Flávio Bolsonaro critica Selic e governo do PT, mas atinge o próprio pai

Para o senador, a Selic depende de contas públicas organizadas e previsibilidade, como no governo Bolsonaro, mas a taxa de juros se mantém em 13,75% desde agosto

Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou fazer uma crítica ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao mencionar o valor da taxa básica de juros, a Selic. Estável desde agosto, a taxa foi mantida em 13,75% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), realizada na última quarta (1º).

No Twitter, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) postou que “não há economia que resista a uma taxa de juros de 13,5%” e que o país precisa crescer, gerar empregos e oportunidades. Hoffmann disse ainda que “o país não pode ficar esperando que o Banco Central caia na real”.

“Pelo visto, na turma do PT é mais fácil culpar o médico pelo diagnóstico do que fazer o tratamento correto. [A] Taxa de juros baixa exige contas públicas organizadas e previsibilidade, tudo o que tínhamos no governo Bolsonaro. Em tempo: a taxa de juros está em 13,75% ao ano, não 13,5%, como informou a petista [Gleisi Hoffmann]”, respondeu Flávio no Telegram.

No entanto, o que era para ser uma crítica à gestão petista acabou refletindo no governo de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente iniciou o mandato com a Selic em 6,5% ao ano e continua a mesma,13,75% ao ano, há seis meses. Vale ressaltar ainda que, de acordo com sinalização do Copom, a Selic deve seguir neste patamar até meados de 2024, na tentativa de controlar a inflação, também um legado da política econômica da última gestão.

Economia

Além do aumento expressivo da Selic nos últimos quatro anos, o governo bolsonarista deixou R$ 255,2 bilhões em despesas contratadas e não pagas para 2023.

O orçamento para este ano também ficou comprometido. Antes da posse de Lula, a equipe de transição apontou déficit em diversas pastas, algumas das quais teriam verba disponível para manter as atividades apenas durante os 10 primeiros dias de governo – a exemplo do Ministério das Cidades. Já a pasta de Educação somava diversos compromissos não honrados, como o pagamento de bolsas da Capes e impressão de livros didáticos, devido aos bloqueios de recursos impostos pelo governo ao MEC.

Antes de deixar o Executivo, Bolsonaro adotou ainda uma série de medidas questionáveis, entre elas mudanças para o Ministério do Turismo e contratações para cargos do governo já na reta final do mandato.

LEIA MAIS

Camila Bezerra

Jornalista

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador