As prévias no PSDB e a reação de Aécio a Serra

Sugerido por MiriamL

Do Blog do Kennedy

Aécio reage a Serra

Em 2010, um dos motivos que levaram Aécio Neves a recusar a vice-candidatura na chapa presidencial de José Serra foi o enterro de prévias no PSDB. Saindo do governo de Minas com alta popularidade, Aécio queria uma justificativa para explicar aos eleitores do seu Estado por que ele não disputaria o Palácio do Planalto. Acreditava que as prévias lhe dariam essa oportunidade.

Também de saída de outro governo, o de São Paulo, Serra tinha maioria no PSDB para ser candidato a presidente. Aécio sabia disso. O mineiro não queria ser vice de Serra. Mas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ofereceu a Serra dois conselhos que não foram exatamente valorizados.

Deixar claro para Aécio que, se vencedor, tentaria acabar com a reeleição e se empenharia pela volta do mandato presidencial de 5 anos. Era uma forma de organizar a fila no PSDB. O segundo conselho: tratar Aécio com deferência, aceitando, por exemplo, as prévias.

Mas Serra não bancou as prévias nem deu bola para Aécio. O mineiro se vingou recusando o posto de vice. E o candidato tucano teve de se ontentar com o então deputado federal Índio da Costa (DEM) como coadjuvante.

Agora, os papéis se inverteram. Aécio é o candidato preferido de 99% do PSDB. Não precisa se submeter a prévias, mas é recomendável tentar obter o apoio formal de Serra em São Paulo.

A dificuldade é que o ex-governador paulista cogita se filiar a outro partido, o PPS, para disputar a Presidência, recorrendo ao argumento de que ficou sem espaço no PSDB.

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Serra dominou o tucanato durante 10 anos. Entre 2002 e 2012, foi candidato ao que desejou pelo PSDB. Agora é a vez de Aécio, tem dito FHC. O partido concorda com o ex-presidente.

Num gesto que demonstra a habilidade que Serra não teve, Aécio está disposto a enfrentar as prévias. Mas, para isso, o ex-governador paulista terá de ficar no PSDB e apostar na realização de uma disputa na qual dificilmente sairá vencedor. Se Serra decidir deixar o PSDB, Aécio terá feito todos os gestos que poderia. O mineiro fez certo. Em política, é um erro julgar que dá para controlar tudo e todos. Agora, a bola está com Serra.

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Obstáculo maior

É fato que uma candidatura de Serra pelo PPS dividiria votos com Aécio em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. O ideal para o senador mineiro seria o ex-governador paulista ficar no PSDB, provavelmente acomodado numa candidatura ao Senado. Aécio sabe que não terá o empenho de Serra, mas um apoio protocolar já o deixaria no lucro.

Logo, a cautela aecista parece boa tática.

No entanto, os problemas de Aécio e do PSDB são maiores do que Serra. Ele e o partido devem construir um projeto alternativo e um discurso novo se quiserem tirar o PT da Presidência, em 2014 ou 2018. Isso demanda ousadia e dedicação contra um adversário que tem o controle do terreno. As dificuldades que Aécio terá de superar transformam o imbróglio Serra num problema menor.

Marina Silva vai, mesmo com as dificuldades para criar a Rede, conquistando espaço a cada dia. E Eduardo Campos dá sinais de que não pretende se compor com o PT, apesar do esforço de Lula nesse sentido. Aécio tem coisa mais importante com o que se preocupar.

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