​Copom encerra 2015 mantendo juros em 14,25%

Jornal GGN – Em decisão esperada pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. A taxa é a mesma desde julho deste ano, mas o documento divulgado após a reunião apresentou mudanças ante o encontro anterior.

“Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 14,25% ao ano (a.a), sem viés, por seis votos a favor e dois votos pela elevação da taxa Selic em 0,50 p.p”, segundo comunicado divulgado logo após a reunião.

Votaram pela manutenção da taxa Selic em 14,25% a.a. os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Edson Feltrim e Otávio Ribeiro Damaso. Votaram pela elevação da taxa Selic para 14,75% a.a. os seguintes membros do Comitê: Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon.

Levantamento elaborado pela MoneYou em parceria com a Infinity Asset Management mostra que o país segue no primeiro lugar do ranking como o melhor pagador de juros reais do mundo, com um total de 6,65%. No ranking, 80% dos países optou por manter os juros, enquanto 20% optou pelo corte e somente a Argentina elevou as taxas. Entre 159 países, 74% mantiveram os juros, enquanto 18% optaram pela manutenção e somente a Argentina elevou. A média mundial de juros reais está negativa em 1,8% a.a, de -1,3% a.a na medição anterior.

“Com a manutenção na Selic, os juros reais brasileiros se contraem em 0,80 pp, devido às elevações recentes nas projeções de inflação em 12 meses”, diz o relatório.

Em entrevista ao Jornal GGN, a economista Tatiana Pinheiro, do banco Santander, explica que o resultado veio em linha com as expectativas de mercado, mas o tom da nota mudou de forma considerável. “A gente vê um comunicado bastante lacônico, que infunde o dissenso na votação e dá um tom bastante hawkish (defendendo juros mais forte e uma política monetária mais conservadora) para a decisão. Vejo um BC muito mais conservador com as próximas decisões”, ressalta a economista. “O comunicado foi bastante lacônico, bastante curto, e com dissenso a favor de alta dos juros. Isso sinaliza que temos uma grande probabilidade de um novo ciclo de aperto monetário no começo de 2016, pelo dissenso e pelo fato de que, na nota anterior, o Banco Central deixava claro que a manutenção dos juros em patamar atual por um período prolongado era necessário para a convergência da inflação à meta”.

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Para Tatiana, a decisão do BC em mudar de estratégia pode estar relacionada à expectativa de inflação acima da meta em 2016. “Se a gente pegar variáveis que acredito serem importantes para a decisão, como câmbio, inflação, atividade econômica e expectativa de inflação, foi a expectativa de inflação que mais aumentou da última reunião para essa”, explica a economista. “É uma variável que levaria a um aperto adicional na taxa de juros. Acho que eles não vão mudar o guidance, não faz muito sentido já que a próxima decisão será em 2016 e o horizonte relevante sempre foi de um ano e meio a dois anos. Então, não acho que vai mudar o período em número de meses. Independentemente disso, a expectativa de inflação não subiu apenas para 2016, mas também para 2017”.

A expectativa é que o Banco Central publique em seu próximo Relatório Trimestral de Inflação, que será divulgado em dezembro, algum aumento das inflações do modelo do BC acima do projetado no modelo do terceiro trimestre. “A evolução da expectativa do BC e do mercado para 2016 e 2017 justificam uma postura mais austera da autoridade monetária, pelo menos no sentido de sinalização”.

 

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