A Aliança das Civilizações da ONU

Coluna Econômica – 31/05/2010

Os salões do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, de repente, parecem filmes de George Lucas como “Guerra Nas Estrelas”. Pessoas de todas as cores e vestimentas, de véus árabes a ternos ocidentais, senhores circunspectos com ar intelectual e jovens descolados.

A 3a Conferência Aliança de Civilizações das Nações Unidas – de quinta a domingo – é uma demonstração graúda da nova democracia social e nacional impulsionada pelo avanço da Internet e das comunicações no mundo.

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Contou com a presença de Lula, do Secretário Geral da ONU Ban Ki-Moon, do Primeiro Ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan, do Presidente da Espanha José Luiz Rodrigues Zapatero e de Jorge Sampaio, ex-presidente de Portugal e Alto Representante para a Aliança de Civilizações. Ao longo dos demais painéis, Cristina Kirchner, presidente da Argentina, Evo Morales, da Bolívia, o Secretário Geral da Liga dos Países Árabes.

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Em todos os painéis, a consagração da paz, o combate às guerras e ao terrorismo, mas tendo como elemento central o combate à pobreza e o estímulo à integração social.

Mostra-se, assim, em escala global um processo de transformações que está em curso amplo no Brasil e que tem nas novas formas de comunicação uma de suas pernas centrais.

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Um breve apanhado histórico mostrará a influência do setor agrário brasileiro no início do século 20. Depois, inicia-se o processo de industrialização. Novos atores políticos entram em cena. A partir dos anos 50, há o aparecimento da uma forte classe média urbana e o início de um processo de fortalecimento do sindicalismo, organizações sociais no campo.

Depois, uma interrupção do processo democrático, justo no momento em que se completa o processo de urbanização do país.

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Aí, criou-se um vácuo.

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Quando o país retoma o rumo democrático, a sociedade civil era composta de poucos atores: sindicatos; partidos políticos de oposição; e a chamada sociedade civil organizada, um grupo restrito de atores políticos com amplo espaço na chamada grande mídia.

O poder político brasileiro, especialmente após a campanha do impeachment de Fernando Collor, foi empalmado por alguns agentes políticos em parceria com a chamada grande mídia – do eixo Rio-São Paulo.

É através dela que se criaram reputações, se derrubaram presidentes, se definiu a pauta política do Congresso por pelo menos duas décadas.

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Tudo isso se devia a uma enorme carência de sociedade civil.

De lá para cá muita coisa mudou. O fim do pesado Estado burocratizado dos anos 80 permitiu o nascimento de uma nova sociedade civil nos anos 90. ONGs, Oscips, grupos de interesse dos diversos setores.

Depois, o crescimento econômico do interior – nordeste, centro-oeste, cidades médias de São Paulo, Minas, Paraná e Rio Grande do Sul.

Com a Internet, todas essas manifestações ganharam visibilidade, porque do blogs mais inexpressivo ao portal de maior audiência, todos navegam na mesma plataforma tecnológica.

É por isso que o exercício da tolerância, do combate à exclusão social, tornam-se peças centrais na construção de um novo mundo.

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