Brasil vai pagar mais caro pelo 5G com banimento da Huawei, diz presidente

"Acho que qualquer tipo de banimento contra a Huawei só vai trazer impactos negativos e nenhum ponto positivo", afirma Sun Baocheng

Ramon Costa/Getty Images

Jornal GGN – Sun Baocheng, presidente da Huawei do Brasil, disse em entrevista à Folha de S. Paulo que o brasileiro pagará mais caro e haverá uma demora maior na implementação do sistema de tecnologia de quinta geração no País, caso a chinesa seja banida das negociações.

Questionado sobre o leilão do 5G, Sun respondeu que “a Anatel vai fazer e os operadores vão participar. A Huawei não participa diretamente. (…) No ano que vem, vai fazer leilão para frequências novas e os operadores vão participar. O banimento da Huawei terá pontos negativos.”

Segundo ele, há 3 prejuízos de primeira ordem. “O primeiro é que vai demorar a transformação digital do Brasil. O segundo é que vai aumentar os custos dos operadores e o terceiro é que os custos dos operadores vão ser transferidos para os consumidores. Os brasileiros vão pagar um preço mais alto pelos serviços [de 5G]. Acho que qualquer tipo de banimento contra a Huawei só vai trazer impactos negativos e nenhum ponto positivo.”

Questionado sobre o retardamento da transformação digital, ele explicou que as redes do Brasil têm hoje muito equipamento da Huawei. “Todos estão prontos para a evolução de 4G para 5G. Se vai trocar esses equipamentos, vai demorar muito tempo.” Pelo menos 4 anos, indicou.

Apesar do alinhamento do governo Bolsonaro com Donald Trump -que ataca frontalmente as empresas de tecnologia chinesas – Sun acredita que o Brasil agirá diferente. “Desde a privatização, o mercado sempre foi livre, justo, sem discriminação. Acredito que o governo vai fazer a opção correta. Acho que um mercado livre sem discriminação não é só importante para a Huawei, mas também para outras empresas estrangeiras.”

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A Huawei atua no Brasil há 22 anos. Além das tecnologias 2G, 3G, 4G e 5G, “temos também transmissão em IP [protocolo de internet] e redes de acesso. Também prestamos serviços para outras indústrias, como energia, instituições financeiras e o setor público.”

No setor de telecomunicações, a empresa tem entre 40% e 50% de participação no mercado brasileiro. “Para outras indústrias, também é o prestador principal. Para os pequenos provedores de internet [ISP], temos mais de 40% de mercado.”

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