Bélgica: 249 dias sem governo

Nesta quinta-feira, 17 de fevereiro, a Bélgica bateu o recorde do Iraque como país há mais tempo sem governo constituído: 249  dias. Para protestar, milhares de estudantes de todo o país organizaram uma revolução “festiva, mas séria”, segundo a coorganizadora Lieve Franssen: A “Revolução das Fritas”.

Desde as eleições legislativas de 13 de junho de 2010, flamengos e valões continuam incapazes de costurar um acordo sobre uma reforma das instituições e uma divisão do poder. O rei Alberto II designou, um após outro, vários mediadores para tentar resolver o impasse, mas todos acabaram jogando a toalha. Por enquanto, o ministro das finanças, Didier Reynders, tenta formar uma coalizão antes que seja necessário organizar novas eleições, em maio.

“Queremos que se pare de se transformar todos os problemas do país em uma discussão sobre comunidades. Temos problemas de orçamento, de pobreza, de desemprego. Ocupemo-nos das verdadeiras preocupações da população”, protestou Franssen. Fiel ao espírito dos belgas, tradicionalmente conhecidos por sua capacidade de fazer humor sobre si mesmos, a jovem fundou com alguns artistas o coletivo “Não em meu nome”, que organizou protestos em cidades como Liège, Bruxelas e Anvers. Em Gand, uma centena de manifestantes tirou as roupas para protestar. Em frente ao palácio de justiça de Bruxelas, jovens cantavam, dançavam e exibiam cartazes parodiando avisos de maços de cigarro: “dividir é prejudicial à saúde”.

Imbuídos do espírito de união, os estudantes decidiram organizar uma degustação pública de cervejas e batatas fritas, que se tornaram o símbolo de sua “revolução”. “Queremos mostrar a todos que valões e flamengos têm um patrimônio comum, que não pode ser dilapidado”, afirmou um manifestante. A fronteira linguistica existente na Bélgica separa as comunidades flamenga, ao norte, e valã, ao sul. Os primeiros falam um idioma próximo do holandês, os segundos falam francês. Professor de direito na Universidade de Harvard, Robert Moonkin propõe o envio de um mediador internacional para resolver o impasse. E sugere até um nome: o finlandês Martti Ahtisaari, prêmio Nobel da Paz por sua assão na Namíbia, Aceh e Kossovo. A solução do conflito, no entanto, parece cada dia mais improvável.

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