Congresso nos EUA dá início às sessões de depoimentos no processo de impeachment contra Trump

Principais testemunhas contra presidente dos EUA reforçam a acusação de que ele teria pressionado presidente da Ucrânia para investigar oponente político

O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Isac Nóbrega/PR

Jornal GGN – Aconteceu nesta quarta-feira (13), no Congresso dos Estados Unidos, a primeira sessão pública e televisionada contra o impeachment do presidente daquele país Donald Trump.

Na audiência, os deputados escutaram as principais testemunhas sobre a acusação de que Trump teria pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para investigar as empresas do ex-vice-presidente americano Joe Biden e seu filho, na Ucrânia.

Em troca da investigação contra seu oponente político, Trump teria prometido a Zelensky uma ajuda de 250 milhões de dólares para o setor militar do país, congelados pelo governo norte-americano até então.

O tema foi vazado em setembro, na imprensa norte-americana, a partir de uma troca de conversas entre Trump e Zelensky, sugerindo que o presidente dos EUA estava oferecendo os recursos para o setor militar ucraniano em troca de investigações sobre Biden.

Na sessão desta quarta-feira deram testemunhos o embaixador interino na Ucrânia, William B. Taylor, e o alto funcionário do Departamento de Estado George Kent.

Os dois já haviam prestado depoimentos aos deputados, mas a portas fechadas. Na sessão aberta de ontem, Taylor, que possui 50 anos de serviço público, confirmou a acusação contra Trump. “Encontrei um canal irregular de política para a Ucrânia”, disse. “Escrevi que seria ‘uma loucura’ reter a assistência de segurança como forma de troca para obter ajuda em uma campanha política doméstica nos Estados Unidos”, completou.

“É isso que os americanos devem esperar de seu presidente? Se esse comportamento não merece um julgamento político, então o que ele merece?”, questionou o presidente do Comitê de Inteligência, Adam Sachiff, do partido de oposição a Trump.

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O embaixador da Ucrânia disse ainda que uma pessoa de sua equipe ouviu uma conversa entre Gordon Sondland, um diplomata americano, e Trump, em 26 de julho. Segundo a pessoa, Trump teria perguntado sobre “as investigações”. Quando desligou a ligação com o presidente dos EUA, Sondland teria dito ao funcionário de Taylor que Trump “se importava mais com as investigações de Biden” do que com a Ucrânia.

O outro a prestar depoimento na sessão, George Kent, alto funcionário do Departamento de Estado, acusou Rudy Giuliani, advogado pessoal de Trump, de ter realizado uma campanha para “sujar” Marie Yovanovitch, ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia, que denunciou a pressão de Trump para demiti-la com “acusações falsas”.

Assim como no Brasil, o Congresso norte-americano é dividido entre a Câmara dos Deputados e o Senado. O processo foi aprovado na primeira casa, onde os democratas, partido de oposição ao governo Trump (republicano), têm maioria. Na Câmara Alta, ou seja, no Senado, os republicanos são a maioria e podem impedir a saída de Trump.

Por causa disso, especialistas avaliam que é baixa a possibilidade de impeachment de Trump, mas não há dúvidas de que o processo o enfraquece politicamente. O republicano está no último ano do mandato e pretende concorrer à reeleição.

Esta é a quarta vez na história dos Estados Unidos que o Congresso ativa um processo de impeachment. Até hoje, a análise de impedimento nunca chegou até o fim. O caso mais famoso é de Richard Nixon, pelo caso Watergate. Ele decidiu renunciar antes que a votação do impeachment chegasse à fase final, no Senado.

*Com informações do El País 

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