“Bando de cagão com medo da mídia”, é assim que Olavo de Carvalho se refere aos militares no governo

Durante eventos neste final de semana em Washington, guru do presidente Jair Bolsonaro é homenageado e volta a alimentar racha dentro do governo entre seus seguidores e a ala militar e técnica do Planalto.

Olavo de Carvalho no centro, entre Ernesto Araújo e Bolsonaro. Foto: Reprodução/Divulgação

Jornal GGN – O escritor e influenciador digital, Olavo de Carvalho, parece estar ganhando a luta de braços dentro do governo Jair Bolsonaro entre duas alas: uma composta por técnicos e militares do governo, e outra pela facção ideológica que gira em torno de Olavo, composta também pelos filhos do presidente.

Ele foi destaque neste final de semana durante a visita do presidente Jair Bolsonaro e uma comitiva de governo formada pelos ministros Paulo Guedes (Economia) e Sérgio Moro (Justiça) aos Estados Unidos.

No sábado (16), Olavo também foi homenageado com a exibição do documentário sobre sua vida, Jardim das Aflições, pelo ex-estrategista do presidente Donald Trump Steve Bannon. Segundo matéria da Folha de S.Paulo, que fez a cobertura do evento, Olavo foi apresentado por Bannon à plateia como peça importante de “O Movimento”, como chama o grupo de governos populistas de direita em ascensão em países como Brasil, Itália, EUA e Hungria.

“Olavo não é importante apenas para o Brasil, ele tem uma importância no contexto mundial do movimento populista de direita, é um pensador seminal”, disse.

Leia também: Por que Bolsonaro prefere o Twitter aos meios de comunicação tradicionais?

O deputado Eduardo Bolsonaro e líder do Comitê de Relações Exteriores da Câmara acompanhou o evento e, logo após a exibição, disse para o público e imprensa que o influenciador seria “uma das pessoas mais importantes da história do Brasil”. “Olavo de Carvalho é uma inspiração e sem ele Jair Bolsonaro não existiria”, admitiu segundo a Folha.

No domingo, durante um jantar promovido na casa do embaixador brasileiro, Sérgio Amaral, em Washington, o escritor escutou do ministro Paulo Guedes que ele era “o líder da revolução” liberal no Brasil. Ainda segundo jornais, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que havia suscitado críticas de seguidores de Olavo pela indicação de Ilona Szabó como suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, procurou quebrar o gelo em relação a Olavo de Carvalho durante o jantar.

Olavo é apontado como guru do presidente Jair Bolsonaro. Emplacou no governo os ministros Ricardo Vélez Rodríguez (da Educação) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Entretanto, sua visão de governo e a forma como procura influenciar a política no Brasil têm sido analisadas com preocupação por setores que atuam no Planalto, especialmente os militares e técnicos.

Olavo vem dirigido uma série de ataques afirmando que os militares estariam por trás de uma estratégia, junto com a mídia, para derrubar Bolsonaro.

A presença de membros do Exército brasileiro no governo é grande. Só no primeiro escalão, são sete nos 22 ministérios e cerca de 100 nos segundo e terceiro escalões. O que parecia uma configuração esperada para um governo da linha ideológica de Bolsonaro, entretanto, passou a ser visto como um perigo.

O curto período em que o general Hamilton Mourão assumiu interinamente o Planalto foi suficiente para alimentar a teoria conspiratória, isso porque em um encontro com compradores árabes de carne brasileira, ele negou a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

O vice-presidente também atuou como bombeiro de focos de incêndios provocados por Bolsonaro em outras ocasiões, na mais recente, quando disse que o presidente foi “mal interpretado” pela imprensa ao falar que “democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas querem”.

Em Davos, após Bolsonaro causar impressão ruim no rápido discurso sobre o Brasil e por ter cancelado uma hora antes uma coletiva para a imprensa internacional, o ministro do Gabinete e Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, procurou proteger o presidente, atribuindo o cancelamento das entrevistas à sua agenda pesada e ao cansaço.

Apesar desses exemplos sobre a atuação dos militares no governo tentando alinhar a imagem de Bolsonaro a um programa positivo, Olavo de Carvalho e seus seguidores alimentam que há um estado de tensão interna. Os militares estariam tramando junto à imprensa a derrubada do presidente e isso explicaria as manchetes envolvendo os filhos de Bolsonaro a uma série de escândalos financeiros e com milicianos – e não simplesmente a vida política dos Bolsonaros, incluindo homenagens a milicianos e contratação de parentes de policiais envolvidos na contravenção, além de dados de movimentações financeiras suspeitas expostos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

Ainda segundo a Folha, durante coletiva realizada após a exibição do documentário sobre sua vida, Olavo pintou o presidente Jair Bolsonaro com uma aura de inocência dizendo ser “um homem honesto e não ser ladrão”.

“Ele [Bolsonaro] deveria parar de ouvir maus conselhos. Ele é um homem sozinho, não pode confiar naqueles que os cercam, na mídia, ele tem que confiar no povo”, disse.

Mas, no mesmo discurso, Olavo entrou em contradição ao admitir que ele mesmo não faz ideia das políticas de governo do presidente. “Eu não sei quais são as ideias políticas dele [Bolsonaro]. Conversei com ele quatro vezes na vida, porra”, afirmou a jornalistas. Na saída, Olavo mostrou-se pessimista com o futuro do Brasil e disse que, se o governo continuar como está por mais seis meses, acabou”.

Acostumado a usar palavrões, Olavo teoriza que Bolsonaro não “reage” às notícias “falsas” da imprensa contra ele por causa “de milicos que os cerca”, chamados pelo escritor de “bando de cagão que têm medo da mídia”.

O influenciador digital apontou o general Hamilton Mourão entre esses “traidores”.

“O Bolsonaro vai viajar, ele assume temporariamente, e a primeira coisa que faz é ir pra São Paulo ter uma conversa política com Doria. Esse cara não tem ideia do que é ser você, só sabe sobre sua vaidade monstruosa. Você acha que ele pediu permissão do presidente pra ir pra São Paulo? Eu não o critico, eu o desprezo.”

Em um momento da coletiva, entretanto, Olavo de Carvalho acabou deixando transparecer o verdadeiro personagem inserido no governo Bolsonaro com “vaidade monstruosa”: o próprio escritor, ao alegar ter como maior desejo seu “mudar o destino da Brasil” para “década ou séculos à frente”:

“Eu quero mudar o destino da cultura do Brasil, décadas ou séculos à frente. Esse é meu sonho, o governo que se foda, eu estou cagando para o governo. Eu sou Olavo de Carvalho, não preciso do governo, minha filha. Eu sou um escritor, falo direto com meu público, não preciso de um cargo do governo”.

A personalidade narcisista do escritor ficou mais patente quando explodiu diante de um jornalista do Financial Times. Primeiro ele foi questionado sobre o significado da visita de Bolsonaro aos EUA. O filósofo respondeu que a ajuda norte-americana é importante para o Brasil expandir suas vendas e não depender da China.

Ao ser confrontado com essa resposta simplista, quando o jornalista lembrou que Brasil e EUA são concorrentes na exportação, Olavo disse: “Os dois produzem a metade dos alimentos produzidos no mundo. Eles podem fazer uma aliança para vender comida para todos”.

Quando o repórter do Financial Times questionou se a estratégia de mercado dos dois países não constituiria um cartel, Olavo gritou:

“Eu não chamei de cartel. Você está pondo palavras na minha boca, você está distorcendo, você é maldoso, você é um mentiroso, você é um mentiroso”. Após a resposta, o pensador saiu andando enquanto dizia: “Não quero mais falar com você, você é mentiroso.”

Na saída alguns jornalistas conseguiram fazer mais algumas perguntas, entre elas se estava otimista com o governo. A resposta de Olavo foi “não”, porque a “mídia inteira quer matar Bolsonaro”.

“Isso é um golpe de Estado, vocês não estão entendendo? A classe jornalística, todos vocês”, concluiu.

8 comentários

  1. Na torcida!!

    Força Olavo… enfie o dedo no olho do Mourão. Você tem razão, ele não presta. Está mais do que comprovado de que ele é ligado aos comunistas.

    Força Mourão… não se deixe intimidar pelo Olavo. Tome distância e sapeque-lhe uma voadora no rosto. É para o Olavo aprender a se comportar e a respeitar os militares.

    Força Steve Bannon… não deixe aquele traidor do Donald Trump lhe diminuir e lhe passar rasteira.

    Força Ronnie Lessa… Você tem as costas quentes e o direito de matar garantido pelo “excludente de ilicitude” defendido por ninguém menos do que pelo poderoso chefão. Se for abandonado no meio do caminho, abra a boca.

    Força, todo mundo aêê… Damares, Iolene (parece linho, mas é iolene), Veléz, Araújo, Moro, Guedes e os filhos do capitão, os zero à esquerda (01, 02 e 03)…

  2. quem com imbecis transita, imbecil também o é. Haja país de merrecas.
    esse tal de olavito é o exemplo do grotesco que assombra o planeta brasileiro de tempos em tempos.
    há de ser muito rasteiro e asqueroso aquele que a ele se inclina.

  3. Conservador , terno dos anos 80 …

    Aí Olavo fala mal dos militares e da grande imprensa se faz o quê ?

  4. Como pode um astrólogo que nunca teve caráter e nem era conhecido do público, seus vídeos são recheados de xingamentos, muitos desnecessários, ser a figura máxima do governo… Isso deve ser um pesadelo que não consigo acordar.

  5. Esse clima de instabilidade é tudo de que necessitam especificamente os operadores do dólar mas também genericamente os capitalistas. Acho difícil que todos os que participam dessa instauração de terrorismo tenham consciência disso, muitos apenas sentem que estão no caminho certo quando agridem, xingam ou, da forma que for, contribuem para a instabilidade.

    Agora se dissesse que algum outro país na História melhorou – qualquer um e sob o aspecto que for, economia, civilidade, queda de violência ou de corrupção, educação, saúde… qualquer critério – porque se alinhou à turma do dólar, aos EUA, a gente ainda poderia alimentar alguma esperança.

    É uma pena mas a gangue do capital sabe o que faz: se parar de botar terror, se deixar o povo em paz, o povo se organiza, adquire auto-estima, cidadania, responsabilidade social e democraticamente compartilhada e o país vira socialista. E aí os poderes econômico e político fica desconcentrado. Os capitalistas não vão largar o osso assim tão fácil…

  6. Rir ou chorar?
    Ou se esconder de vergonha…
    O GGN chama o Olavão de escritor, por educação, é claro.
    Esse “cara”, além de psicopata é um auto didata em “bobologice”…

    Pois bem, nenhum deles sabia o que falav ali (exceto o Guedes que puxa o saco e tem um projeto “com muita coisa boa”).
    Nenhum deles sabe o que fala nunca, de um modo geral.
    Parece que são “invenções” o tempo todo!
    Parece um bando de loucos falando!
    Aí está a prova:
    conversei 4 vezes, p!;
    Não sei qual o projeto;
    Vou falar sobre produção de alimentos “aquilo que vier na minha telha (uma bobagem, portanto).

    O Bozo falando sobre sua estadia nos states segue a mesma linha de falar sem saber, nem pensar: não sabe, não se prepara, não tem filtro, não tem ninguém que evite esse monte de bobagens…

    Enfim, e “vamos entregando e destruindo o país”

    Como diz o Olavo do carvalho:
    – PQP, porr!

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