Bolsonaro indica, agora, que está sem saída e que deve cortar recursos de pobres

Bolsonaro pediu "opções de como atender a esses milhões de desassistidos" à imprensa, criticando-a, e afirmando que o governo está "aberto a sugestões"

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – “O Auxílio Emergencial, infelizmente para os demagogos e comunistas, não pode ser para sempre”, disse o presidente Jair Bolsonaro, em comunicado nas redes sociais, na manhã desta terça (29).

A declaração do mandatário ocorre um dia depois dos anúncios de sua equipe econômica, encabeçada por Paulo Guedes, de que o novo programa social, o Renda Cidadã, será sustentado pelo hoje auxílio emergencial, com o uso de precatórios e de recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), além, é claro, dos recursos destinados ao Bolsa Família.

Apesar da negativa pública de Jair Bolsonaro, de que não tiraria recursos dos pobres para dar aos mais pobres, a proposta de gastos do Orçamento para 2021 não é sustentável, já sem incluir este programa, conforme mostramos em reportagem. Segundo análise de técnicos, o Teto dos Gastos deverá ser rompido.

Entretanto, ao dar o anúncio nesta segunda (28), sobre a forma de financiamento desse Renda Cidadã, o ministro de Jair Bolsonaro frisou que irá se comprometer com a política fiscal e não irá ultrapassar o teto. A saída? “Substituições”, admitiu Guedes.

Tanto os investidores, como representantes de entidades civis se manifestaram contrários e repudiando a decisão. Por parte dos investidores, o governo não apresentou ainda uma proposta de reforma tributária e não ficou claro como os novos gastos serão arcados sem haver mais cortes.

No Congresso, relatores da proposta do Fundeb criticaram duramente o governo, e defenderam que o projeto seja reprovado. barrado. “Absurdo completo, lastimável e impensável”, disse o senador Flavio Arns (Podemos-PR) ao jornal O Globo.

“Eu diria que as chances de aprovar uma matéria dessa natureza é muito difícil no Senado e na Câmara. Todo mundo votou na Câmara justamente o contrário e agora vão querer mudar tudo. A chance de ser aprovada é difícil”, disse.

“Lá na década de 70, talvez até 80, era possível fazer asfalto a dois quilômetros da escola, na porta da escola, e colocar como recurso da educação. Esse tempo já passou e passou muito. Quando a educação funciona, eu estou fazendo uma enorme mudança na situação de vulnerabilidade de uma família. Acho que há uma falta de compreensão da importância da educação para esse desenvolvimento, e esse é o ponto mais lamentável”, disse a deputada Dorinha (DEM-TO), também ao Globo.

Na mensagem, Bolsonaro revelou que não encontra saídas, pedindo, inclusive “opções de como atender a esses milhões de desassistidos” da imprensa, criticando-a, e afirmando que o governo está “aberto a sugestões juntamente com líderes partidários”.

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