Haddad cancela licitação de R$ 46 bi para transporte

26/06/2013 12h36 – Atualizado em 26/06/2013 14h32

Prefeito assinará contratos para construção de 66 km de corredores. 
Entre as avenidas que receberão faixas exclusivas está a 23 de Maio.

Do G1 São Paulo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou nesta quarta-feira (26) em entrevista ao SPTV uma série de medidas para o transporte público da cidade e cancelou o processo de licitação para a contratação das empresas de ônibus que realizarão o serviço pelos próximos 15 anos. O valor da licitação previsto é de R$ 46 bilhões, mais que o Orçamento anual da cidade, que é de R$ 42 bilhões.

Haddad afirmou que vai criar um conselho para abrir planilhas e mostrar os custos do sistema. Com isso, o atual contrato, que vence em julho, deverá ser prorrogado.

“Nós não podemos assinar contratos de 15 anos sem participação popular. O momento em que estamos exige a participação da sociedade, eu vou instalar o conselho de transporte público, com a participação dos usuários, do movimento social, junto com os empresários e com o governo, para abrir as planilhas, para que as pessoas tenham consciência dos custos que estão sendo enfrentados, com a presença do Ministério Público, para que fique tudo em pratos limpos”, disse.

Trata-se de mais uma medida anunciada por Haddad após uma série de protestos tomar a capital paulista e outras cidades. Há uma semana, o prefeito atendeu ao pedido inicial do movimento, a revogação do aumento de R$ 0,20.

A suspensão da licitação havia sido pedida à Câmara de São Paulo pelo Fórum de Transparência e Controle Social do Município de São Paulo. “Falta mais tempo para a sociedade digerir toda essa informação. As planilhas estão incompletas e não conseguimos detectar que serviço será oferecido“, afirma André Luiz da Silva, coordenador do fórum.

Corredores
Haddad afirmou que determinou até o final do ano a instalação de 220 km de faixas exclusivas para ônibus nas principais avenidas da cidade. Entre as contempladas está a Avenida 23 de Maio, que vai ganhar a faixa no sentido Centro/Bairro.

Haddad argumenta que os ônibus estão perdendo velocidade. “A única solução é aumentar a velocidade dos ônibus melhorando a qualidade e diminuindo os custos do sistema. Para isso preciso de corredores e faixas exclusivas”, disse. “Todas as grandes avenidas de São Paulo vão contar com faixas exclusivas”, afirmou Haddad.

Segundo o prefeito, serão assinados nesta semana contratos para a construção de 66 km de corredores de ônibus. Eles fazem parte dos 150 km prometidos em campanha.

Entre as avenida contempladas com faixas exclusivas recentemente estão a Marginal Tietê e a Radial Leste. Na próxima semana, a Marginal Pinheiros também terá faixa exclusiva.

Outras medidas
A Prefeitura informou que vai começar na próxima semana as obras de reforma completa dos semáforos de 4.800 cruzamentos. A licitação, no valor de cerca de R$ 246 milhões, inclui a recuperação da parte elétrica, a instalação de no-breaks e controladores de semáforos e o aterramento de cabos.

Também serão assinados na próxima semana os contratos para as obras de microdrenagem em 79 pontos críticos de alagamento da cidade. As obras, orçadas em cerca de R$ 150 milhões, começam na primeira quinzena de julho e têm prazo de seis meses.

Protestos
A Avenida Paulista e outras vias da região central de São Paulo são palco de protestos com grande quantidade de pessoas há duas semanas. Para esta quarta, está marcado um protesto na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, contra m ato contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, e o projeto de lei para ‘cura gay’. Siga as manifestações pela cidade.

Em alguns locais houve depredação, caso do prédio da Prefeitura de São Paulo, na semana passada. Lojas foram saqueadas. No sábado, (22), 35 mil pessoas levaram várias questões às ruas da região central. Em especial pediram a rejeição à PEC 37, proposta de emenda constitucional que limita os poderes de investigação do Ministério Público. A proposta foi rejeitada ontem em votação na Câmara dos Deputados.

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