Bolsonaro mostra incapacidade de governo ao provocar as ruas

Bernardo Mello Franco: "Ao atacar os manifestantes, Bolsonaro dobrou a aposta na polarização política. É uma estratégia arriscada, porque a eleição acabou"

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – As manifestações contra os cortes na Educação foi mais um teste para avaliar a capacidade de governabilidade de Bolsonaro e sua equipe e, o resultado aponta para uma reação deprimente para um chefe de Estado, em apenas quatro meses e meio de governo.

Dos Estados Unidos, onde se encontra em viagem, Bolsonaro atacou os manifestantes, chamando-os de “idiotas úteis”, “militantes” e massa de manobra”.

“Ao atacar os manifestantes, Bolsonaro dobrou a aposta na polarização política. É uma estratégia arriscada, porque a eleição acabou e o presidente tem perdido popularidade desde que vestiu a faixa”, reflete Bernardo Mello Franco, na coluna desta quinta-feira (16), no jornal O Globo.

“Ao contrário do que ele disse, a educação não é bandeira de uma “minoria espertalhona”. Pode unir adversários e inflamar as ruas contra o governo. Chamados de “idiotas”, os estudantes ganharam um incentivo para dar o troco”, completou. A título de informação, milhares ocuparam as ruas em mais de 200 cidades do país, e novos protestos foram agendados.

Até mesmo o MBL (Movimento Brasil Livre), grupo que apoiou a vitória de Bolsonaro nas urnas, engrossou as críticas afirmando que o Planalto “se embananou todo com a história da balbúrdia (…) em cima de uma narrativa falsa de esquerda”.

“A pauta do corte pegou gente fora da bolha da esquerda e isso não é bom para o governo”, completou o grupo em uma rede social.

Ainda na terça-feira, um dia antes do protesto de 15 de maio, Bolsonaro tentou fazer uma manobra para esvaziar os protestos.

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“Diante de uma dúzia de deputados, Bolsonaro ligou para o ministro da Educação e mandou cancelar os cortes. Era só encenação. Pouco depois, a ordem foi desautorizada pela equipe econômica. O recuo do recuo gerou mais um curto-circuito no Congresso. Aliados que testemunharam a conversa sentiram-se enganados. “Se o governo não sustenta o que o presidente falou na frente de 12 parlamentares, não sou eu que vou passar por mentiroso”, esbravejou Capitão Wagner, do Pros”, destaca Mello Franco na coluna.

Como se não bastasse, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, também deu sua contribuição para aumentar a insatisfação popular. Diante da Câmara dos Deputados, onde foi convocado ontem (15) para explicar os cortes na educação, Weintraub indicou que os parlamentares não sabem o que é trabalho.

“Queria dizer que eu fui bancário, trabalhei muito. Carteira assinada, a azulzinha, não sei se vocês conhecem”, comentou. Em resposta à fala, o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, que comandava a sessão na ausência de Rodrigo Maia (DEM-RJ), rebateu: “Eu me senti pessoalmente ofendido”.

“O ministro atiçou a tropa bolsonarista, mas voltou a queimar pontes com aliados em potencial. Parlamentares do centrão, que o governo tenta incorporar à sua base de apoio, saíram irritados”, completa Mello Franco.

“Ele [ministro da Educação] chegou com uma atitude ofensiva, não apresentou dados concretos e ficou inventando polêmicas”, concluiu a deputada Tabata Amaral, do PDT. Para ler a coluna de Bernardo Mello Franco na íntegra, clique aqui

5 comentários

  1. Fiquei encantado com a memoria desta coluna, pois os governos anteriores usaram as mesmas armas , aliás cortaram mesmo, e seu Nassif que conheço desde antanho ficou quieto e os demais jornalistas também afinal era uma necessidade constitucional, hoje é uma loucura bolsonariana, por favor mesmo sendo de esquerda existem limites de ética e resposabilidade

  2. Que interessante, as “forças”, inclusive, presumivelmente ocultas, como a maçonaria, apostaram nesse canalha útil (para eles, é claro) porém, como qualquer “canhão velho”, o tiro saiu pela culatra. Agora, aquele ao qual se valeram para empreenderem a guinada política à dita direita, que acontece em boa parte do mundo, e não é mera coincidência, pelo menos por aqui, tem em seu boneco, seu principal sabotador. Que fiquem esses cagliostros por mais tempo, pois, eles, estão produzindo uma indignação pública que há muito não é vista por estas terras tupiniquins. Quem sabe, o povo redescubra sua verdadeira natureza? E, por ironia, pelas atitudes esdrúxulas desses estúpidos.

  3. Desde quando esse governo deve algo às ruas?
    Ou o Congresso toma uma iniciativa agora ou vai ficar cada vez mais laceado…

    Mas na verdade o Congresso não fará nada. Tem suportado insultos, bravatas… verdadeiros absurdo muito mais graves desde antes até da eleição. E sabe porque não fará nada? Porque a elite está satisfeita. Bolsonaro pode fazer o absurdo que fizer que as pessoas que operam o dólar continuarão sustentando-o e a quem o sustenta. Não haverá outro “acordo nacional com STF e tudo”… Na verdade Bolsonaro é parte do tal acordo nacional, que está em vigor e a pleno vapor.

    É muito, muito improvável mas no momento em que esse governo começar a levar “as ruas” em consideração, aí sim cairá. Quem o sustenta não está nas ruas, está operando o dólar, sentado em confortáveis poltronas de diretor. Enquanto esse governo mantiver Bolsonaro e anexos como palhaços entretendo o povo com seu “show” de bizarrices e, ao mesmo tempo, detonando com as instituições públicas e democráticas, o governo se mantém.

  4. atenção – a saída é pela centro-equerdsa e com a politica de inclusão social….
    fora isso, é trocas seis bolsonaros por meia duzia de mourões…

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