Ao lado de Bolsonaro, militares são expostos a desgastes crescentes, por Maira Cristina Fernandes

Um presidente indomável: Bolsonaro dá sinais crescentes de que prestigia as alas comandadas por seus filhos e pelo guru de Virgínia em detrimento dos militares que levou para o governo

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Jornal GGN – O grupo que elegeu e, agora, compõe o governo sofre amplo desgaste de imagem ao lado de Jair Bolsonaro. A avaliação é de Maria Cristina Fernandes, bem explicada em artigo “Um presidente indomável” publicado nesta quinta-feira (11) no jornal Valor.

A frente dos militares, por exemplo, assumiu posição ao lado de Bolsonaro dando “um duplo verniz de força e moderação” ao novo presidente. Em princípio, a troca parecia ir bem: ocupam oito cargos no primeiro escalão, e mais de 100 nos segundos e terceiros escalões do Planalto.

Também inicialmente, Bolsonaro se mostrou “curvado aos valores” da hierarquia militar, que “outrora desprezou”, arremata Cristina Fernandes. Em 1988, o então paraquedista militar foi expulso por insubordinação do Exército Brasileiro, por ter planejado ações terroristas, para demonstrar insatisfação sobre o índice de reajuste salarial do Exército.

Mas a realidade, após cem dias de governo, mostra que Bolsonaro não mudou, e hoje “é um presidente indomável”, pontua Cristina Fernandes. A nomeação do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, reforçou essa posição do mandatário, isso porque coroando a “vitória do radicalismo obscurantista” sobre o poder moderador dos generais.

“O presidente da República dá sinais crescentes de que prestigia as alas comandadas por seus filhos e pelo guru de Virgínia em detrimento dos militares que levou para o governo”, ressalta a colunista. Olavo de Carvalho, mentor de Bolsonaro, é autor de constantes ataques contra os militares do governo, não poupando o vice-presidente Hamilton Mourão, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

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Na avaliação de Cristina Fernandes, “os formuladores da doutrina bolsonarista” insistem em buscar apoio da base eleitoral nas redes sociais, enquanto afastam (e atacam) a base do governo no Congresso e os militares.

“Com a perda no capital político acumulado junto a empresários, investidores e parlamentares, Bolsonaro acelerou a aposta no núcleo duro de seu eleitorado, aquele que reage mais prontamente ao apelo ideológico da caça aos ladrões, corruptos e comunistas”. A saída populista, dando as costas aos militares e aos parlamentares, apenas acentua a crise política e gera retardamento das ações de estado que realmente importam.

“O pelotão desgastado percebeu o jogo e começou a unir forças”, completa a articulista. Mas o grupo se deu conta tarde demais. Esse pelotão inclui no Congresso, especialmente o presidente da Câmara Rodrigo Maia, atacado por uma série de tuítes, alguns deles de Carlos Bolsonaro, filho e articulador da comunicação nas redes sociais do pai. Maia usou suas armas, e a Câmara iniciou uma inflexão contra a reforma da Previdência.

Enquanto isso, os escândalos da família Bolsonaro e de seus gurus vieram à público, respingando sobre os militares e outros, como o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, mostrando que o presidente não desgasta sua imagem sozinho.

Até mesmo o vice-presidente Hamilton Mourão, que se consolidava como o moderador, foi lançado na frigideira por Bolsonaro para responder sobre os 80 tiros de Guadalupe que tiraram a vida de um músico negro, com duas crianças no carro, a caminho de um chá de bebê.

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“O presidente da República deixou o plural majestático de lado e deixou que os próprios militares respondessem pelo crime (…) Se Bolsonaro pode se defender de ter como vizinho um grande contrabandista de armas suspeito de assassinato e de ter protegido os currais eleitorais da família ao longo das últimas três décadas com a banda podre da polícia, os militares também podem se virar com os estilhaços em sua vidraça”, completa Cristina Fernandes.

A articulista pontua que, “em sua jornada para deslegitimar as opções ao bolsonarismo” o presidente também atingiu Moro que, no projeto anticrime, deu ao presidente “o discurso de que avança na agenda que o elegeu, mas colheu ainda mais antagonismos no Congresso”, se queimando ao propondo a proteção de agentes da segurança pública que manterem “sob fortes emoções”.

“Moro deixou a condição de condestável da operação do fim do mundo por uma convivência mais próxima com milicianos impunes. Os militares deixaram sucessivas operações de garantia da lei e da ordem sem arranhões graves à sua imagem. Trocaram sua pauta por um governo que os expõe a um desgaste crescente. De portadores da tutela, passaram a prisioneiro do presidente da República e de suas brigadas”, conclui. Para ler sua coluna na íntegra, clique aqui.

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3 comentários

  1. O que está colocado é fruto do preconceito. Os que estavam no poder, achavam que tudo que faziam era bom. Não havia quem os críticasse. Levaram o país para o buraco de todos os modos. E já estão previamente condenando o governo, antes mesmo que tenha tido tempo de mudar qualquer coisa. O PT foi e é lindo com sua ideologia, não é?

  2. Se nós conhecíamos as limitações desse senhor e, também sua paranóia, evidentemente todos que o apoiaram conheciam muito mais. Agora que recebam os dividendos de seus atos. Eles merecem. E para o juiz, é muito pouco. Uma coisa é certa: Os brasileiros estão tendo a oportunidade de conhecer o conhecimento da lingua portuguesa do presidente e de seu ministro da Justiça . Uma lástima!

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