Rede critica Dilma e diz que tentará manter aliados para próxima eleição

Jornal GGN – A Rede Sustentabilidade publicou nesta quinta-feira (8) um artigo fruto do encontro nacional do partido em Brasília, realizado em dezembro de 2014, no qual reafirma que não haverá qualquer tipo de composição com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A meta, segundo a legenda, é permanecer “independente” do Planalto, revisar o programa de governo da última eleição e entrar na próxima disputa presidencial com o mesmo discurso de terceira via.

Analisando a última disputa presidencial – quando Marina Silva (PSB) terminou novamente em terceiro lugar -, a Rede destacou que enfrentou dificuldades para as quais não estava preparada, como a morte do ex-governador Eduardo Campos, além da falta de recursos em comparação aos adversários. Apesar disso, reafirmou como acertada a decisão de orientar a militância a não votar em Dilma no segundo turno. As opções sugeridas eram o voto Aécio Neves (PSDB), o voto branco ou o voto nulo.

A diretriz do partido, que ainda coleta assinaturas para fazer-se legítimo diante do Tribunal Superior Eleitoral, é de tentar manter a aliança com os partidos que integraram a coligação Unidos pelo Brasil, como PSB e PPS, e colocar quadros à disposição dos governo eleitos no primeiro e segundo turno. A legenda ainda disparou contra o “presidencialismo de coalizão” mantido por Dilma no segundo mandato, cuja política é de “fatiar o Estado” em troca de apoio.

Além disso, a Rede negou que caminhará na oposição ao governo Dilma de mãos dadas com o PSDB, mas deixou de observar que em alguns Estados – São Paulo, por exemplo – PSDB e PSB fizeram dobradinhas vitoriosas.

Para a Rede, mesmo que PT e PSDB tenham sido conduzidos novamente ao segundo turno presidencial, o discurso contrário à polarização permanece. Agora, a perpectiva do partido é a de dialogar não apenas com os eleitores de Marina, mas com aqueles que votaram em Aécio e mesmo em Dilma. No último caso, a Rede conta com a decepção daqueles que escolheram a presidente petista mas se supreenderam com as medidas “conversadoras e liberais” que ela adotou nesse novo mandato.

 

Leia abaixo a resolução da Rede.

Uma agenda democrática e sustentável para o país

A reeleição de Dilma Rousseff para a presidência do Brasil significou uma derrota para o movimento de mudança da sociedade brasileira, que desde junho de 2013 tem ido às ruas exigir transformações no atual sistema político e social.

A vitória do PT foi possível pelo uso do poderio econômico e material acumulado no exercício do governo, combinado com um marketing agressivo e mentiroso – que priorizou a desconstrução pessoal da candidatura de Marina Silva –, baseado em falsas premissas ideológicas destinadas a confundir nossas propostas com projetos conservadores. Em contraposição, a candidatura oficial autoproclamava-se também uma alternativa de mudança – supostamente a única de caráter popular –, com slogans como “Mais Mudanças” e “Governo Novo, Idéias Novas”.

Nunca antes se viu no Brasil um processo eleitoral tão marcado, ao mesmo tempo, pelo poder do dinheiro, uso da máquina de Estado, manipulação da sociedade pelo medo, ocultação de informações e rejeição ao debate de programas. Por outro lado, a oposição foi incapaz de capturar o sentimento mudancista da população, que se mostrava insegura diante das propostas de Marina Silva e receosa de um retrocesso conservador com Aécio Neves.

Os ataques da campanha de Dilma à candidatura de Marina, já forte pela brutal desigualdade de meios, recursos e tempo no horário eleitoral, nutriram-se ainda de nossas contradições, falhas de encaminhamento no programa de governo e dificuldades próprias de uma campanha com esse grau de complexidade. Para algumas dessas dificuldades não tínhamos como estar preparados. Afinal, a campanha se inicia com a morte trágica do candidato, Eduardo Campos. Para exemplificar com uma dificuldade específica, podemos lembrar que na semana em que se iniciava a campanha, tivemos que descartar toneladas de material já produzido, sem ter recursos ou condições para sua rápida reposição.

Apesar da derrota, o sentimento majoritário na sociedade foi o desejo de mudança. O resultado eleitoral não deixa dúvida: a maioria da sociedade, 62% dos eleitores, não apoiou a candidatura vitoriosa. Esse anseio por mudanças permanecerá no período que se abre com a posse do novo velho governo. Por isso, é possível não somente dialogar com as pessoas que votaram em nossa candidatura no primeiro turno, que rejeitaram o projeto governista no segundo turno, mas também com parte do eleitorado que optou por Dilma, imaginando que lá haveria mudança.

Nos próximos quatros anos, a sociedade deverá reafirmar a necessidade de mudanças sociais, econômicas e políticas de caráter democrático contra a tendência conservadora previsível para o segundo governo Dilma, que tende a aprofundar seu modelo desenvolvimentista insustentável, misturando políticas econômicas liberais com estilo populista-autoritário e o vago chamamento a uma participação popular que, na prática, se transforma em tentativa de mais controle do grupo governante sobre o Estado e a sociedade.

Há entretanto, um núcleo de resistência na sociedade, em que se articula a possibilidade de retomada do movimento por mudanças. Nesse sentido, reafirmamos como muito relevante a votação de 22 milhões conquistada por Marina Silva e pela coligação “Unidos pelo Brasil”, demonstrando que 21% do eleitorado brasileiro alinharam-se com uma alternativa de mudança qualificada pela proposta do Desenvolvimento Sustentável. Também se mostrou correto o posicionamento da Rede Sustentabilidade no final do primeiro turno, de orientar o voto de sua militância na mudança – representada pelas alternativas Aécio, branco ou nulo – mantendo a independência do partido e sinalizando que não teríamos qualquer compromisso de apoio ou composição com o futuro governo, em qualquer resultado.

Embora derrotado eleitoralmente, nosso projeto cresceu e consolidou um campo político que desde 2010 vem rejeitando a polarização PT x PSDB e buscando uma nova alternativa para o país. Cabe agora à Rede Sustentabilidade promover o diálogo nesse campo político, firmando laços mais orgânicos com os setores sociais que o compõem e articulando sua atuação na conjuntura política com as necessidades da maioria da população e da sustentabilidade planetária.

Mesmo que a polarização tenha sido trazida novamente para o centro da cena política com o segundo turno eleitoral, avaliamos que isso não significa um sinal de perpetuação, dado que a história é um processo em aberto. Ao contrário, reafirmamos que esta é uma reedição piorada da velha disputa direita x esquerda, movida a maniqueísmos e desinformação, afastada das necessidades urgentes da sociedade brasileira e baseada numa falsa “luta ideológica”, dado que sabemos que há pontos em comum nos dois projetos. A exasperada divisão que essa polarização impõe ao país já deu, em duas eleições seguidas, sinais de esgotamento que abrem grandes possibilidades de crescimento para forças políticas e sociais que avancem em outra direção. A realidade da crise civilizatória demonstrará que a saída realmente progressista, coerente com os princípios da democracia e capaz de atender à mudança social, econômica e ambiental, é a idéia nova, cujo tempo chegou: a sustentabilidade.

Reafirmamos, portanto, a necessidade de superar a polarização pela qual o pais tem pago um alto custo. Só um projeto que esteja à frente da disputa PT x PSDB, dialogando com as núcleos vivos da sociedade e com os melhores de cada um e de todos os partidos, que demonstre para a população o conteúdo destrutivo da crise civilizatória sistêmica em que estamos imersos, e que seja capaz de definir a sustentabilidade enquanto projeto político-ideológico, pode se transformar em uma saída consequente, popular e transformadora para enfrentar os desafios atuais e futuros no Brasil. Para isso, precisamos nos preparar para atuar na sociedade e nas instituições políticas com muita paciência, firmeza e dedicação.

Não nos enganemos: a desconstrução promovida pelo “establishment” político e midiático continuará, porque sabemos que seu objetivo central é matar a proposta nova no nascedouro. Somente poderemos nos contrapor a esse intento na medida em que avançarmos na clareza de nossas propostas para a sociedade. Todavia, não devemos subestimar, como de certa forma fizemos durante o período eleitoral, a determinação dos que querem se manter no poder a qualquer custo. Cada gesto, cada palavra, cada ação nossa, tudo será tirado do contexto e distorcido para nos fragilizar. Já sabemos, pela experiência tão recentemente vivida, que não há limites éticos para os que agem assim.

Devemos ser incansáveis na defesa de nossas teses, explicá-las de forma pedagógica e em diálogo com todos os que queiram participar desse novo caminho, dessa nova maneira de caminhar, sem reproduzir sectarismos da velha esquerda. Para fortalecer o projeto da sustentabilidade, devemos construir um posicionamento claro, independente e propositivo nas lutas que virão. Cabe-nos demonstrar o caráter progressista, transformador e combativo da Rede Sustentabilidade, ao mesmo tempo em que viabilizamos seu registro.

Desse modo, reafirmamos o nosso compromisso com a sociedade brasileira na busca por mudanças qualificadas e rumo ao desenvolvimento sustentável. Guardaremos total independência frente ao governo Dilma e os governos locais com ele alinhados. Coerentes com os valores e propostas da Rede Sustentabilidade, na busca por uma nova política, apoiaremos as ações de governo que forem de interesse popular e combateremos os retrocessos. Sabemos que isso nos colocará, na maioria das vezes, em oposição ao governo.

Entretanto, não nos alinharemos a priori com a oposição liderada pelo PSDB ou por outros partidos: atuaremos juntos quando houver sintonia programática. Nossa atuação não pode ter a velha marca do sectarismo e maniqueísmo, tanto de direita como de esquerda. Devemos construir um posicionamento livre, analítico, criativo e construtivo, buscando o bem do país e da sociedade.

Quanto à coligação “Unidos pelo Brasil”, faremos esforços para mantê-la e até ampliá-la, valorizando a aliança programática que a constituiu, dialogando para melhorar o programa que lhe serviu de base, agindo em conjunto sempre que isso resultar nas transformações que julgamos necessárias, seja no parlamento, seja na sociedade.

Na medida do possível, fortaleceremos essa aliança também nos estados, em lutas locais, estaduais e regionais. No Distrito Federal e nos estados onde fizemos alianças no primeiro turno, estaremos abertos à participação nos governos que ajudamos a eleger, dispondo-nos a assumir tarefas qualificadas em suas administrações. Em governos que tiveram nosso apoio somente no segundo turno, analisaremos nossa participação caso a caso. Atuaremos de forma independente e não faremos parte da base aliada dos governos estaduais eleitos nos demais casos.

Leia aqui a resolução da Rede na íntegra.

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17 comentários

  1. Chuva de $$$

    Nassif,

    Ora ora, a acreana lé com cré ainda está viva.

    A figura, depois de seu lauto almoço com sopa de alfafa, poderia aproveitar estas ocasiões para explicar o motivo de suas Ongs receberem aquela chuva de $$ milhões, uma vez que as ditas cujas não fazem exatamente nada.

    Se fazem algo de útil, o que é algo raticamente impossível, a sempre esperta que mostre a todos. MSilva é bom exemplo de político que acabou mas não foi avisado do seu fim. Deveria se candidatar em Londres, uma vez que o Financial Times a adora.  

    • Exato!

      E lá ainda pode contar com o valoroso suporte de seus ” amigos ” donos da Natura, que lá moram.. Essa foto de Osmarina torna nossa leitura estranha como se o azar estivesse nos espreitando. Cruz Credo! 

    • Desconfio que Londres e o

      Desconfio que Londres e o Financial Times devem estar à cata (se ainda não encontraram) de outro salvador de planeta para se imiscuir na eleição presidencial brasileira em 2018.  Isso a depender das águas que rolarão (excetuando SP) neste mundo conturbado e com perspectivas sombrias.

      O interessante dessa matéria é a referência à morte de Eduardo Campos. Antes, vista como ação da Providência Divina para um projeto maior. Agora, é encarada como uma dificuldade na campanha da Marina. Campanha que não teria existido se o trágico acidente não tivesse ocorrido.

  2. E sobre o aviãozinho? Nadica

    E sobre o aviãozinho? Nadica de nada? Tenho grandes esperanças que nossa estimada Marina volte a se candidatar em 2018; ela e sua Neca são impagáveis (fotogênicamente falando, é claro).

  3. os satélites ainda não conseguiram ver o novo de Marina

    As imagens de satélites e nem os melhores telescópios ainda não conseguiram vislumbrar a nova política de Marina. Essa de dizer que foi descontruída durante a campanha mostra o seu discurso fora de órbita. A nova política apoiou o Aécio, candidato da grande mídia e que não teria essa votação toda sem o apoio da mesma. Não explicou ainda quem era o dono do avião em que usou várias vezes. Deixou tansplarecer claramente que o seu objetivo era derrotar o PT, partido esse que a projetou. Na expressão popular, criou uma cobra para lhe morder. Perdeu a sua maior chance de pelo menos chegar em 2º lugar, já que o Aécio era um candidato fraco, sua votação alta foi mais devido ao apoio da mídia conservadora. Tentaram compará-la com o Lula, coisa que está a milhões de anos luz. Uma pessoa que teve a chance de conhecer a teologia da libertação e se rende a uma teologia fundamentalista, realmente sua nova política talvez exista quem sabe em outra galáxia, porque nesta até agora suas imagens não foram captadas…

  4. Marina

    Não li toda a reportagem, confesso, mas quero só reafirmar que após Marina apoiar Aécio no segundo turno, pra mim ela assinou seu atestado de óbito político.

    Houvesse se mantido neutra, eu ainda a respeitaria. Agora, não mais.

  5. Manter ?

    Manter o tipo de aliado que a Marina Silva está citando não acrescenta nada à sua história de luta. e não sei se é válido para a tão propagada busca de uma “terceira via”. Na verdade é apenas uma “via auxiliar” da corrente demotucana, que já é manjada, e  talvez  a tentativa seja de receber igualmente a blindagem da grande imprensa e de alguns setores públicos que tradicionalmente atuam com grande simpatias pelo demotucanato. Se é isso, que tristeza ! O eleitorado  espera uma terceira via “de fato”, uma vez constatado o esgotamento do modelo atual, sujeito a chantagens de todos os tipos. Até agora, estão devendo !

  6. Tem um apoiador da Marina

    Tem um apoiador da Marina aqui no blog, o que achou das palavras da Marina ?

    A Marina é sem noção, ela foi inflada pelo PIG apenas para prejudicar o PT.

    Será que ela acha mesmo que tem condições de governar um país de 202 milhões de habitantes com suas complexidades, apenas com discurso vazio ?

    Vai continuar perder perdendo, como ela mesmo disse.

  7. Mas não vai fazer composição

    Mas não vai fazer composição com o governo Dilma??? Realmente, um partido que tem 0 (zero) deputados eleitos, 0 (zero) senadores eleitos e ainda sequer existe fará muuuuita falta ao governo. Esse pessoal realmente se acha.

    E por falar nisso, como é que pode uma pessoa reconhecidíssima como Marina, “a mulher do ano”, ainda não ter conseguido juntar assinaturas para o seu partido?

    E como é que a morte de Eduardo Campos atrapalhou a campanha da Marina se a candidatura dela só aconteceu por causa da morte dele? Que conversa de doido é essa???

     

  8. um partido que se declara

    um partido que se declara apolítico  d sem representantes

    não pode fazer alianças com ninguém vinculado a partidos….

    a marina continua óbvia como sempre….

  9. blablabla

    Mas o último paragrafo é interessante, parece que ela esta pedindo emprego para os “aliados”.

    Como a rede não existe  será que alguém vai chamar a Marina pro seu governo? Estou curiosa em saber.

  10. + comentários

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