As relações Brasil-EUA analisadas em livro de Moniz Bandeira

LIVRO > BRASIL-ESTADOS UNIDOS – A RIVALIDADE EMERGENTE – 1950-1988 – de Luis Alberto Moniz Bandeira  – Obra de grande qualidade sobre as relações Brasil-EUA, com prefacio de Samuel Pinheiro Guimarães. Moniz Bandeira constitue ao lado de Amado Cervo e Fernando de Mello Barreto o trio de historiadores especializados nas relações exteriores do Brasil.

O primeiro livro de Moniz Bandeira que li faz muito tempo e me impressionou foi sobre o Brasil e o milagre economco alemão, obra interessantissima e que reporta a vinda das grandes empresas industriais alemãs ao Brasil durante o governo JK, simbolizadas pela Mercedes Benz e Volkswagen, que passaram a ter grande relvancia na industrialização brasileira e tambem significaram pelo lado alemão a reentrada da Alemanha no mundo economico internacional.

Na presente obra Moniz Bandeira relata os altos e baixos das relações Brasil-EUA, sempre complicadas e nada estaveis. pegando o periodo crucial anterior, durante e no imediato posterior ao regime militar.

Essas relações foram tambem  comentadas em um encontro aonde estive na ultima 5ª feira,  pelo Embaixador Marcilio Marques Moreira, que foi nosso Embaixador em Washington por seis anos. Nesse encontro, aonde tambem estava presente o ex-Ministro Jose Gregori,  contemporaneo e colega dele,

o Embaixador Marcilio relatou as duas viagens de Jango a Washington, a 1ª como Vice Presidente e a 2ª como Presidente, em ambas a recepção a Jango foi excepcional, nas duas vezes Jango  discursou  perante o Congresso americano reunido, Jango foi recebido com toda pompa pelo Presidente Kennedy na Casa Branca e mais ainda, para marcar sua admiração pelo Brasil e seu Presidente., Kennedy foi leva-lo ao avião quando embarcou de volta para o Brasil, uma deferencia excepcional.

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Nesse encontro tambem conversou-se sobre a politica externa independente no Governo Janio, tendo Santiago Dantas como Chanceler, quando o Brasil marcou posição nas duas conferencias de Punta Del Leste e nas relações desafiadoras aos EUA com relação a Cuba.

Perguntei ao Embaixador Marcilio, que foi auxiliar e homem de confiança do Ministro Santiago Dantas,  Ministro das Relações Exteriores de Janio e Ministro da Fazenda no Governo Goulart, porque Santiago Dantas, que era do PTB, sempre entendi que proximo a Jango, foi rejeitado pelo Congresso para ser Primeiro-Ministro no regime parlamentarista. A rejeição de Santiago Dantas me pareceu inexplicavel mas o Embaixador desfez para mim o misterior: havia é claro os votos contrarios da oposição a Goulart porque consideravam Santiago homem da situação mas houve tambem uma “”puxada de tapete”” do proprio Jango porque o Presidente não queria a consolidação do parlamentarismo como regime, o que teria acontecido com um Primeiro Ministro do nivel de Santiago Dantas. Jango preferia sim o enfraqucimento do regime parlamentarista para poder então recuperar seus plenos poderes presidenciais, o que aconteceu. Rejeitado Santiago Dantas, foi aprovado Brochado da Rocha, politico gaucho da confiança de Jango, que preparou o fim do parlamentarismo.

Falou-se no encontro tambem de muitas outras facetas de Santiago Dantas mas o proprio Embaixador Marcilio é um grande personagem, testemunha ocular da Historia, nasceu em Viena, filho do então Embaixador do Brasil na Austria, teve muita ligação com Walter Moreira Salles (Santiago Dantas tambem),  falou-se das relações com os EUA  o Embaixador Marcilio foi um dos mais longevos no posto e numa época crucial da Guerra Fria, mas o foco do encontro foi a personalidade fascinante de Santiago Dantas, que faria 100 anos no ano passado. Sobre Santiago farei novo comentario neste fim de semana.

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