A dissidência no DEM paulista

Do Valor

PT faz planos para o futuro de Kassab

Ana Paula Grabois e Cristiane Agostine, de São Paulo
27/08/2010

O PT já corteja o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, para tornar-se um aliado. Diante da perspectiva de isolamento do prefeito dentro do DEM com a eventual vitória do inimigo tucano Geraldo Alckmin em São Paulo, petistas articulam até mesmo a criação de um partido para atrair dissidentes do DEM, PSDB, PPS e PTB.

Em caso de vitória da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, a situação de Kassab ficaria ainda mais difícil. Para coligados de Dilma, a eventual perda de poder do candidato do PSDB, José Serra, padrinho de Kassab no tucanato paulista, levaria o prefeito a ser oposição em São Paulo.

O prefeito tem ainda problemas dentro do DEM, onde disputa poder com o clã dos Maia – o presidente da legenda, deputado federal Rodrigo Maia e seu pai, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia.

HátrHá três opções em estudo por partidos da coligação de Dilma, que querem tirar Kassab da oposição federal e da situação estadual. Uma delas é a criação de um partido. Dessa forma, Kassab traria consigo uma bancada de dez deputados federais e dez estaduais que espera eleger neste ano pelo DEM em São Paulo. O novo partido poderia agregar descontentes de partidos da oposição federal e evitaria a perda de mandato dos candidatos para o DEM, segundo um político envolvido nas conversas.

Outra possibilidade é a migração de Kassab e de seu grupo ao PMDB. Neste caso, surge o problema da perda de mandato e exigiria negociação para a liberação dos eleitos em 2010 pelo DEM. Existe ainda a alternativa de fusão do DEM com PR, partido originado do extinto PL, do qual Kassab foi filiado. O PR, contudo, daria pouco espaço para Kassab exercer a liderança que tem em São Paulo no DEM.

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Procurado, Kassab preferiu não se pronunciar sobre o assunto.

Não é a primeira vez que o PT articula aproximação com o DEM paulista para colocar o partido contra o PSDB. Em 2005, meses antes de o então governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) lançar-se à Presidência, deputados petistas aliaram-se ao DEM para derrotar Alckmin no comando da Assembleia Legislativa. O DEM, ao apostar na candidatura de Rodrigo Garcia (DEM) contra Edson Aparecido (PSDB), buscava maior autonomia em relação a Alckmin.

Na cúpula do DEM, a leitura é que Kassab deve deixar qualquer decisão política para depois das eleições. O partido prepara-se para “sair da posição de parceiro secundário do PSDB”, como afirma um dirigente do partido. A possibilidade de associar-se a outro partido, criando uma nova legenda, é uma das hipóteses cogitadas.

O futuro político de Kassab é incerto. O prefeito foi reeleito no cargo em 2008 e não poderá concorrer novamente ao cargo em 2012. Com o desgaste do grupo de Serra no PSDB, Kassab não deverá ter apoio dos tucanos para concorrer ao governo ou ao Senado em 2014. O mais provável, segundo correligionários, é que ele dispute uma vaga como deputado federal.

A relação entre Kassab e Alckmin desgastou-se na disputa municipal de 2008. Serra apoiou Kassab e o diretório do PSDB de São Paulo se dividiu. No programa eleitoral, Alckmin chegou a chamar o adversário de dissimulado e foi derrotado no primeiro turno.

Kassab é um político de bastidores. Eleito em 2004 como vice de Serra na Prefeitura de São Paulo, assumiu o governo um ano e três meses depois, quando o tucano renunciou para disputar o governo paulista. Sua reeleição teve Serra como principal fiador. Kassab iniciou o novo mandato com 59% de aprovação. No início do ano, enfrentou problemas de enchentes, trânsito e até pedido de cassação de mandato, acusado de receber doações ilegais de campanha. Em março, a administração recebeu a pior avaliação – 34% dos entrevistados consideraram como ruim ou péssima. Em julho, a avaliação positiva chegou a 42% e a negativa caiu para 26%. 

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