Cada vez mais candidato e menos juiz, Moro enterra Lava Jato, por Helena Chagas

"Por mais paradoxal que pareça, se Moro quisesse defender a Lava Jato, deveria, ao contrário, tentar despolitizá-la"

Foto: Agência Brasil

Por Helena Chagas

No Brasil 247

O ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro entrou de cabeça neste fim de semana, em seguidas entrevistas, na defesa do que resta da Lava Jato. A PGR começou a questionar procedimentos de Curitiba durante a operação, que vão da inclusão de nomes “camuflados” de políticos em denúncias a suspeitas de uma colaboração informal e não autorizada com o FBI, passando por supostas tentativas de investigar autoridades do STF sigilosamente. Moro sabe que, se a Lava Jato for desmoralizada em função de seus métodos, perderá seu principal legado. O que o ex-ministro parece não saber é que, quanto mais entra nesse debate, mais político e menos juiz vai se tornando – o que  pode ser muito ruim para ele e para a Lava Jato.

Por mais paradoxal que pareça, se Moro quisesse defender a Lava Jato, deveria, ao contrário, tentar despolitizá-la. Do contrário, ficará tudo resumido a uma briga de facções políticas – como, aliás, já está acontecendo.

O ex-juiz pisou numa casca de banana neste domingo, na Globonews, quando se referiu à audiência de interrogatório do ex-presidente Lula como um “ringue com Lula”. É inadmissível, pelos padrões jurídicos, considerar normal que um juiz se refira a um procedimento que executou junto a um réu como a um “ringue”.  Mesmo que o juiz não seja mais juiz, e seja agora um pré-candidato à presidência da República que quer polarizar com aquele que condenou.

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