Errado, presidente. A economia não está dando certo, por Ivanir José Bortot

É justamente a fragilidade da economia, praticamente estagnada, que permite ao Banco Central reduzir a Selic. Houvesse emprego, renda e investimentos, o BC teria que fazer o contrário: subir a Selic

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Ivanir José Bortot 

Em Os Divergentes

O Presidente da República, Jair Bolsonaro, comemorou a redução da taxa básica de juros. Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa em 0,5 ponto percentual, de 6% para 5,5%.

“Em nosso governo, pela segunda vez, a mais baixa taxa de juros da historia do Brasil. É a economia dando certo”, publicou Bolsonaro em sua conta do Twitter.

É um fato histórico o Banco Central ter trazido as taxas de juros ao menor patamar desde 1986, quando começou o registro desta série. Nenhum presidente da República anterior conseguiu fixar juros em níveis tão baixos. Bolsonaro poderá incluir entre seus feitos a menor Selic da história.

Se a queda histórica é verdadeira, tenho discordância da frase do presidente: ”É a economia dando certo”.

Deu errado, presidente

Na realidade, o Banco Central reduziu as taxas de juros por ver exatamente o contrário. Se a economia estivesse crescendo haveria mais empregos, mais renda, as pessoas estariam consumindo mais e os empreendedores estariam investindo. O reflexo deste processo produtivo estaria pressionando a inflação.

Neste caso, o BC não reduziria os juros, uma vez que sua missão é manter a inflação sob controle. Apenas para lembrar nosso leitor, juros baixos não são sinônimo de economia em crescimento.

Suécia e Japão vem praticando juros negativos há muito anos. Os Estados Unidos reduziram juros neste quarta, 18, diante de um cenário de desaquecimento da sua economia e de países da Europa.

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Com inflação sob controle e crescimento abaixo do seu potencial, a autoridade monetária promoveu mais uma redução das taxas de juros para estimular o investimento e o consumo, que estão estagnados há anos. Este estímuto é positivo, mas seus efeitos são limitados e tem efeito no longo prazo, especialmente pelo fato do governo executar uma política fiscal contracionista.

O spread bancário, a diferença entre esta taxa oficial de juros e o custo final para o tomador de empréstimos, é um fato que inibe a maioria das pessoas de se endividar. É verdade que grandes empresas hoje podem ter acesso a recursos em operações feitas com debêntures incentivados com custos equivalentes à variação da inflação e juros reais da ordem de 3%, mas isso não vale pára a grande maioria dos empreendedores e consumidores.

As novas taxas pouco aliviam os custos dos empréstimos aos correntistas, mas é de grande valia para redução dos custos de rolagem da dívida do Tesouro Nacional, que passa a pagar juros de 5,5% nominal. A taxa terá impacto parcial sobre a dívida pública, uma vez que a maioria dos papéis do Tesouro foram vendidos em prazos longos com taxas bem maiores. De qualquer forma é bom para o governo e ruim para os rentistas.

Milagre econômico

Para a economia dar certo no atual governo serão necessárias medidas de estímulo efetivas, como elevar os investimentos em obras públicas e gastos sociais. O ex-ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, chega até mesmo a defender que isso pode ser feito com emissão de títulos públicos pelo Tesouro Nacional, sem que isso agrave o atual processo de endividamento público, que é grave.

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O fato é que com uma retomada do crescimento da economia todos podem ganhar, inclusive a União com mais receitas via arrecadação de impostos. As medidas efetivas que podem ser adotadas pela equipe econômica são muitas.

Sempre depende da conjuntura, da oportunidade e da experiência dos economistas. É o caso do ex-ministro da Fazenda, Delfim Netto, que fez sua mágica para que a economia crescesse no que ficou conhecido como “milagre econômico dos anos setenta”. Delfim também deu grandes contribuições, como consultor, para o crescimento da economia no segundo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

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1 comentário

  1. Tem erro aí, GGN, começando do título: Não é “errado presidente…”, tem que ser “errado, idiota…”, pois o verme imbecil já declarou que nada entende de economia e vem querer vender seu peixe podre para nós. Ora, quem compra esse peixe podre da economia do desgoverno boçal, só mesmo os milhões de imbecís que votaram nessa coisa…..A única vantagem que vejo nessa matéria é aparecer a foto do idiota, sobre a qual com prazer dou uma cusparada todo dia.

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