Doria assume controle do PSDB e indica nome para presidir a legenda

Governador usa destroços do partido tucano com objetivo na corrida presidencial de 2022; Estratégia inclui ainda aproximação com a Câmara, militares e membros do judiciário

João Doria (PSDB), quando prefeito de São Paulo. Foto: Reprodução/Assessoria

Jornal GGN – O PSDB realiza nesta sexta-feira (31) a convenção nacional para eleger o novo presidente da sigla e tudo indica que o nome que sairá vencedor é o de Bruno Araújo (PE), hoje presidente do partido em Pernambuco.

A articulação em torno do nome de Araújo foi promovida por João Doria. O governador de São Paulo se tornou liderança natural do PSDB, mas sua ascensão acontece em meio a conflitos dentro da sigla em um cenário de quase-morte do PSDB, como mostrou a última eleição presidencial. A análise está na reportagem de Igor Gielow, na Folha de S.Paulo.

“O governador João Doria (SP) receberá nesta sexta (31) as chaves do que restou do edifício do PSDB, partido que dominou com o PT a cena política nacional por quase 25 anos até ser humilhado com um quarto lugar na eleição presidencial de 2018. Embora a liderança pareça natural, dado que Doria governa o mais poderoso estado do país, sua ascensão não ocorreu sem sobressaltos”, pontua o jornalista.

Bruno Araújo tentou sair de cena para não assumir o comando do PSDB. Com o aumento da visibilidade na direção do partido, seu temor é ter a vida seja escrutinada. Na segunda-feira (27), por exemplo, a Folha publicou uma matéria mostrando que em três mandatos como deputado do estado de Pernambuco, o patrimônio do político cresceu 454%.

No dia 17, Bruno Araújo se encontrou com Doria no Palácio dos Bandeirantes para confirmar sua decisão de não mais se candidatar à direção do PSDB, mas saiu de lá convencido de que deveria manter a palavra e não desistiria da indicação para substituir Geraldo Alckmin, atual presidente do partido.

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Paralelo à força que tem demonstrado para organizar a direção do PSDB, Doria prepara caminho dentro do partido para sua candidatura presidencial em 2022. A tarefa não é fácil. O empresário sofre resistência de integrantes da elite paulistana do tucanato que vêm nele alguém onde ‘falta USP e sobra Vila Nova Conceição’.

Além disso, Doria é considerado traidor de Alckmin, o ex-governador de São Paulo que enfrentou membros do próprio PSDB para introduzir o empresário na política.

Nas últimas eleições, Alckmin não queria que Doria deixasse a prefeitura de São Paulo para concorrer ao governo. O tucano também tinha feito um acordo para apoiar a candidatura do seu ex-vice, Márcio França (PSB), ao governo do estado mais rico do país, em troca de apoio do PSB à sua candidatura à presidência.

Doria ignorou seu principal apoio político dentro do partido e, ainda, no segundo turno, colou na candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), sem que esse apoio fosse aprovado pelas lideranças tucanas.

Em outubro do ano passado, durante uma reunião executiva do PSDB em Brasília, Alckmin chamou Doria de traidor. “Se alguém quiser ver o hoje relaxado ex-governador nervoso, basta questioná-lo sobre seu apoio ao ex-protegido”, prossegue Gielow na matéria da Folha.

Ao mesmo tempo, Doria teme que a pecha de traidor cole. Tanto que, depois de assumir o poder, passou a não mais defender tão abertamente o governo de Bolsonaro.

Para chegar ao Planalto, o governador de São Paulo também virou aliado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) e vem estabelecendo aproximação com membros do Judiciário e militares. Para ler a matéria da Folha na íntegra, clique aqui.

2 comentários

  1. Com os tucanos graúdos ficando fora de cena e do noticiário para não serem pegos pelo passado que volta e meia vem morder seus calcanhares, tava na cara que Dória iria “lidetizar” de vez o PSDB. Que destino tiveram estes senhores que apesar do bico grande e de estarem soltos, poderem se expor bem menos que o preso político da ilegal república lavajateira.

  2. Imagino, que na altura dos acontecimentos e com demonstração de união e força da população, o governador João(SP) já esteja planejando uma saída, à francesa, do barco furado que se tornou o governo federal.
    Se fizer jus as insinuações de que é um “amigo da onça” ele pode até estar com a estratégia em prática.

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