Datafolha: o fim da criação

É interessante a análise do Datafolha sobre sua última pesquisa.

1. Admite pela primeira vez o que os demais institutos estavam carecas de informar: à medida que aumentasse o conhecimento do eleitorado, de que Dilma é a candidata de Lula, ela tenderia a crescer sistematicamente.

2. Mesmo sabendo que esse era o eixo central da atual campanha, o Datafolha sempre tratou de esconder essa informação do pesquisado. Sequer informava o partido dos candidatos.

3. Ora, pesquisa pode ser o retrato do momento, mas a intenção óbvia é antecipar o comportamento do eleitor no dia das eleições. No caso, sabia-se que o nível de ignorância do eleitorado diminuiria progressivamente até o dia das eleições. Qualquer instituto consistente trataria de amenizar a ignorância atual, trazendo elementos de informação próximos aos que eles teriam no dia da votação.

4. Mesmo assim, o Datafolha prosseguiu explorando o nível de ignorância líquida do eleitorado. Qual a intenção? Antecipar o resultado final, certamente não. Medir o nível de ignorância do eleitor? Poderia fazer a pesquisa em duas partes: na primeira, sua opinião, sem saber o partido dos candidatos e sem informar sobre a candidata de Lula; na segunda, dando todas as informações.

5. Além de passar ao largo de uma informação fundamental – para a seriedade da pesquisa – ainda estimulou uma campanha de descrédito contra os institutos que atuavam de maneira correta.

Da Folha

ANÁLISE DATAFOLHA

A vez da criatura

Pesquisa divulgada ontem aponta uma diminuição da influência do presidente como cabo eleitoral de sua ex-ministra a partir de agora

DILMA CRESCEU ENTRE O ELEITORADO FIEL A LULA; O PERCENTUAL QUE RESTA DESSE GRUPO É MENOR

MAURO PAULINO
DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA
ALESSANDRO JANONI
DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA

A pesquisa Datafolha divulgada hoje é um divisor de águas. Além de trazer, pela primeira vez, a liderança isolada de Dilma Rousseff na disputa presidencial, marca uma redução importante da influência do presidente Lula como cabo eleitoral de sua ex-ministra a partir daqui.

O índice que reflete o potencial de crescimento da petista, com base no poder de transferência de votos que o presidente demonstra ter junto aos eleitores, é o mais baixo desde que o instituto passou a monitorá-lo em dezembro do ano passado.

Na ocasião, 14% dos brasileiros queriam votar em um candidato apoiado por Lula, mas não escolhiam

Dilma por não associá-la ao presidente. Oito meses depois, essa taxa está em 7%. Comparando-se com o levantamento anterior, do final de julho, há uma queda de três pontos percentuais desse índice nos últimos 20 dias.

A maior exposição dos candidatos nos meios de comunicação elevou o grau de informação dos eleitores. Debate e entrevistas na TV, em programas de grande audiência, repercutem na população. A percepção sobre o desempenho dos candidatos em eventos desse tipo invade a esfera privada e encontra na conversa com parentes e amigos o ambiente fértil para a formação do voto.

É o que explica, por exemplo, o crescimento expressivo, nos últimos 20 dias, dos que identificam Dilma como candidata apoiada por Lula. O efeito desse conhecimento projeta-se não só sobre o desempenho da petista na intenção de voto, mas nas características da ascensão.

A ex-ministra cresceu justamente nos segmentos nos quais a força do cabo eleitoral Lula é maior: entre os habitantes do Nordeste, menos escolarizados e com baixa renda. O percentual que agora sobra desse segmento fiel ao presidente é bem menor e tem baixo acesso à informação. É um estrato ainda mais difícil de ser alcançado.

Daqui em diante, o conjunto a ser disputado é o dos que até cogitam votar em um candidato apoiado por Lula, mas não estão certos disso.

Hoje, eles são 22% do eleitorado e votam mais em Serra (36%) do que em Dilma (31%). Para esses, o desempenho do presidente não é suficiente para convencê-los a eleger sua ex-ministra. Sai de cena o protagonismo do criador. É a vez da criatura. 

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