Comunidade científica discute desmonte do setor pelo governo Bolsonaro

Nos dias 8 e 9 de maio, em Brasília, instituições promovem manifestações no Congresso Nacional contra os cortes de 42% no orçamento da Ciência, Tecnologia e Inovação. Ministro Marcos Pontes tem ao menos dois encontros com os participantes

Da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em articulação com entidades científicas e acadêmicas nacionais, realiza nos dias 8 e 9 de maio, em Brasília, no Congresso Nacional, manifestações em defesa da ciência e tecnologia. O desmonte da CT&I, com os cortes de 42% no orçamento do setor, anunciados no final de março, chegou a um ponto quase irreversível, e é urgente que toda a sociedade apoie e participe como puder dessa grande mobilização. Confira abaixo logo abaixo do texto a programação das atividades #cienciaocupabrasilia.

No dia 8, um ato no Congresso Nacional marca o lançamento da “Iniciativa de C&T no Parlamento – ICTP.br” e em defesa da ciência brasileira, com a presença de entidades científicas, instituições de pesquisa e pesquisadores de todo o País. A ICTP.br é coordenada pela SBPC junto à Academia Brasileira de Ciências (ABC), Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (Confies), Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (Consecti) e Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Municipais de Ciência, Tecnologia. Trata-se de um movimento organizado da comunidade brasileira de ciência e tecnologia para atuação permanente junto aos parlamentares no Congresso Nacional e, também, em Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais, em prol do desenvolvimento científico e tecnológico do País.

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Na ocasião, serão apresentados e discutidos com os parlamentares os pontos prioritários para a recuperação do setor, como a atuação do Congresso em defesa da recomposição do orçamento do MCTIC; os projetos de Lei prioritários neste momento, como o PLS 315, que transforma o FNDCT em fundo financeiro, o projeto de lei que destina 25% do Fundo Social do Pré-sal à CT&I e a derrubada dos vetos à Lei dos Fundos Patrimoniais. Também será destacada a necessidade da implantação efetiva do Marco Legal e extensão a estados e municípios, a articulação junto às bancadas estaduais em defesa das FAPs e o compromisso de discussão com a comunidade científica. Os organizadores da iniciativa pretendem ainda iniciar debates sobre projetos mobilizadores e estruturantes em CT&I, e como implantar junto aos congressistas uma agenda em prol da CT&I brasileira como elemento essencial para a superação dos graves problemas do país.

No dia 9 de maio está programada uma reunião o dita todo com o ministro Marcos Pontes, no MCTIC. Na parte da manhã, o encontro será fechado, com um número limitado de representantes de entidades científicas, entre as quais, as que possuem assento no CCT. À tarde, a reunião será aberta a todos os outros representantes da comunidade científica também no auditório do MCTIC. Nos dois períodos, está programado debater os pontos prioritários.

VEJA A PROGRAMAÇÃO

DIA 8 DE MAIO

10h00 – Presença na Audiência Pública do Ministro da CTIC, Marcos Pontes, na Comissão de Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – CCTCI da Câmara Federal, no Plenário 13, Anexo II.  [Observação: Há uma limitação de pessoas para participarem da Audiência e, em geral, a entrada passa a ser barrada quando tal número é alcançado. Sugere-se chegar antes do horário marcado para a Audiência].

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15h30 – 16h30 –  Reunião dos representantes da comunidade científica e tecnológica no Auditório Freitas Nobre (Anexo IV) para apresentação conjunta da Iniciativa para a C&T no Parlamento (ICTP.br) e discussão do cronograma de atividades de 2019

17h00 – Ato de lançamento da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br) e em defesa da ciência brasileira, no Plenário 13, Anexo II, com a presença de parlamentares e representantes das sociedades científicas e acadêmicas e de instituições de pesquisa, universidades, institutos federais, entidades empresariais ligadas à CT&I, grupos de pesquisa, INCTs, etc.

DIA 9 DE MAIO

9h00 – 12h00 – Reunião Fechada do ministro Marcos Pontes, no MCTIC, com representantes das entidades nacionais da comunidade científica e tecnológica (em número limitado e entidades previamente definidas)

13h30 – 16h00 – Reunião Aberta do ministro Marcos Pontes com todos os representantes da comunidade científica e tecnológica, também no MCTIC.

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8 comentários

  1. Desculpe ser pessimista mas não tem jeito de reverter, o Governo bozo não gosta de educação e ciência, pois tudo que representa a verdade pra ele tem que ser extirpada, é o governo da mentira, só está no poder pela mentira, fake news e injustiças contra a presidente Dilma e Lula, o único jeito é um impeachment.

  2. Por falar em comunidade acadêmica vem a mente uma questão instigante. O que acontece com a Academia?
    Estaria sofrendo hoje consequências de problemas que enfrenta há muito tempo? O que ocorre com as escolas de comunicação que aparentemente assistem passivamente a interdição da “liberdade de expressão” sequestrada por um cartel ilegal de empresas privadas que, em vez de informar e educar, emburrece toda a sociedade? Honrosa exceção feita à publicação do Manchetômetro (se não me engano o crédito deve ser dirigido à UERJ), que denuncia essa abominação, o que se produz na Academia em defesa da sociedade?
    https://www.revistaforum.com.br/pt-e-o-partido-mais-criticado-pela-grande-imprensa-lula-so-perde-para-temer-diz-manchetometro/
    Quem formou e onde estudou aquela patuleia que se vestia de amarelo em 2013 e 2014 e dizia que estava indignada com a “corrupção” dos outros, e depois quedou-se satisfeita porque o objeto da sua indignação já não existiria mais? Por que as correntes de pensamento que se dizem “de esquerda” se recusavam a participar de movimentos em defesa da Petrobras, em 2014, alegando que se o fizessem estariam dando apoio a partidos políticos corruptos, mas saíram às ruas alegremente, convocadas pela mídia (imparcial e honesta), a bradar contra a realização da Copa do Mundo no Brasil? Onde e como se formaram a geração de Chicago Boys, que levou o país ao desastre nos anos 90? Quantos estudos e análises a Academia produziu para explicar à sociedade aquela atuação deletéria, que se reflete agora, em forma de tragédia nos rompimentos sucessivos de barragens em Minas Gerais? Como é possível que uma escola assentada em pensamento econômico nefasto e anacrônico, esteja hoje de volta, ressuscitada a brilhar no poder, na pessoa de seu representante mais medíocre, Paulo Guedes? Tudo isso não se envolveria e estaria associado em cadeia lógica de fatos que guardam entre sí estreita relação de causa e consequência?
    O que teria sido necessário fazer para que a população entendesse que deve defender a Academia, agora sob ataque?

    • muitos ainda sob efeito da amnésia pós-hipnótica…
      …ao abrirem os olhos, esqueçam completamente a merda que estão prestes a fazer…

      uma sugestão que a mídia soube muito bem como proferir ou propagar durante o estado hipnótico

      usou no golpe contra Dilma e está usando com Bolsonaro

    • Caro Bonobo.
      Eu trabalhei na Academia durante 38 anos e tenho a seguinte opinião sobre a ordem das estruturas mais conservadoras que existem:
      1º) Exército.
      2º) Judiciário.
      3º) Academia.
      Logo de onde não se espera muito é geralmente da onde não sai nada.
      Talvez o Brasil tenha que ir para o fundo do poço, para após a reação a isto, se possa construir novas instituições, e a Universidade é uma delas.

  3. A Profa. Helena Nader, então presidente da SBPC, fez cara de paisagem quando a Dilma foi derrubada. Não deu um pio. Agora que a vaca tá atolada no brejo com o nariz tapado, que eles acordam. Mas sabe por quê? Porque as bolsas de pesquisa estão sendo cortadas e serão interrompidas em breve, bem como recursos para projetos. Tem gente nos meios acadêmicos brasileiros (especialmente nas Exatas, me doi dizer, pois eu sou dessa área) que só olha pro próprio umbigo e só vive para publicar, publicar e publicar, de preferência através da exploração de alunos de pós e de professores mais jovens.

    • disse tudo…
      nessas horas é que gente vê que o forte deles é ocuparem os espaço sem se preocupar com as suas propriedades

      matematicamente eu diria que ele mais um geômetra deslumbrado do que um cientista astronauta

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