Para Márcio Pochmann, país pode sair do caminho recessivo

Da Rede Brasil Atual

 
Presidente da Fundação Perseu Abramo diz que governo tem ciência de que o quadro pode se alastrar e contaminar também o próximo ano e que, portanto, é preciso tomar iniciativas mais firmes
 
São Paulo – Em entrevista à Rádio Brasil Atual hoje (7), o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, rebate críticas ao documento “Por um Brasil mais justo e democrático”, lançado por ele, em conjunto com outros 200 profissionais, entre economistas, advogados, urbanistas e intelectuais, com o objetivo de oferecer alternativas à crise econômica.

Segundo o economista, as medidas de combate à crise deveriam ter sido tomadas de forma gradual, e o ajuste fiscal implementado provocou um choque que desorganizou a capacidade do governo de liderar os investimentos. O economista destaca ainda a necessidade de fortalecimento da indústria, e que a conjuntura para tanto é favorável, dada a desvalorização cambial.

Sobre as críticas veiculadas na imprensa tradicional às propostas contidas no documento, Pochmann diz que as recebeu de “de forma democrática”, mas que parte delas é destrutiva, e parte de uma visão que ele identifica como “certo terrorismo econômico”. Ele defende que é preciso pensar os rumos para o país, no médio e longo prazos.

“É necessário discutir o Brasil e mostrar que há alternativas. Não estamos prisioneiros de um só caminho, que passa pela recessão em que estamos vivendo. É plenamente possível identificar que a retomada do crescimento da economia poderá oferecer condições muito melhores que temos no atual momento”, defende Pochmann.

Ele diz que o governo tem ciência de que o quadro recessivo, inicialmente previsto para o primeiro semestre deste ano, pode se alastrar e contaminar também o ano que vem e que, portanto, é preciso tomar iniciativas mais firmes.

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Acesse a íntegra do documento “Por um Brasil mais justo e democrático”:

O economista afirma que, passadas as batalhas mais importantes, no âmbito do Congresso Nacional, como apreciação dos vetos presidenciais, o governo terá maiores condições de liderar esforço pela retomada econômica.

“O governo deu um passo importante na recomposição ministerial. Superando essa situação de instabilidade política, acredito que o governo vai ter melhores condições para poder encaminhas medidas que visam a recuperar a competitividade, como a própria redução da taxa de juros, desbloqueando os investimentos públicos, que são chave no ponto de vista de estimular os investimentos privados.”

Ele lembra que, com a desvalorização do real frente ao dólar, são positivas as condições para a atração de investimentos internacionais, com base na substituição de importações e no estímulo às exportações, e que as áreas como infraestrutura e agricultura continuam se mostrando atraentes e “dando sinais de muita prosperidade”.

Pochmann compara o quadro atual, com situação ocorrida em 1999, quando imediatamente após a eleição, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também adotou medidas contrárias ao seu discurso de campanha, com forte teor contracionista e, contudo, a recuperação ocorreu, e no ano seguinte, a taxa de crescimento do PIB foi de 4,5%.  “Não podemos descartar que o ano de 2015 possa ser apenas um ponto de inflexão, com um melhor encaminhamento para o ano de 2016.”

Perguntado sobre impactos de uma eventual rejeição do balanço da contas da presidenta Dilma Rousseff pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Pochmann lembra que o órgão não tem o papel de Justiça, e que a decisão caberá ao Congresso. Ele ressaltou ainda que as ditas ‘pedaladas’ “tratavam-se, fundamentalmente, de repetição de medidas já realizadas por outros governos, inclusive o governo FHC”.

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7 comentários

  1. Campinas

    Viram? Campinas tem o dia do 7×1, tem o Dia da Glória Bugrina, tem lixos lorpas como Carlos Sampaio e Luiz Lauro Filho, mas tem alguma coisa que o valha, que é Marcio Pochmann. Nem tudo está perdido.

    Aqui a moda agora é proibir e criminalizar artistas de rua. Elegeram um prefeito justamente com essa bandeira: elitismo e higienização. Não entendo a surpresa da elitezinha campineira, que consegue ser ainda pior que a paulistana. Segue o jogo.

  2. Sem que sejamos realmente uma

    Sem que sejamos realmente uma república federativa democrática com voto distrital nada vai mudar.

    Porque hoje não somos uma república, muito menos uma federação e longe de ser uma democracia. 

    A república é uma monarquia de 5 anos, um ajuntamento de politicos que se eternizam no poder.

    A federação é na verdade um estado único.

    A democracia é na verdade compra e venda de votos, com abuso de poder economico, com politicos que não sabem quem os elegeu e eleitores que não sabem quem elegeram.

    E não vai ser o PT, PSDB, PMDB, DEM  que vão mudar isso.

    • O problema é que só se compra

      O problema é que só se compra aquilo que está à venda. Por isso não acredito em financiamento público de campanha com esses mesmos políticos vendidos que temos aí.

  3. Pochmann é o nome?

    1. Lula monta o super Conselho Consultivo do PT, composto por 31 membros, entre eles Márcio Pochmann, e os escritores Fernando Morais e Eric Nepomuceno.;

    2. dia 21 de setembro pela primeira vez o Conselho se reúne a portas fechadas e debate vários assuntos em pauta. Ninguém dá entrevistas ao sair, o único a falar com a imprensa é o Rui Falcão, que declara platitudes, como de hábito;

    3. dia 29 de setembro, o escritor Fernando Morais publica no seu Facebook uma foto do Pochmann, e o seguinte texto:

    “meu candidato a ministro da fazenda é o economista márcio pochman, ex-presidente do ipea, candidato a prefeito de campinas em 2010 e atual presidente da fundação perseu abramo. ele é um dos autores do documento de crítica à política econômica do joaquim levy divulgado ontem. mas eu não mando nada”

    4. Desde a reunião de 21 de setembro Pochmann começa a aparecer pra tudo que é lado, falar muito, dar entrevistas pra todo e qualquer veículo, ocupar espaços. Pelos temas abordados, está em plena campanha.Para Ministro.  

    Leituras possíveis: Se Pochmann vai ou não ser ministro da Fazenda (ou se ainda vai haver governo para isso) não se sabe, afinal a caneta é da tia Dilma, o que dá para inferir é que na reunião do Conselho fecharam questão em torno do nome do Márcio para a Fazenda. Agora é trabalhar a derrubada do Bradesco boy.

     

  4. M. Porchman foi sugestão de Mangabeira Unger

    pelo que saiu na mídia ou por aqui. Assim como o novo e mais abrangente e mais realista indicador pelo IPEA sobre Vulnerabilidade nas capitais, regioes metropolitanas (v. Fora de Pauta de ontem). E ainda há quem pense que Unger veio só aperfeiçoar seu português, ou sonhar pro próximo século, ou, até que enfim, mexer (propor uma mexida num esboço após mil consultas independentmente de filiações partidárias ou não, sobre o sistema educacional do país, o que educadores, pedagogos e assemelhados nunca fizeram (ou só entre paredes, congressos e encontros e defesa da corporação ).

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