Bretas pode ser o próximo ministro “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro quer levar ao Supremo

Juiz da Lava Jato no Rio aumentou a publicação de mensagens evangélicas na sua conta do Twitter e disse que vaga no Supremo “é o sonho de qualquer juiz”

Marcelo Bretas, juiz responsável pelos processos da Lava Jato no RJ. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Jornal GGN – O juiz Marcelo Bretas, o responsável pelos processos da Lava Jato no Rio de Janeiro, pode ser o próximo ministro “terrivelmente evangélico” indicado pelo presidente Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal.

Um indício que pesa em favor de sua condução à Corte é o fato de Bretas ter intensificado o número de mensagens evangélicas (e terríveis) na sua conta do Twitter, desde que Bolsonaro anunciou pela primeira vez sua intenção durante um culto evangélico da Assembleia de Deus, em Goiânia, no dia 31 de maio.

No dia 13 de junho, o presidente defendeu novamente um ministro evangélico na Corte, em um evento com religiosos, em Belém. E voltou a abordar o assunto no dia 10 de julho, durante um culto da bancada evangélica na Câmara dos Deputados.

“Entre as duas vagas que terei para indicar para o Supremo um deles será terrivelmente evangélico”, disse parafraseando uma fala da pastora e ministra Damares Alves, quando assumiu a pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, em janeiro: “o Estado é laico, mas esta ministra é terrivelmente cristã”.

Desde a primeira declaração sobre o assunto, a imprensa apura quais são os nomes dos “evangélicos” que Bolsonaro quer no Supremo. O presidente tem o poder de indicar para o cargo, mas a aprovação é feita pelo Senado.

Um dia antes da primeira declaração sobre o assunto, ainda em maio, Bolsonaro se encontrou com Humberto Martins, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça e membro da denominação Adventista. O senador Flávio (PSL-RJ), e filho número um de Bolsonaro, acompanhou toda a conversa. Flávio está sendo investigado pelo Ministério Público Federal do Rio por suspeitas em várias atividades, entre elas a aquisição de 37 imóveis.

Mais recentemente, a colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo, destacou que a lista de cotados para assumir a vaga no STF inclui, além de Humberto Martins, o advogado-geral da União André Mendonça (pastor da Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília) e o juiz Marcelo Bretas.

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Em entrevista à Andréia Sadi, da TV Globo, no final de junho, Bretas foi questionado se ele era o evangélico a que o presidente se refere para assumir a próxima vaga na Corte. “Não sei. Aí você precisa perguntar ao presidente Bolsonaro”. Ao ser perguntado se ele gostaria de ser, afirmou: “Isso é o sonho de qualquer juiz”.

Se Bolsonaro está pensando ou não em Bretas para assumir uma vaga na Corte só o tempo dirá. O que é possível analisar agora é que o juiz da Lava Jato aumentou, nos últimos dois meses, o número de publicações evangélicas em sua conta do Twitter, em comparação aos primeiros meses do ano. Até o vídeo do Papa Francisco, veiculado logo após o escândalo das mensagens trocadas entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato, pedindo que os juízes sejam íntegros e imparciais, foi republicado por Bretas.

O juiz da Lava Jato do Rio manifesta sua religiosidade desde antes do governo Bolsonaro. Bretas frequenta a Comunidade Evangélica Internacional da Zona Sul, próxima à sua casa, na praia do Flamengo e, ao sentenciar o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), em 2016, usou a Bíblia.

“Por que será que as pessoas cometem crimes com tanta facilidade? É porque os criminosos não são castigados logo”, escreveu o juiz, citando um trecho do livro de Eclesiastes. A defesa do ex-governador chegou a pedir o afastamento de Bretas, sob a acusação de realizar julgamento sob amparo religioso, mas o pedido foi negado.

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Um aceno contra a queda de popularidade

Não há vagas no STF neste momento e nem tão cedo. Composta de 11 magistrados, a Corte só abrirá espaço conforme os ministros forem se aposentando, o que deve acontecer, primeiro, em novembro de 2020, e depois em julho de 2021, quando os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio Mello, respectivamente, completarem 75 anos.

Especialistas avaliam que o assunto foi apresentado por Bolsonaro como um apelo a queda de popularidade. Desde o início do ano a avaliação positiva do presidente vem sofrendo pioras, até se estabilizar em 33%, segundo levantamento mais recente do Datafolha.

“Bolsonaro viu a sua aprovação se desidratar nos últimos meses. E parte dos que desembarcaram do bolsonarismo são pessoas que votaram nele de uma forma mais pragmática, como o voto anti-PT. O presidente quer manter seus 30% de apoio, e esse apoio é fundamental para ele”, disse o historiador Murilo Cleto, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em entrevista ao UOL, logo após o presidente ter feito a primeira declaração sobre um evangélico no Supremo.

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9 comentários

  1. Curioso esse tuíte do Bretas, que nada tem de evangélico.
    Se há uma pessoa pela qual os evangélicos não tem o menor respeito, é o papa.
    Se o Bretas entendeu como justa a mensagem do papa a despeito de sua formação evangélica, isso pode ser um bom sinal, pois que, embora sendo “terrivelmente evangélico” ele poderá possuir o recomendado senso de equidade, qualidade imprescindível a um bom julgador.
    Se o blog quiser fazer um bolão, minha aposta será no Bretas.
    Com a nomeação do Bretas, o bozo estará matando 2 coelhos com uma só cajadada.
    Vai poupar seus filhos e companhia no caso dos laranjais e vai ter garantias na mais alta corte.

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  2. Ele já andou compartilhando algumas imagens dos seus atributos para o cargo, o Carluxo adorou e parece que o pavão ficou todo ouriçado.

  3. Será a escolha perfeita, diria mesmo que divina.
    O juiz dará início à moralização do atrapalhado Poder Judiciário. Mais à frente terá ao seu lado o grande DDallagnol, outro evangélico evoluído, tanto que conversa com Deus antes de arrebentar com a vida dos outros.
    Assim, o misto de ministro do STF e pastor levará adiante a cruzada pela honestidade e justiça igual para todos, a menos do auxílio moradia que recebe em dobro para conseguir morar na modesta av.Rui Barbosa, no RJ, já que a esposa também é juíza federal.
    Este é o brasilsil que vai prá frente, graças ao presidente inventivo que os brasileiros ganharam de presente.

  4. juizeco babaca, o Papa Francisco fala em justiça corretamente aplicada antes de mais nada, a independência é um atributo a mais, ou será que o bispo macedo et caterva não vão cobrar pedágios.

  5. Nem fascistas estes merdas bolsonaristas sabem ser…
    ontem queriam destruir o STF, hoje querem transformá-lo em um lugar sagrado

    precisam aprender com a Globo como manipular pessoas, a não ser que queiram apenas dividir a sociedade e jogar uma parte contra a outra com uso de preceitos religiosos e ideologias políticas, o que seria bem pior para o futuro dos nossos jovens

    quando jovens e velhos sofrem a mesma coisa, é o fim de um país que se anuncia

  6. Os sistemas midiático, judicial, educacional e religioso formam a superestrutura, cuja funçåo ė fazer a cabeça do rebanho e manter dócil e cativo o gado marcado para morrer….

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