Indagações inquietantes, por Francisco Celso Calmon

Por que há tantas evidências que vinculam Adélio aos bolsonaros, como outras tantas que os ligam ao assassinato de Marielle?

Foto: Agência Brasil

Por Francisco Celso Calmon

Por que o ministro-presidente do STF, Dias Toffoli, indicou que o caminho para modular (palavra da moda deles) o trânsito em julgado somente até a segunda instância era via o Congresso, sabendo que é uma cláusula pétrea, que só pode ser alterado por meio de um poder constituinte?

Não se pode nem atribuir a afoiteza ou equívoco na construção da frase, pois sua entrevista de um minuto estava bem ensaiada, estava, como se diz, na ponta da língua, foi lá para dar o recado.

Bolsonaro, o colérico, agressivo, destemperado, desvairado, violento, com mulheres, gays, com esquerdistas, com jornalistas, com índios, com blogs, com a Globo e a Folha, nunca usou dessas características para com o seu esfaqueador, Adélio Bispo. Nem seus boquirrotos filhos, amigos de milicianos matadores, também nunca usaram de quaisquer belicosidades contra o agressor do pai.

Mas usaram a tal facada em favor da campanha eleitoral!

Se a intenção de alguém é matar, sabendo que não tem chance de escapar, visto que a postura seria a de chegar bem perto do alvo, por que usaria uma faca em vez de uma arma de fogo? Com a arma branca a possibilidade de ser letal é mínima, enquanto a arma de fogo, daquela distância e de calibre 38, seria fatal.

Por que está proibido entrevistar Adélio Bispo? E todos, mídia corporativa, Judiciário, MP, etc, ficam silentes e inertes?

Por que há tantas evidências que vinculam Adélio aos bolsonaros, como outras tantas que os ligam ao assassinato de Marielle, e, entretanto, os órgãos responsáveis por investigações não ligaram as evidências para incriminá-los?

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Por que os evidentes assassinos de Marielle demonstram sinais de riqueza, casa de luxo, carros, incondizentes com suas fichas laborais e de renda, e a grande mídia e demais órgãos de averiguação não apresentaram ainda um relato a respeito?

Um condomínio frequentado pelo presidente da república e seus filhos e também por assassinos não causa a menor preocupação de segurança para os órgãos responsáveis pela incolumidade presidencial.  Não é mais uma evidência de intimidade com o crime?

A questão não é se o porteiro mentiu, mas qual foi a polícia que o manipulou, a civil do Rio ou a federal? Qual delas é a mentirosa? A credibilidade de ambas está abalada. A população não tem respeito às Policias, as temem; com manipulações e contradições como essa, só aumenta o desgaste das instituições e o temor da população em relação a qualquer polícia. É o que desejam?

Sem condições legais, sem provas, mas com extrema convicção de achismos e teratologias, baseada em delações corrompidas e fraudadas, condenaram Lula em primeira e segunda instâncias. Com fortes indícios e provas potenciais do envolvimento dos bolsonaros no assassinato de Marielle e Anderson, as instituições responsáveis por investigação e denúncia claudicam.

O ex-juiz que levou Lula à prisão é o mesmo que, no presente, como ministro da justiça, ordenou a PF a interrogar o porteiro que ouvira o seu Jair autorizar a entrada dos meliantes.

O que faltou nos processos contra Lula sobra em abundância nos prováveis crimes de Moro, Dallagnol e Bolsonaros, porém, a Justiça acovardada e desmoralizada faz como o avestruz.

As classes média e alta só começaram a se indignar com as barbaridades da ditadura militar quando os seus filhos e netos foram atingidos; será que que vão esperar o atual Estado policial sacrificarem também os seus entes queridos para reagir?

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Diante do atual quadro de falências das instituições, a sociedade está legitimada a reagir por qualquer meio ou deverá esperar a funerária passar?

 

Francisco Celso Calmon é Advogado, Administrador, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017)

 

 

 

 

 

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