Para economista, diretor do BC confirmou postura de controle da inflação

 

As recentes declarações do diretor de política econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, sinalizam que o ciclo de alta da taxa dos juros vai continuar, avalia o economista Felipe Queiroz, da consultoria Austin Ratings.

Informações da Agência Brasil apontam que, durante conferência realizada na cidade de São Paulo no último dia 25, Araújo afirmou que cresce a convicção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá “ser instado a refletir sobre a possibilidade de intensificar o uso do instrumento de política monetária (da taxa Selic)” para evitar aumento da inflação. Araújo foi um dos diretores que votou a favor do aumento da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na última reunião, quando a taxa foi ajustada para 7,50% ao ano por seis votos a dois.

O diretor do BC ressaltou que, embora reconheça que a inflação e as projeções para os preços estejam elevados, não há descontrole. “Vou discordar daqueles que argumentam que a inflação no Brasil está fora do controle. Não está e nem estará”, enfatizou.

“A declaração foi mais no intuito de afirmar a postura do BC no que tange o controle da inflação. Mesmo com a dissidência entre dois membros optando pela manutenção, isso mostra que o BC está pautado, acima de tudo, no controle da inflação no longo prazo”, diz Queiroz.

Quanto ao comportamento da taxa básica de juros, o economista da Austin Rating acredita que o ciclo de alta iniciado na última reunião tende a se estender por um período de tempo mais prolongado, “tanto pela ata como pelas declarações”.

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A projeção da consultoria considera sinaliza um ciclo de ajustes contínuos na casa de 0,25 ponto percentual. “Acreditamos que serão altas contínuas, mas por um período de tempo maior, com a taxa básica de juros chegando ao fim deste ano em 8,75%”, diz Felipe Queiroz.

Segundo o economista, o cenário apresenta duas variáveis que operam em trajetórias diferentes. “Por um lado existe a inflação, e por outro o nível de atividade da economia, que vem se recuperando de forma não linear. Como a recuperação é bem gradual e fragilizada por um cenário externo instável, o Banco Central tende a colocar altas graduais (da taxa básica de juros) para não se afetar o nível da economia, permitindo uma retomada mais consistente”.

 

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