“(Ele) Tem que se defender bem e definir uma linha de ação onde as mudanças fiquem muito presentes no horizonte. Não podem ser palavras ao vento.”

Haddad fica ou sai do PT em 2016?

“Ele entra fraco na disputa, sem dúvida. Qualquer um que seja do PT, entra fraco. Para ele, politicamente, é interessante sair sim, mas, por razões ético-morais, ele fica. Politicamente nada o agarraria. O futuro dele está fora do PT, mas pode ser que ele – que tem feito uma boa administração, relativamente bem aceita pela cidade – fique lá por esses motivos.”

Sinais de melhora para o PT nas próximas eleições

“A economia pode melhorar, soprando a favor do governo. Esse é um ponto, pois pode melhorar sim. Se há melhora na economia, o mundo do trabalho olha com jeito mais favorável para o governo.”

Leia a entrevista completa aqui.

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