Caso Marielle: atuação de investigadores coloca em dúvida veracidade de áudios periciados

Passaram-se mais de 30 dias entre a descoberta de planilha com a versão envolvendo Bolsonaro e a apreensão do computador que teria armazenado gravações da portaria

Da direita para esquerda: Élcio Vieira de Queiroz (ex-policial militar) e Ronnie Lessa (policial militar reformado)

Jornal GGN – Um dos nossos leitores alertou que os indícios levantados na nota “Peritos afirmam que registros de ligação no condomínio de Bolsonaro foram editados“, publicada no blog Luis Nassif, com base em uma matéria da revista Piauí, careceriam de sustentação.

Com base em duas mensagens postadas por Carlos Bolsonaro na sua conta do Twitter, a reportagem da Piauí afirma que: “O áudio com a chamada para a casa 58 tem 11 segundos, quando a planilha informa que demorou 29; e o áudio da ligação para a casa 36 tem 12 segundos, quando, segundo a planilha, deveria ter 27”.

A reportagem diz ter consultado um perito aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo o especialista, “há ‘incongruência’ no vídeo. Mas ele ressalta que uma análise definitiva só é possível a partir da perícia do computador da portaria”, prossegue a Piauí.

De fato, nos vídeos publicados no Twitter, especialmente no segundo, é possível ver claramente que houve um corte. Mas, na própria mensagem, Carlos coloca um link do Youtube para o que ele afirma ser a reprodução dos trechos na “íntegra”.

Além disso, nosso leitor aponta para o fato de o perito ter contado apenas o tempo de fala, “quando, na verdade, a duração do áudio inclui toda a chamada, incluindo o barulho do telefone chamando”. Considerando o início da gravação até o final, os arquivos possuem sim cerca de 29 e 27 segundos.

Para tirar essa dúvida sobre a veracidade do material exposto por Carlos Bolsonaro, o GGN conversou com um perito criminal aposentado, que pediu para não ser identificado. Solicitamos que ele avaliasse os áudios divulgados pelo filho do presidente, para tentar provar que os arquivos da portaria não mostram relação entre seu pai e um dos envolvidos na morte de Marielle.

“Nos áudios, a barra de contagem do tempo do play some logo depois que começa a chamar. E reaparece apenas no final, um pouco antes de encerramento da ligação; em outro áudio, isso acontece um pouco depois. Me pareceu estranho. Aqui também seria de grande serventia ver em comparação com outros [arquivos de áudio] para ver se está no padrão”, observa o especialista.

“De fato, em geral o tempo das chamadas está incluído na duração do áudio. O tempo de chamada parece desproporcional, quase o triplo do tempo das falas”, completa o perito. Entretanto, prossegue ele, para ter certeza de que o material sofreu mudanças, é preciso escutar os outros áudios que aparecem na planilha usada por Carlos, “para ver se o padrão dos outros áudios é semelhante em relação ao tempo de chamada e tempo de fala”. “Se as duas ligações do Carlos forem destoantes das demais, é um indício de edição”, pontua o especialista.

Portanto, conclui o perito, “é possível sim ter edição, tanto dos áudios mostrados, quanto da localização dos mesmos na tabela mostrada pelo Carlos.”

“Os áudios nada mais são que arquivos. Então, suponha que você tenha um ou dois arquivos incômodos, pode-se excluir e depois gerar uma tabela sem os mesmos, ficando a impressão de que a tabela contempla a totalidade dos arquivos”, explicou.

Problemas que partiram da investigação

O GGN também pediu para o perito avaliar o papel do Ministério Público carioca na análise do material apreendido pela Polícia Civil e as conclusões divulgadas pelo órgão.

“Na verdade, isso que as promotoras [do Caso Marielle] fizeram, não pode ser chamado de perícia”, pontua.

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Para entendermos um pouco melhor a avaliação do perito, remontamos os fatos em torno da história do áudio e do depoimento do porteiro relacionando Bolsonaro aos suspeitos do crime contra Marielle e Anderson:

22 de janeiro

Ronnie Lessa mora no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa e vivia até o ano passado.

No dia 22 de janeiro, sua mulher, Eliane Lessa, envia para o celular dele uma foto com a planilha de entrada do condomínio Vivendas da Barra. Ali estava escrito que, no dia 14 de março de 2018, horas antes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ex-policial militar Élcio Queiroz tinha pedido autorização para visitar a casa 58, do presidente Jair Bolsonaro. Lessa mora na casa número 65/66.

Na mensagem, Eliane pede para o marido avisar Queiroz sobre a anotação. Os dois são amigos.

A Polícia Civil só teve conhecimento dessa foto sete meses depois das prisões de Lessa e Queiroz, quando conseguiram quebrar a senha do celular do ex-PM.

24 de janeiro

Lessa e Queiroz são ouvidos na Delegacia de Homicídios sobre o duplo homicídio de Marielle e Anderson. Na época, eles ainda estavam soltos, mas sob investigação, e negaram terem se encontrado no dia do crime.

12 de março

Os ex-PMs são presos pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sob a suspeita de participarem do assassinato de Marielle e Anderson.

4 de outubro

Lessa e Queiroz mudam sua versão e dizem que se encontraram no dia 14 de março de 2018, no condomínio Vivendas da Barra. De lá, disseram que saíram para assistir ao jogo do Flamengo contra o Emelec do Equador, em um bar, e continuando a negar a autoria do crime.

5 de outubro

A Polícia Civil realiza uma ação de busca e apreensão na portaria do Vivendas da Barra, em busca da planilha de controle de entrada de visitantes. Nessa altura, os investigadores já tinha conseguido quebrar a senha do celular de Ronnie Lessa, encontrando a foto da planilha.

7 de outubro

Por decisão própria, ou seja, sem ser solicitado por qualquer órgão de investigação, o síndico do condomínio entregou à Polícia Civil um CD-ROM contendo arquivos de áudios de ligações feitas entre a portaria e moradores nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2018.

No mesmo dia 7, a Polícia Civil interrogou o porteiro que teria trabalhado no plantão do dia 14 de março de 2018 e feito à anotação na planilha, indicando que Élcio Queiroz havia pedido autorização para ir à casa 58, de Bolsonaro.

O homem confirmou novamente a anotação e que, ao ligar para a casa 58, quem lhe atendeu foi um homem que ele identificou como “seu Jair”, autorizando a entrada de Élcio.

O porteiro disse ainda que acompanhou a movimentação de Élcio nas câmeras e viu que ele se dirigiu à casa 66, de Ronnie Lessa. O funcionário do condomínio voltou a ligar para a casa 58 e a mesma pessoa que ele identificou como “seu Jair”, da primeira ligação que liberou a entrada do ex-PM, disse que sabia para onde Élcio estava indo.

9 de outubro

O porteiro reafirma para a Polícia Civil a versão apresentada dois dias antes.

10 de outubro

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, e a promotora do caso, Simone Sibilio do Nascimento, apresentam o material sobre a citação do presidente Bolsonaro para o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, por envolver alguém com foro privilegiado.

A partir de então, a versão do porteiro, sobre a ligação entre Bolsonaro e os executores da morte de Marielle, se espalha pelas redações dos jornais.

15 de outubro

O Ministério Público recebe oficialmente da Polícia Civil os áudios da portaria, mas não encaminha automaticamente à perícia.

29 de outubro

O Jornal Nacional, da TV Globo, divulga uma reportagem com a versão do porteiro. A matéria ressalta que, apesar da anotação na planilha e do depoimento do porteiro à Polícia Civil, dizendo que havia ligado para Bolsonaro autorizar a entrada de Élcio Queiroz, registros da Câmara dos Deputados mostram que, no dia 14 de março de 2018, o então deputado federal estava em Brasília, participando de uma votação.

Em uma nota interna aos repórteres do Rio de Janeiro, alguns dias depois da reportagem, o diretor-geral de jornalismo da TV Globo, Ali Kamel, revela que a apuração do caso começou no dia 1º de outubro, quando tiveram acesso à página do livro de ocorrências do condomínio Vivendas da Barra.

Kamel conta ainda que, “em meio a essa apuração do Rio”, “uma fonte absolutamente próxima da família do presidente Jair Bolsonaro”, que teve o nome mantido em sigilo, “procurou” a emissora em Brasília “para dizer que ia estourar uma grande bomba, pois a investigação do Caso Marielle esbarrava num personagem com foro privilegiado”. Dias depois, a mesma fonte perguntava: A matéria não vai sair?”

30 de outubro

Procuradores do Rio de Janeiro, responsáveis pelo Caso Marielle, afirmam à imprensa que exames periciais comprovam que o porteiro mentiu. Segundo eles, os áudios da portaria mostram que, no dia 14 de março de 2018, quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz no condomínio foi um homem com a voz de Ronnie Lessa, e não de Bolsonaro.

Para reconhecer a voz, os peritos usaram como base de comparação o interrogatório do ex-PM dado à Justiça dia 4 de outubro.

1º de novembro

Reportagem do jornal Estado de S.Paulo revela que o Ministério Público solicitou oficialmente o exame da perícia menos de 24h depois de a reportagem do Jornal Nacional ter ido ao ar, mais exatamente no dia 30 de outubro, às 13h05m11s. Por volta das 15h30, portanto cerca de 2h30 depois, o MP carioca veio à público afirmando que o porteiro havia mentido.

Como mostram as informações acima, o órgão tinha recebido, da Polícia Civil, o matéria contendo arquivos de áudios no dia 15 de outubro.

Um dia antes, em 30 de outubro

O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse ao jornal Folha de S.Paulo que o Supremo Tribunal Federal e a PGR já arquivaram uma notícia sobre esse mesmo fato, enviada para a Corte pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

A procuradoria carioca informava sobre a existência da menção ao nome de Bolsonaro na investigação sobre os assassinatos de Marielle e Anderson. Segundo Aras, por falta de consistência, o pedido de investigação fora arquivado.

Em outra reportagem da Folha, peritos defenderam que a análise apresentada pelo MP carioca, feita em cerca de duas horas e meia, deixava lacunas.O presidente da Associação Brasileira de Criminalística, Leandro Cerqueira, afirmou que não era possível determinar se um arquivo foi apagado ou renomeado, sem acesso à máquina em que as gravações foram geradas.

5 de novembro

O Blog do Berta divulga uma matéria com documentos de receitas e despesas do condomínio Vivendas da Barra, mostrando que o local contrata serviços da Bluephone, empresa especializada num sistema de comunicação conhecido como IBPX, que permite, entre outras facilidades, que uma pessoa atenda, pelo celular pessoal, ao ramal do interfone de sua casa sem estar fisicamente presente.

A revelação coloca em dúvida o argumento principal do presidente Bolsonaro, ou seja, que ele estava em Brasília, portanto não poderia ter autorizado a entrada de Élcio Queiroz no condomínio.

7 de novembro

Finalmente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza uma nova ação de busca e apreensão no condomínio Vivendas da Barra para retirar o computador usado pela administração do condomínio com os arquivos de áudio da portaria.

O resultado da perícia do computador não foi divulgado até o fechamento dessa matéria.

….

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“Na verdade elas [as promotoras cariocas] fizeram algumas perguntas bem dirigidas”, observa o perito criminal aposentado que conversou com a nossa reportagem.

Publicamente, MP-Rio afirmou que todas as pergunta feitas sobre os áudios foram  referentes à casa 65/66, onde de fato mora Lessa. Como Bolsonaro é presidente, uma possível investigação sobre ele precisaria da autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o perito ouvido pelo GGN, as perguntas para o caso deveriam ser, por exemplo:

  • O CD é comprovadamente uma cópia fiel do computador de onde foi copiado?;
  • O padrão dos áudios é semelhante às demais chamadas constantes do arquivo?;
  • A duração dos áudios é compatível?;
  • Há certeza de que outros arquivos (de outras ligações) não foram excluídos da cópia em CD apresentada?;
  • Há indícios de edição de algum dos áudios?

“Se nenhuma dessas perguntas foi feita, é porque não queriam respostas técnicas conclusivas. Era somente a pressa de desmentir a versão do porteiro, ou havia outro interesse para que essas respostas não aparecessem nessa altura das investigações?”, questiona o especialista.

Ele pontua, por outro lado, que a “perícia” do CD-ROM não tem nenhuma validade jurídica,

“Qualquer pessoa que venha fazer parte do processo pode, num momento posterior, quando tiver acesso aos autos, impugnar essa ‘perícia’ exatamente porque feita em CD cuja verificação de autenticidade não foi feita”, destaca. “Mesmo que todas as outras perguntas tivessem sido feitas, isso não resolveria esse problema do vício de origem do material coletado de forma inapropriada”, pondera.

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Ele ainda destaca que o CD abre outra hipótese: “Coletam errado alguma prova exatamente para ser impugnada muito tempo depois, retornando o processo à estaca zero? A pressa e a forma atabalhoada das promotoras fazerem a prova da verdade dos áudios pode ter relação com isso: darem munição para a família Bolsonaro poder se defender melhor embaralhando todo o processo, colocando tudo em dúvida”, conclui.

Sobre a necessidade de periciar o computador da portaria, destaca que “se os arquivos constavam de um HD de computador, mesmo alterados ou apagados, podem ser recuperados pelos peritos da polícia. Somente se o HD tiver sido formatado, essa recuperação de dados pode não ser possível. Ou também com a utilização de algum dispositivo tecnológico mais avançado que danificasse os arquivos modificados ou deletados”.

De todo o modo, para o perito aposentado, a demora do MP do Rio solicitar a apreensão do computador da portaria e, ainda, a rápida perícia dos áudios do CD-ROM “evidencia que houve a intenção de manipular a base original de dados”.

Élcio Vieira de Queiroz (ex-policial militar), suspeito de envolvimento na morte de Marielle Franco, e o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Facebook

 

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5 comentários

  1. Quem é o síndico? Porque ele entregaria a polícia material sem ser pedido?
    Seria outro miliciano que mora no mesmo condomínio?

  2. Para contribuir:
    Ressalte-se que se a central do condomínio é do tipo PABX (programável) com IP (internet): IPBX.
    PBX = Private Branch eXchange; PABX = … Automated …; IPBX = IP (VoIP) branch exchange.
    (VoIp = Voice Over Internet Protocol, ou ligações digitais via internet)
    São todas “centrais privadas de ramais” (que se conectam à rede pública via uma ou mais linhas, nelas chamadas de “troncos”). As “automated” são programáveis (ex. transferências, conferências, etc.)
    Portanto elas e seus ramais (residências) têm acesso tanto à rede pública (fixa ou móvel) quanto à internet.
    As centrais modernas oferecem REGISTRO DE CHAMADAS (geralmente para tarifação interna), ALÉM da opção de gravação de VOZ (caixa-postal e/ou registro automático ao vivo).
    Portanto, há 3 (TRÊS) REGISTROS que já deveriam ter sido apreendidos e periciados desde que o morador Ronnie Lessa foi indiciado (março/2019!). Todos só serão válidos SE ORIGINAIS periciados como não alterados:
    1) Registro do LIVRO, em papel.
    2) Registro de DADOS das ligações, na central.
    3) Registro de ÁUDIO gravados das ligações.
    Além disso, para uma investigação séria, seria necessário levantar as ligações feitas e recebidas:
    1) Da(s) linha(s) do condomínio (“troncos” da central), para saber se houve ligação externa em volta do horário de entrada.
    2) Da(s) linha(s) do presidente, à época (além de confirmar onde estava exatamente o então deputado em Brasília, no gabinete, plenário, restaurante, etc.) pelo menos 15m antes e depois da entrada no condomínio.
    3) Se possível, o(s) telefone(s) do então deputado para perícia.
    Com relação a recuperar arquivos apagados, pode ser que não seja possível, caso eles tenham sido sobrepostos por outros (sobregravados). Questão de sorte (ou saber como fazer propositadamente).
    Só assim poderia se chegar a uma investigação conclusiva neste aspecto.
    Para terminar, é necessário o seguinte comentário:
    O crime, em seus diversos níveis, é grave em qualquer lugar do mundo, MAS:
    Crime pelas AUTORIDADES que devem investigá-los e combatê-los é MUITO MAIS GRAVE!
    Obstrução de Justiça, utilização de meios ilegais (Moro), proteção de suspeitos (Bolsonaro, Flávio), seletividade de acusações e condenações sem provas ou sem crime(Lula) são exemplos graves.
    Vocês viram esse tipo de coisa “por aí”?

    10
  3. Então os dois suspeitos saíram para ver o jogo Flamengo X Emelech?
    Em que tempo chegaram ao bar?
    Antes do jogo?
    Quanto tempo mais ou menos?
    O jogo já estava em andamento?
    Quantos minutos?
    Que bar é esse?
    Em que rua fica?
    Com sorte, e com as informações dadas é possível que alguma câmera instalada na rua os tenha filmado, ou mesmo o bar tenha câmeras internas, com esses níveis de violência, isso não é nada extraordinário. Com isso estaria provada a inocência dos dois.

    O que mais tem faltado as nossas policias são investigadores, com um espirito mínimo que seja de um Cherlock, Poirot ou Poe.
    Só querem fazer selfie para a mídia como os federais da farsa jato.

    Esse crime vai acabar sendo desvendado pelas redes sociais.

  4. Em algum momento propício legal e politicamente possível a quebra de sigilo telefônico do “alvo” desta porra toda, cai ser pedido. E aí …..

  5. no apodrecido estado do RJ, e nas entranhas do judiciário e da polícia federal, …. aqueles que juraram cumprir a lei viraram cúmplices e jagunços de uma família de assassinos…
    Um horror !

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