Desemprego aumenta no primeiro trimestre do ano e alcança 13,4 milhões

Levantamento o IBGE mostra ainda que mais de 5 milhões procuram emprego há mais de um ano; Bolsonaro diz que desempregados no país 'não tem qualificação'

Pessoas formam filas à procura de emprego. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – A taxa de desemprego (ou taxa de desocupação) aumentou no primeiro trimestre de 2019 em relação aos três últimos meses do ano em 1,1 ponto percentual: passou de 11,6% para 12,7%, segundo informações da Pnad Contínua, produzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na prática, significa que 13,4 milhões de brasileiros estão desempregados – o maior volume de desocupação registrado desde maio de 2018.

Ainda, segundo a entidade, 5,2 milhões de brasileiros (38,9% dos desempregados no país) procuram emprego há mais de um ano.

A metodologia do IBGE considera dados de 15.756 setores, em 3.464 municípios. O instituto também coleta informações de 211 mil domicílios. “Um domicílio, uma vez selecionado para mostra de pesquisa, é visitado uma única vez no trimestre, por 5 trimestres consecutivos”, explica o IBGE na apresentação publicada sobre os dados mais recentes.

A Pnad Contínua trimestral mostra ainda que a taxa de desemprego cresceu em 14 dos 27 Estados, incluindo o Distrito Federal. As unidades do país que apresentaram o maior contingente de desocupados foram Amapá (20,2%), Bahia (18,3%) e Acre (18,0%). E os estados com menores índices são Santa Catarina (7,2%), Rio Grande do Sul (8,0%), Paraná e Rondônia (ambos com 8,9%).

Nesta quinta-feira (15), durante viagem em Nova Iorque, além de chamar manifestantes que participaram de atos contra os cortes na Educação de “idiotas úteis”, durante uma revista rápida à imprensa, presidente Bolsonaro culpou o desempenho durante a fase de ensino como responsável pelo desemprego de parte dos brasileiros que não conseguem colocação no mercado.

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“Se você pega as provas, que acontecem de três em três anos, está cada vez mais ladeira abaixo. A garotada, com 15 anos de idade, na oitava série, 70% não sabe uma regra de três simples. Qual o futuro destas pessoas? Fala-se que tem muito desempregado, 14 milhões, mas parte deles não têm qualquer qualificação porque esse cuidado não teve pelo PT ao longo de 13 anos”.

Taxa de subutilização da força de trabalho

O IBGE aponta ainda que o percentual de pessoas desocupadas ou subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (subutilizadas) ficou em 25,0% no primeiro trimestre do ano, o que representa 28,3 milhões de pessoas – um recorde da série histórica.

Em relação a sexo, raça, grau de instrução e classe social, o levantamento aponta que o maior nível de desemprego está entre as mulheres, jovens e negros. O maior contingente de desempregados também se concentra na faixa etária entre 25 e 59 anos (57,2%) e, em seguida, entre os jovens de 18 a 24% (31,8%).

Por sexo

Homens – 10,9%
Mulheres – 14,9%

Por idade

14 a 17 anos – 44,5%
18 a 24 anos – 27,3%
25 a 39 anos – 11,9%
40 a 59 anos – 7,5%
60 anos ou mais – 4,5%

Por cor ou raça

Brancos – 10,2%
Pretos – 16%
Pardos – 14,5%

Por instrução

Menos de 1 ano de estudo – 10,2%
Fundamental incompleto – 11,4%
Fundamental completo – 13,9%
Médio incompleto – 22,1%
Médio completo – 14,5%
Superior incompleto – 14,1%
Superior completo – 6,9%

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Clique aqui para acessar o relatório da Pnad trimestral contínua na íntegra.

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6 comentários

  1. Ontem um Bolsominion estava defendendo o Bolsonaro, alegando que, além de receber uma herança maldita dos governos anteriores, ele ainda não teve tempo suficiente para criar emprego e renda. Eu perguntei: O tempo do governo Bolsonaro ainda não foi suficiente para criar emprego e renda mas foi suficiente para aumentar o número de desempregados, né, Zé Bonitin?

  2. Andamos bem.
    Belíssima reportagem da globa mostrava repórter alta e sorridente entrevistando candidatas a empregadas domésticas recém saídas de uma agência de empregos, que com suas pastinhas pretas e letras douradas se preparavam esperançosas para entrevistas de contratação.
    A repórter alegre dizia convicta que elas, as entrevistadas, estavam com sorte porque ela era pé quente e todas as suas entrevistadas tinham conseguido emprego.
    Enquanto isso, lá na redação, o narrador mostrava os gráficos onde estatísticas davam conta de que mais de 90% das vagas de emprego eram para diaristas e empregadas domésticas e que tais vagas tinham por preferência mulheres negras ou pardas, de meia idade e que apenas 2% eram contratação com carteira assinada.
    A cereja do bolo, entretanto, e que foi apresentada em grande glória, foi a representação de que as candidatas MEI – (MICRO EMPREENDEDORAS INDIVIDUAIS)* eram as mais solicitadas, e que havia um aplicativo próprio para a sua contratação.
    Elas compareciam para o período solicitado, trabalhavam o horário combinado e caiam fora da vista dos patrões sem que eles devessem a ela qualquer obrigação trabalhista além das horas trabalhadas.
    Olha a maravilha da coisa.
    O intermediário, sem tirar a bunda da cadeira, estabelecia o elo entre a mão de obra e as patroas, recebia o dinheiro, mordia a sua parte e repassava o restante para as contratadas.
    Tudo limpinho e impessoal. A mão obra só chega para executar.
    É a glória!
    Algumas contratadas diziam-se ( na reportagem ) felizes da vida porque conseguiam trabalhar em duas casas num dia só, mas não contribuíam para a previdência.
    Achavam que eram “empresárias de si mesmas” e, portanto,livres.
    De volta pra senzala, em escravidão organizada, enfim, a PEC das domésticas em breve será letra morta e todos os empregos serão de serviço doméstico, de construção, de guarda e faxina para que os coloridos e os pobres, todos MEI, não morram de fome na frente da casa dos patrões coxinhas exultantes.
    Os MEI terão a benesse de trabalhar a vida inteira sem perspectiva de aposentadoria, mantendo-se ou não a previdência como está, eis que não ganham o suficiente nem para a contribuição e nem para o pagamento de previdência privada.
    O estado lucra, tanto ao exigir a contribuição patronal quanto ao multar os MEI pelo não pagamento dessas, que dificilmente se lembrarão de fazer.
    O golpe deu certo, sim.
    A casa grande comemora.
    Esses animais de trabalho doméstico, como diz Delfin Neto, agora são mão de obra farta, barata, disponível e sem ônus.
    O país, ora o país.
    O país está como deus quer e o diabo gosta.
    Bendita a foto profética da babá com os gêmeos empurrando o carrinho e o casal de verde e amarelo curtindo o cachorro na passeata “fora Dilma”
    * – https://pt.wikipedia.org/wiki/Microempreendedor_individual

  3. Pelo visto a alteração na CLT não gerou os empregos garantidos pelos seus defensores.

    quem mandou confiar em um político após ele ter dito isso:
    “ou mais direitos e desemprego ou menos direitos e emprego para todos”

    mas, aguentem mais um pouco, no máximo mais 5 anos desempregados, porque agora estão prometendo a mesma coisa com a reforma da previdência. Acreditem

    Sorte a todos na busca por emprego

  4. Pelo visto a alteração na CLT não gerou os empregos garantidos pelos seus defensores.

    quem mandou confiar em um político após ele ter dito isso:
    “ou mais direitos e desemprego ou menos direitos e emprego para todos”

    mas, aguentem mais um pouco, no máximo mais 5 anos desempregados, porque agora estão prometendo a mesma coisa com a reforma da previdência. Acreditem

    Sorte a todos na busca por emprego

  5. Caro Rui, não perco tempo com bolsominios idiotas, mas creio que ao acusarem “governos anteriores” as antas se referem ao Temer e aos golpistas que o colocaram no governo.
    Contudo, vale destacar que esta turma de bolsominios, assim como suas lideranças, se utilizam da velha estratégia nazista de insistir numa mentira até que seja aceita pela massa.
    Mas, se querem acusar o PT, para dirimir dúvidas, vamos aos fatos. Resgatei na internet os dados de desemprego ao fim dos dois mandatos de Lula e do primeiro de Dilma:

    http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/01/taxa-de-desemprego-em-2010-e-a-menor-da-serie-do-ibge.html
    https://www.google.com/amp/s/amp.valor.com.br/brasil/3883962/taxa-de-desemprego-atinge-minima-historica-em-2014-aponta-ibge

    Agora, vamos resgatar os dados que representam a queda da taxa de emprego a partir das ações criminosas contra nossas principais empresas, cujo objetivo foi promover o caos para derrubar Dilma num crime de lesa-patria já demonstrado em outros textos aqui no GGN. O Brasil estagnou e não será este governo incompetente, com visão limitada de economia e formado por equipes improdutivas, que promoverá alguma reação.

    8,5% em 2015
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/03/taxa-media-de-desemprego-ficou-em-85-em-2015-diz-ibge.html

    12% em 2016 (ave Ustra, né?)
    https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/desemprego-fica-em-12-no-4-trimestre-de-2016.ghtml

    12,7% em 2017 (recorde da série historica)
    https://www.google.com/amp/s/oglobo.globo.com/economia/taxa-media-de-desemprego-de-2017-fica-em-127-bate-recorde-22348188%3fversao=amp

    11,6% em 2018
    https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2019/01/31/desemprego-fica-em-116-em-dezembro-diz-ibge.ghtml

    Ai o desgoverno Bozo precisou de apenas 3 meses (1o trim 2019) para elevar a taxa de desemprego para 12,7%, igualando o recorde alcançado em 2017.
    https://www.google.com/amp/s/g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2019/05/16/desemprego-cresce-em-14-das-27-unidades-da-federacao-no-1o-trimestre-diz-ibge.ghtml

    Quantos aos bolsominios: vão mentir na casa do…. bolsonaro (dá rima com a frase original)

  6. Oi, Carlos

    Eu também não costumo perder tempo com Bolsominions fanáticos. Se for um Bolsominion de bom senso, eu tento um diálogo. No caso da minha discussão com o Bolsominion, foi uma espécie de brincadeira. Mas eu não demorei muito no diálogo com ele.

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