Brasil vive pré-nazismo e oposição precisa reagir à altura, diz Juan Arias

"O grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário", aponta colunista

Jornal GGN – O Brasil “está vivendo, segundo analistas nacionais e internacionais, um clima político de pré-nazismo, enquanto a oposição progressista e democrática brasileira parece muda.” É o que avalia o colunista do El País, Juan Arias, em artigo divulgado na terça (20).

Segundo Arias, “Bolsonaro cresce cada dia mais e nem os militares parecem capazes de parar seus desacatos às instituições.” E a oposição no campo progressista comete um erro que já aconteceu em outros momentos da história, que terminaram em catástrofe: subestimam, tratam Bolsonaro como inócuo ou acreditam que a ameaça autoritária vai se dissolver sozinha.

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“Essa oposição, que está muda e parece impotente e distraída, demonstra esquecer a lição da história. Em todos os movimentos autoritários do passado moderno, os grandes sacerdotes da violência começaram sendo vistos como algo inócuo. Como simples fanfarrões que ficariam somente nas palavras. Não foi assim e diante da indiferença, quando não da cumplicidade da oposição, acabaram criando holocaustos e milhões de mortos, de uma e outra vertente ideológica.”

Para Arias, “o grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário. Crescerá em seu autoritarismo e quando a oposição adormecida perceber, estará derrotada e encurralada.”

O articulista lembrou que Bolsonaro, em seus poucos meses de governo, “já deixou claro que em sua política de extrema direita, autoritária e com contornos nazistas, cabem somente os que se submetem às suas ordens. Todos os outros atrapalham.”

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Todos os “tachados de esquerda seriam os novos judeus que deveriam ser exterminados, começando por retirá-los dos postos que ocupam na administração pública.”

“Bolsonaro mal suporta os diferentes como os indígenas, os homossexuais, os pacíficos que ousam lhe criticar. Odeia todos aqueles que não pensam como ele e, ao estilo dos melhores ditadores, é inimigo declarado da imprensa e da informação livre”, acrescentou.

Só há um caminho a curto prazo: “Que a oposição se enrole em suas pequenezas partidárias e lute para ver quem vai liderar a oposição em um momento tão grave, além de mesquinho e perigoso é pueril e provinciano.”

Leia o artigo completo aqui.

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4 comentários

  1. Essa é a herança da perseguição ao PT. Mesmo sendo crítica ao governo do PT (não mais do que a outros governos), sempre lutei contra o golpe, pois sabia que as consequências seriam gravíssimas. Mas muita gente achou ótimo, defendeu um impeachment mal fundamentado… vibrou com a possibilidade de o PT ser eliminado do mapa, como se isso não prejudicasse o sistema democrático como um todo. Agora estão boquiabertos com Bolsonaro, como se a cabeça do monstro já não estivesse visível há muito tempo. Acompanho a coluna do Arias, nem sempre concordei com que ele dizia na época do impeachment. A culpa não é da oposição e não acho mesmo que estão apenas esperando o Bozo cair. Acho que sofreram um golpe que afetou a articulação da esquerda. É fato. Quem contribuiu para isso que faça meaculpa.

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  2. Qual é o número ideal de assassinatos a ser cometido pela polícia?

    Com a palavra o Degolado Marcus Vinícius Braga, Chefe da Polícia Civil do RJ

    “A tendência [do número de assassinatos praticados por policiais] é subir até dezembro, porque as ações estão sendo feitas. Conforme a gente for trabalhando as investigações, a inteligência, a integração com a Polícia Militar, a tendência é abaixar. É um número alto, não é o número que a gente deseja”.

    Qual é o número de assassinatos desejados por esses Gojobas?

  3. Juan Arias, é daqueles que durante a lava jato, apoiou feliz o término da corrupção no país. Encantado pelo juizeco, deitou a fazer declarações algo irônicas sobre a “santificação de Lula”.
    Como muitos da imprensa, ajudou a trazer a cena o pior presidente (ainda tenho dúvidas se Artur Bernardes Pinto não foi pior) que esta república já teve o desprazer de se submeter.
    Naquela época, suas lentes sujas não deixavam entrever quem estava vindo à tona.
    Como muitos, apenas tratou de se abster de expor as mazelas sobejamente conhecidas de Bolsonaro.
    Acovardou-se e agora deita sobre as costas da oposição a carga que se recusou a aceitar.
    É fácil cobrar atitude da oposição, especialmente agora, que está cada vez mais nítido que a censura, a repressão, estão avançando a passos largos.
    Quem pegar em armas, logo será taxado de terrorista, de subversivo, de triste lembrança na nossa história.
    E por falar em história, esta não será gentil com quem se atreveu a enfrentar.
    É tarde para o Brasil e para os brasileiros em geral.

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  4. Uma coisa não entendo. Vivemos um ambiente pré-nazismo (disso nao tenho duvidas) mas vivemos as “beijundas” com Israel e EUA. Ora, não são os judeus, após os comunistas, as grandes vítimas do pensamento distorcido dos nazistas?
    Será que as chances de se abocanhar um pedacinho do Brasil produz tamanha amnésia naqueles que tanto sofreram durante o domínio de Hitler?

    Penso um pouco diferente sobre a afirmação que: “O grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário”.
    Sobre isto, acredito que enquanto este louco que hoje ocupa o poder não for interditado formalmente, caberá às instituições ou barrarrem as insanidades deste sujeito, ou, no minimo, definir ações de contenção que possibilitem restringir a abrangência dos danos. Isto é democracia.
    Particularmente, no caso destes indivíduos hoje no poder, penso que retira-los enquanto lixo mantém a possibilidade de reciclagem. Portanto, com as instituições fazendo sua parte, a decomposição do lixo para chorume ocorrerá naturalmente e, ate lá, espero que este povo desenvolva um senso crítico capaz de impedir que se repita tamanho erro que foi entregar um poder tão importante a um despreparado mental como o atual presidente.

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