Maia bate boca com Vitor Hugo e diz que excluiu líder do governo de relações

Ao final de reunião decisiva para o Planalto, presidente da Câmara tentou tirar satisfação de ataques que considera ter recebido do líder do governo na Casa

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), protagonizaram um bate-boca nesta terça-feira (21), durante uma reunião de líderes da Câmara para discutir a pauta da semana na Casa. As informações são da Folha de S.Paulo.

A troca de farpas aconteceu pouco antes do encerramento da reunião. Maia pediu para expor um fato que havia ocorrido em março, quando o major Hugo, por mensagens de Whatsapp para a bancada do PSL, teria criticado o presidente da Câmara pela “velha política” no Congresso.

Primeiro, Hugo escreveu para os correligionários que Bolsonaro estava “convicto de suas atitudes” e que não levaria adiante “práticas do passado”. Em seguida compartilhou uma reportagem do jornal O Globo, de novembro de 2017, cujo título é “Para aprovar mudanças na Previdência, Temer autoriza Maia a negociar cargos”. O líder do governo na Câmara concluiu as mensagens naquele dia com uma charge que trazia o desenho da ex-presidente Dilma levando ao Congresso um pacote de cargos para garantir as conversas.

Na época, as mensagens chegaram ao conhecimento de Maia, que entendeu como um ataque. Depois disso, Maia passou a não receber mais o líder do governo pessoalmente.

Após escutar Maia relembrando os ataques, nesta terça (21), Vitor Hugo reagiu dizendo que as críticas não foram pessoais e que as mensagens foram tiradas do contexto e, ainda, que sempre buscou estabelecer uma relação republicana na Casa.

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“Não pretendo ser amigo de vossa excelência. A crítica pública que eu fiz e repito aqui foi uma crítica construtiva”, afirmou, segundo apurações da Folha. Mas o major não parou por aí e criticou o fato de o presidente da Câmara levar para sua residência oficial parte dos líderes, completando que Maia não quis “abrir as portas” para ele.

Foi então que o presidente da Câmara reagiu: “Se o deputado considera que diálogo é um pacote de dinheiro, me desculpe”.

Ao final da reunião, líderes que participaram do encontro disseram que Maia comentou: “Fui atacado e por isso exclui ele [major Vitor Hugo] das minhas relações pessoais”.

O bate-boca acontece no pior momento para o Planalto: há duas semanas de vencer cinco medidas provisórias. Se dentro do período elas não forem validadas no Congresso, perderão o efeito. A principal delas é a MP 870, que reestrutura a Esplanada dos Ministérios. Se os plenários da Câmara e do Senado não aprovarem a medida até o dia 3 de junho, o número de ministérios passará de 22 para 29 (como era no governo Temer).

Ainda segundo a Folha, os chamados partidos do centrão concordaram em votar a MP 870. A sigla do governo (PSL) queria que a votação fosse aberta, para constranger os deputados a decidirem pela manutenção do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) no Ministério da Justiça, mas não conseguiu.

Na semana passada, a comissão mista criada para avaliar a MP votou pela retirada do órgão que investiga crimes financeiros da Justiça, devolvendo-o à pasta da Economia. Os líderes da maioria dos partidos no Congresso dizem que tem votos suficientes para manter a decisão de retirar o Coaf da alçada de Sérgio Moro.

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2 comentários

  1. Interessante notar que, segundo o post, o jornalismo criminoso da GLOBO publicou matéria com críticas aos movimentos de negociação do Temer, em troca de apoio no Congresso, mas apresentou charge da ex-presidente deposta, para ilustrar a compra de apoio.
    As organizações criminosas da GLOBO usa e abusa daquela tática que atribuíram ao chamado decálogo de Lenin que ensina que o combatente deve acusar os inimigos dos crimes que ele pratica.
    Tais organizações defendem em discurso a livre competição entre as empresas no mercado, desde que não mexam com os cartéis de empresas de comunicação e nem com o monopólio dos bancos agiotas privados. E mantém o poder de garantia desses privilégios por meio de técnicas de intimidação e chantagens, manipulando de forma criminosa as concessões públicas de serviços de comunicação que explora.
    O que o Paulo Tonet foi conversar com os milicianos que estão no governo federal?
    Será que foi para pedir apoio ao projeto “Criança Esperança” do Dallagnol?

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