“Caso FBC” expõe que no Brasil nem a justiça está se entendendo mais, por Ricardo Antunes

É meu povo, não existe dúvidas de Lava Jato foi importante para o Brasil mas também é preciso admitir seus excessos. E erros não podem ser justificados mandando o Estado Democrático de Direito para o espaço

Por Ricardo Antunes

A “bomba” que explodiu ontem no Senado Federal tendo como alvo o ex-ministro e senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o deputado federal Fernando Filho (DEM) é prova cabal de que o cidadão comum não irá nunca entender os mecanismos da justiça e vai optar por dois caminhos:

Ou achar que a operação foi deflagrada com evidente exagero ou achar que os dois atores políticos guardam “culpa no cartório”. O ‘linchamento moral” pelas redes sociais que todo mundo – seja político ou não – está exposto hoje não ajuda em nada um olhar distante e equilibrado sobre a situação já que “as coisas não se passam pelo que são e, sim, pelo que parecem”, como ensinava um jesuíta espanhol.

A operação, chamada Desintegração, se baseia em delações premiadas da Operação Turbulência, deflagrada em junho de 2016. Um dos delatores é o empresário João Lyra, apontado em investigações como operador financeiro de supostos esquemas criminosos em Pernambuco. Até aí nada demais porque todo mundo pode ser investigado.

Dai até o final do processo, o chamado “trânsito e julgado” a diferença é abissal. Delatores dizem a verdade? sim é vero. Mas delatores também mentem para obter redução de pena ou ficar em casa “curtindo” sua piscina e sua quadra de tennis. O ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, é um perfeito exemplo disso.

Não adianta o ministro Sergio Moro dizer que a PF tem independência e que “não faz política”. Coincidência ou não, o senador e líder do Governo Bolsonaro FBC tinha feito severas críticas as ações midiáticas da Lava Jato e seus erros.

É meu povo, não existe dúvidas de Lava Jato foi importante para o Brasil mas também é preciso admitir seus excessos. E erros não podem ser justificados mandando o Estado Democrático de Direito para o espaço. O pedido para a ação estava na mesa do ministro Luiz Roberto Barroso desde junho desse ano.

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Por qual motivo ele só deu autorização no final de setembro é que coloca uma neblina com muita serração em todo esse episódio.

Ao que tudo indica o ministro do STF pode ter feito o certo mas numa hora totalmente errada. E isso não se pode aceitar porque coloca em suspeita a própria investigação e os atingidos podem sempre dizer que foram vítimas de perseguição.

Não foi a toa que a própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que não morre de amores pelo governo Bolsonaro condenou a decisão de Barroso que também foi de encontro ao parecer da então procuradora Raquel Ddoge.

No clima de radicalização e de Fla x Flu que tomou conta do país, antes de acusar é preciso ver se o dedo está limpo e as mãos bem lavadas.

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4 comentários

  1. RAntunes,
    Trecho pinçado de meu comentário sobre o assunto,
    “Aconteça o que acontecer, esta estrutura patrimonialista e sedimentada por golpes de Estado ao longo do tempo é quase que sagrada, o ministro FBCoelho faz parte deste grupo…”.
    É mais antiga das práticas do brasilsil, e o pior de tudo, sempre funcionou.

  2. Não sei como em 21 de setembro de 2019 pode escrever “não existe dúvidas de Lava Jato foi importante para o Brasil, mas também é preciso admitir seus excessos.”
    A operação lava jato foi totalmente importante para destruir o país economicamente, politicamente e moralmente, destruindo não só a economia, mas também as poucas instituições que tinham um desempenho sofríveis e passaram a ser horríveis.
    Não posso passar desta pequena introdução, pois o que já sabíamos era uma ação internacional para atingir em cheio qualquer política nacionalista e com alguma inclusão social.
    Este tal de Ricardo Antunes está vivendo em que país ou pior ele é o que politicamente.
    Verdadeiramente indecente este artigo.

  3. A Lava Jato foi importante para o país por que na sua opinião? Eu só vi destruição da economia, partidarismo, condenação (forjada) de uns enquanto outros (comprovadamente culpados) não foram nem incomodados, para “não melindrar” apoios

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