Consórcio liderado pela Petrobras leva a maior área do megaleilão do pré-sal

Apesar do resultado, movimentos contrários ao leilão dizem que processo abre precedentes à privatização do petróleo brasileiro

Plataforma para exploração de petróleo da Petrobras. Foto: Agência Petrobras

Jornal GGN – O consórcio formado pela Petrobras e pelas chinesas CNOOC e CNODC venceu, nesta quarta-feira (6), o leilão para explorar Búzios, a maior área de petróleo já descoberta no país. O grupo foi o único a realizar uma oferta à primeira área apresentada no megaleilão do pré-sal.

Amanhã, quinta-feira (7), o governo realizará um novo leilão do pré-sal, com oferta de cinco áreas exploratórias com bônus de assinatura total de R$ 7,85 bilhões. O consórcio que venceu o direito de explorar Búzios, irá pagar R$ 68,2 bilhões ao governo.

A Petrobras tem 90% de participação no consórcio e as duas chinesas dividem igualmente os 10% restantes. Búzios, localizada na Bacia de Santos, tem capacidade estimada de produzir 13 bilhões de barris, o dobro do volume que o Brasil tem hoje em reservas provadas.

A Petrobras já vinha explorando em Búzios, onde foram instaladas quatro plataformas em operação que, em setembro, produziu 406 mil barris de petróleo por dia, se tornando a segunda maior produtora do país, atrás apenas de Lula, também na Bacia de Santos.

No leilão desta quarta, o governo também ofereceu a área de Itapu e Sépia. A Petrobras levou a primeira, sendo a única a apresentar uma oferta, exercendo seu direito de preferência. Já a área de Sépia não recebeu nenhuma oferta.

Apesar do quadro, apresentando vantagem da Petrobras no resultado do leilão, o processo de cessão onerosa é avaliado com preocupação por grupos nacionalistas. A ex-presidente Dilma Rousseff, divulgou uma nota, compartilhada aqui no Jornal GGN, afirmando que a rodada de leilão no pré-sal representa “um atentado” contra a soberania do país.

“A rodada de leilão de excedentes da cessão onerosa do pré-sal representará um atentado gravíssimo e de prejuízos sem precedentes à nossa soberania. Um dano irreparável de entrega de nossas riquezas naturais a estrangeiros e de privação dos brasileiros de recursos que lhes pertencem. Um verdadeiro crime de lesa-pátria, que somente a mobilização nacional poderia impedir”, destacou Dilma.

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Em 2010, o então governo Lula cedeu à Petrobras o direito de produzir cinco bilhões de barris de petróleo em áreas do pré-sal, durante um processo de capitalização da estatal. Em troca, a Estado recebeu novas ações emitidas pela Petrobras.

Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff tentou vender diretamente à Petrobras os volumes excedentes do pré-sal, divididos em quatro áreas da Bacia de Santos, por R$ 15 bilhões, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu a operação.

No artigo publicado hoje, Dilma destaca que a AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) realizou um estudo onde conclui que o Brasil sofrerá “perdas sem precedentes”, com o leilão das áreas do pré-sal.

“Segundo a AEPET, as áreas da cessão onerosa são as melhores e mais produtivas do pré-sal. Das cinco áreas de maior produção no Brasil, três estão localizadas nesse campo. São as mais produtivas do mundo”, destaca a ex-presidente.

“Se contratasse a Petrobras para a exploração dessas áreas, ‘o Estado brasileiro poderia ter uma receita líquida, a valor presente, de R$ 987,962 bilhões. Dessa receita, R$ 270 bilhões poderiam ser destinados a todos os Estados e Municípios'”, completa Dilma.

Durante o discurso de abertura do processo de leilão, nesta quarta-feira, o diretor geral da ANP, Décio Oddone, disse que o dia era “histórico”. “É resultado de um esforço contínuo de muita gente”, comentou diante de uma plateia cheia de representantes do governo e do setor de petróleo, entre eles os ministros de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, a secretaria especial do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), Martha Seiller, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Raimundo Carreira, e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

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“Esse leilão destaca-se também pelo impacto relevante na economia nacional. Pela primeira vez, o valor dos bônus será dividido pela União com estados e municípios”, frisou Albuquerque, se referindo ao acordo entre o governo e o Congresso para dividir o valor obtido do bônus de assinatura com entes da federação: Estados e municípios.

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6 comentários

  1. As petroleiras gringas estão bem informadas da situação politica do Brasil……governo desacreditado internacionalmente, uma justiça completamente desvairada e o “pau comendo na vizinhança”…… condições nem um pouco favoráveis a “make deals” …….é só observar o nível de cautela das chinesas CNOOC e CNODC, as duas juntas com 10%…….

  2. O fato da Petrobrás ter arrematado o maior campo de petróleo já descoberto no Brasil, por ela mesmo,diga-se de passagem, não quer dizer nada.
    Nas mãos dos vendilhões da pátria isso simplesmente representa um valor a mais na busca insana de privatizar nossa maior companhia.

  3. Por um lado dá um certo “alívio”, embora estranha surpresa, dada a “nova direção” do privataríssmo Castelo Branco, que como NUNCA VISTO NA HISTÓRIA DO CAPITALISMO EMPRESARIAL, assumiu a presidência de uma empresa discursando que queria INCENTIVAR A CONCORRÊNCIA” (???????!!!!!!!!!!).
    Por outro, se a já esquartejada empresa for afinal privatizada, fica desde já explicado…

  4. Adicionando um detalhe na questão. Ao contrário do que os idiotas do “governo” Bolsonaro acreditam, nenhum CEO de petroleira que valha o seu salário iria comprar o que é efetivamente mercadoria roubada. Eles SABEM que os contratos assinados por Bolsonaro não têm nenhum valor e a primeira coisa que o próximo presidente brasileiro irá fazer, depois de prender os Bolsonaros, será anular todos os contratos efetuados pela quadrilha (e com razão).

  5. E completando o que eu comentei antes. Como eu previ que iria acontecer, além do problema evidente do pré-sal ser uma “mercadoria roubada” aonde quem está tentando vendê-lo não é o dono legítimo, ninguém investe em um país com uma justiça PATÉTICA como a brasileira, aonde a resolução de questões contratuais depende de qual lado pagar mais para juízes vaidosos, incompetentes e absolutamente corruptos.

    E muito menos se investe em um país governado por um IDIOTA que está fazendo de tudo para desestabilizar o próprio país e torná-lo em uma ditadura bananeira, todo mundo que tentou sabe como cedo ou tarde as coisas acabam mal.

  6. Puta que o pariu, me sinto comprando o que já é meu! E me respondam: “Em que bolsos irá parar esta grana”?
    É como eu casasse com uma prostituta canalha e esta me obrigasse a comprar minha própria casa mandando o dinheiro para o seu cafetão.

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