A busca da paz nos Andes

Um tapa no Castañeda, e mais um passo em direção ao Nobel:

Da Folha

Venezuela quer plano de paz com Colômbia, diz chanceler após reunião com Lula

FÁBIO AMATO
DE BRASÍLIA

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, se reuniu nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir uma proposta de paz entre Venezuela e Colômbia.

Maduro não quis revelar detalhes do plano, mas disse que irá discuti-lo com outros países da América do Sul até a próxima quinta-feira, quando acontece a reunião de ministro da Unasul (União de Nações Sul-americanas), em Quito, no Equador.

“Trouxemos ao presidente Lula uma mensagem do presidente [da Venezuela, Hugo] Chávez e um conjunto de informações”, disse Maduro a jornalistas logo após a reunião com Lula, em Brasília. De acordo com ele, o presidente Chávez avalia que é necessária a formulação de um plano para “consolidar a paz na nossa região.”

Chávez anunciou o rompimento das relações com a Colômbia em resposta às acusações do embaixador colombiano na OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Alfonso Hoyos, de que a Venezuela abriga pelo menos 87 acampamentos de guerrilheiros colombianos.

Hoyos apresentou vídeos, fotos e testemunhos que provariam que o presidente venezuelano tem conhecimento e permite a presença de integrantes das guerrilhas colombianas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e Exército de Libertação Nacional (ELN) na Venezuela.

Maduro defendeu a decisão do decisão venezuelana. “Como vocês sabem, o nosso governo é um governo de paz. É um governo com vocação unitária, sulamericanista, latinoamericanista. O presidente Chávez é um combatente pela união e integração.”

O secretário-geral do Itamaraty e ministro interino de Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, também participou da reunião com Lula. Ele já havia se encontrado horas antes com Maduro, no Rio de Janeiro.

“Estamos trabalhando para construir a confiança entre os dois países e manter a tranquilidade até a transmissão do poder na Colômbia”, disse Patriota. O atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, deixa o cargo no próximo dia 7, quando assume Juan Manuel Santos.

ONU

A Venezuela disse nesta segunda-feira na ONU (Organização das Nações Unidas) que rompeu as relações diplomáticas com a Colômbia porque o país vizinho preparava uma agressão militar contra seu território, com apoio dos Estados Unidos.

O representante venezuelano nas Nações Unidas, Jorge Valero, reuniu-se hoje por cerca de meia hora com o secretário-geral da organização, Ban Ki-Moon. Ele explicou a posição do governo de Hugo Chávez e entregou uma carta a ser distribuída aos outros países-membros da ONU.

A carta denuncia um suposto “plano agressivo contra a soberania e a integridade territorial da Venezuela, impulsionado pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, em cumplicidade com o governo dos EUA”.

Valero ressaltou que não solicitou nenhum tipo de mediação de Ban e nem tem intenção, por enquanto, de comparecer à Assembleia Geral da ONU para pedir um debate sobre esta nova crise na região. O embaixador também rejeitou a possibilidade de que a ONU envie algum tipo de comissão para investigar as denúncias colombianas.

“Está provado, e não poucas vezes, que a mentira foi usada para invadir um país. Assim ocorreu no Iraque, quando se inventou a possibilidade da existência de armas de destruição em massa”, argumentou.

“O governo da República Bolivariana da Venezuela considera que neste momento há uma probabilidade, como nunca existiu nos últimos cem anos, de que ocorra uma agressão militar estrangeira”, afirma a carta.

O texto também pede a revogação do acordo militar pelo qual forças americanas podem utilizar pelo menos sete bases colombianas no combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

FRONTEIRA REFORÇADA

A Venezuela reforçou hoje a vigilância da fronteira com a Colômbia com mil soldados.

“Temos um reforço de 980 a mil soldados que se somam à proteção da fronteira, mas não há operações extraordinárias; continuamos em estado de alerta”, disse o general Franklin Márquez, chefe do Comando Regional 1 da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, Polícia militar).

A edição digital do jornal regional “El Impulso” destacou que “este é o primeiro movimento de tropas informado” desde que Chávez decidiu romper as relações com a Colômbia.

O general disse hoje que durante o fim de semana “foram realizados percursos em diferentes pontos fronteiriços, mas não em detalhe”, acrescentou o jornal.

COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS 

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