Instituições são melhores do que parecem

Nassif,

Cabe ressaltar que a Ciência Política brasileira já demonstrou que, ao contrário do que diz Timothy Power, a disciplina dos partidos nas votações nominais de 1989 até aqui é altíssima. Aliás isso é questão básica para os cientistas políticos nacionais. Índices de disciplina e coesão partidárias na Câmara Federal são de nível europeu e, com encontrei em artigo meu recente, maior do que a americana. Tanto quando estão na oposição quanto quando estão na situação. Há vários trabalhos sobre isso e que analisam bancos de dados com todas votações catalogadas (o mais importante banco é o do Cebrap). Eu mesmo possuo um artigo avaliando a relação entre as nomeações ministeriais e a disciplina dos partidos.

Com isso, quero dizer: a avaliação do Sr. Power é muito correta mesmo. As instituições brasileiras funcionam muito melhor do que o senso comum (e o senso comum jornalístico) pensam. Até no que Power critica, como as disciplinas partidárias. Nesse sentido, há de fato ajustes pontuais a serem pensados, mas não onde o entrevistado comenta. Em outra ocasião, se interessar, faço uma avaliação de pontos onde se sabe que temos problemas operacionais concretos.

Grande abraço,

FABRICIO

PS: a quem interessar, disciplina partidária mede-se calculando em cada votação quantos porcentos dos deputados votaram de acordo com a indicação prévia de voto feita pelo líder do partido. É medida internacional usual e, tanto nela quanto em outras, o Brasil sai-se como comentei: no nível das mais altas do mundo. 

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